Depois da Figueira da Foz, o Algarve. As maiores estrelas do pelotão nacional continuam a desfilar pelas estradas portuguesas e, após terem estado na deslumbrante clássica da região centro do país, rumaram ao sol do sul do país. Longe de ter o destaque de outros tempos devido ao aparecimento da concorrência árabe, a Volta ao Algarve continua a ombrear com Andaluzia e a receber alguns dos principais ciclistas do circuito mundial e esta 51.ª edição não é exceção, apesar de Remco Evenepoel, o campeão de 2024, não estar presente devido a uma lesão sofrida em dezembro, durante um treino. Sem o belga, João Almeida partia como um dos candidatos à vitória, mas tinha a árdua concorrência de Jonas Vingegaard, Primoz Roglic e, quem sabe, de Wout van Aert.

Apesar de a sua equipa, a UAE Team Emirates-XRG, estar focada noutras latitudes, na Volta aos EAU, de onde é natural e tem uma clara “obrigação” contratual, Almeida partiu para a Algarvia com o apoio dos portugueses António Morgado, vencedor na Figueira da Foz, Ivo e Rui Oliveira, bem como de Jan Christen, Felix Grossschartner e Nils Politt, que deverão peças-chave para as etapas mais montanhosas, como a chegada ao Alto da Fóia, na quinta-feira.

“Acho que sou um dos candidatos para discutir a corrida. Claramente há corredores que são mais fortes ou aparentam estar mais fortes. A parte mais difícil está feita, que é o treino. Agora, é focar na corrida e controlar o que podemos controlar. Já comecei a minha temporada, já não é a primeira corrida. Então, sendo a corrida de casa, do meu país, claramente venho com grandes ambições. Vingegaard? É bom e eleva a corrida ainda mais. É um corredor que é um bom termo de comparação”, perspetivou o ciclista de 26 anos, que enverga o dorsal um da prova.

“Fiz o Gran Camiño nos dois últimos anos, é uma boa corrida, gostei muito de lá estar. No entanto, não gostei assim tanto do tempo que fez nos dois últimos anos. Talvez também tenha querido experimentar algo novo. Espero conseguir lutar pela vitória. Temos uma equipa forte, não sou o único capaz de fazer alguma coisa. Vamos, certamente, tentar lutar por isso, mas veremos nos próximos dias. Almeida? Fico satisfeito por ele pensar assim. Espero torná-la mais difícil para ele, mas também espero estar forte aqui e lutar pelo triunfo”, referiu o corredor da Visma-Lease a Bike, considerando Almeida e Roglic os principais rivais.

A Volta ao Algarve começou com uma ligação de 192,2 quilómetros entre Portimão, que acolhe a partida da primeira etapa desde 2022, e Lagos, cidades que estão a apenas 13 quilómetros de distância. Como é tradicional, perspetivava-se uma chegada ao sprint na Avenida dos Descobrimentos, apesar do percurso ondulado, e era nesta condição que entra mais um português: Iúri Leitão (Caja Rural-Seguros RGA). O vianense é um dos homens mais rápidos do pelotão e partiu como uma das apostas da formação espanhola, que procurava tentar superar o vencedor dos pontos da última Volta a França, Biniam Girmay (Intermarché-Wanty), Arnaud de Lie (Lotto) e Van Aert (Visma). Julian Alaphilippe (Tudor), antigo bicampeão do mundo, recebeu o Prémio Prestígio antes da partida.

Sem Stan van Tricht (Alpecin-Deceuninck) à partida, a primeira tirada ficou marcada por uma fuga de oito elementos: Gonçalo Oliveira (Anicolor-Tien 21), Francisco Morais (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), Victor Cesar de Paula (Feirense-Beeceler), Carlos Salgueiro e Francisco Campos (APHotels & Resorts-Tavira-Farense), Noah Campos (GI Group Holding-Simoldes-UDO), Diogo Narciso (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car) e Nicolás Tivani (Aviludo-Louletano-Loulé). Com todos os corredores a representarem as formações do pelotão nacional, Tivani bateu Salgueiro e Noah Campos no alto da Nave, que acabam por não ter qualquer efeito devido ao desfecho final.

Já dentro dos últimos 50 quilómetros, Carlos Salgueiro arrancou a solo, mas a iniciativa terminou a 24 quilómetros de Lagos, com o pelotão a abordar a fase final da etapa compacto. A entrada para a reta da meta acabou por ser marcada por um insólito, quando a maioria do pelotão se enganou e seguiu para a saída das viaturas. Do outro lado da estrada – o que contou – ficou apenas Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) e mais meia dúzia de corredores, acabando por levantar os braços num sprint insólito e que foi tudo menos veloz. Quase uma hora depois de a etapa ter terminado, a organização comunicou que a mesma se encontra anulada e o cronómetro vai voltar ao zero esta quinta-feira, aquando da etapa entre Lagoa e a Fóia.

Atualizada às 17h40 com a informação da anulação dos resultados da etapa