As eleições antecipadas realizadas este domingo na Alemanha, e ganhas pela CDU (de centro-direita), ficaram marcadas por grandes mudanças nas votações dos principais partidos e, consequentemente, na composição do Bundestag (o Parlamento alemão). A União Democrata-Cristã, ou CDU — do novo chanceler Friedrich Merz — recuperou em relação a 2021 e chegou quase aos 29% dos votos. Já o Partido Social-Democrata (SPD), do atual chanceler Olaf Scholz, sofreu uma derrota em toda a linha: recolheu apenas 16,4% dos votos e perdeu quase metade da bancada parlamentar. Em sentido contrário, a AfD, de extrema-direita, mais do que duplicou a votação (para 21%) e é agora o segundo maior partido alemão.
A CDU, em coligação com a CSU (o partido irmão na região da Baviera) teve 28,6% dos votos. Trata-se de um aumento em relação aos 24,1% alcançados em 2021, um dos piores resultados de sempre do partido democrata-cristão. No entanto, o resultado eleitoral deste domingo fica ainda longe dos desempenhos eleitorais registado nos últimos 30 anos, em que o partido raramente baixou da barreira dos 35% dos votos (em 2013, sob a liderança de Angela Merkel, o partido chegou mesmo aos 41,5% dos votos).
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Em relação aos deputados, os democratas cristãos sobem de 197 para 208 — e conseguem, em conjunto com o SPD — formar uma maioria no Parlamento alemão, o chamado Bloco Central: juntos conseguem 328 deputados, não precisando dos Verdes para conseguir governar.
Já a AfD consegue duplicar o resultado eleitoral que atingiu em 2021, passando de 10,4% dos votos para 20,8%. Fundado em 2012, o partido, agora liderado por Alice Weidl, participou em apenas quatro eleições legislativas. Nas primeiras, em 2013, recolheu logo 4,7% dos votos, ficando à beira de eleger deputados para o Bundestag. Em 2017, a AfD teve 12,6% dos votos, naquela que era, até este domingo, a melhor prestação eleitoral do partido em eleições federais. Em 2021, o partido sofreu, no entanto, um revés: caiu para os 10,4% dos votos e desceu dos 94 para os 83 deputados no Bundestag.
Agora, a AfD conseguiu duplicar os votos, e também aumentar significativamente o número de deputados, para 152 (tinha tido 83 em 2021).
Em sentido contrário à ascensão fulgurante da extrema-direita (prevista nas sondagens publicadas nas últimas semanas), está o SPD. Os sociais democratas, do agora cessante chanceler Olaf Scholz, que tinham tido 25,7% nas últimas legislativas, recuaram quase 10 pontos percentuais, para os 16,4%. O resultado é, de resto, o mais baixo do partido histórico em mais de 130 anos. Para se encontrar uma votação tão baixa, é preciso voltar ao longínquo ano de 1887, no tempo do Segundo Reich. Em 2021, nas últimas eleições, o SPD conseguiu 25,7% dos votos.
Desta forma, os sociais democratas elegeram 120 deputados, uma queda acentuada em relação aos 206 que tinham no Bundestag.
No que diz respeito aos restantes partidos, os Verdes (centro-esquerda) tiveram uma quebra — ainda que ligeira — da votação em relação às últimas legislativas. O partido, liderado por Robert Habeck, obteve 11,6% dos votos, quando tinha tido 14,8% há quatro anos. Apesar do resultado (que o próprio líder admitiu não ter sido “extraordinário), este é um dos melhores desempenhos eleitorais da história dos Verdes — cujas votação variaram entre os 7 e os 10% nas últimas três décadas. Desta forma, o partido conseguiu eleger 85 deputados para o Bundestag (tinha 118).
Já o Die Linke, de esquerda, aumentou a votação comparativamente com 2021. O partido, comandado por Jan von Aken, conseguiu recolher o apoio de 8,8% dos votantes (em 2021, tinha tido 4,9%) e venceu mesmo na cidade-estado de Berlim, com 20% dos votos. Conseguiu, por isso, eleger 64 deputados, mais 25 do que há quatro anos.
À semelhança do que aconteceu com o SPD, também os liberais do FDP parecem ter sido penalizados nas urnas pela governação dos últimos quatro anos. O partido, liderado até este domingo por Christian Lindner (que, entretanto, anunciou a saída) teve apenas 4,3% dos votos, menos de metade em relação aos 11,5% que conseguiu em 2021. Os desentendimentos de Lindner com Scholz (que levaram mesmo o chanceler alemão a demiti-lo do cargo de ministro das Finanças) também terão contribuído para o desastre eleitoral dos liberais, que ficam fora do Bundestag apenas pela segunda vez nos últimos trinta anos (o mesmo tinha acontecido na sequência das eleições de 2013).
Já o Bündnis Sahra Wagenknecht (conhecido por BSW, esquerda nacionalista), fundado em janeiro do ano passado, teve uma estreia com sabor amargo. Conseguiu 4,972% dos votos (uma percentagem assinalável na primeiro combate em eleições legislativas) mas não conseguiu eleger nenhum deputado — uma vez que o sistema eleitoral alemão exige um mínimo de 5% para que um partido consiga colocar deputados no Bundestag.