Depois de décadas a vegetar no mercado dos veículos de luxo, uma vez integrada no grupo Stellantis, a Maserati aproveitou a chegada dos veículos eléctricos para acordar da letargia em que se arrastava, complementando a gama de modelos com motores a gasolina com novas propostas eléctricas. E estas, com potências superiores a 760 cv, conseguiam que a marca italiana com um passado repleto de sucessos e de história se superiorizasse à concorrência. Mas, de repente, a Stellantis parece ter decidido fazer marcha-atrás.

Maserati bate Ferrari e Lamborghini com Folgore

Assim que integrou o grupo Stellantis, em 2021, o futuro passou a ser mais risonho para este construtor fundado em 1914 que, além dos inúmeros sucessos em competição, com pilotos como Juan Manuel Fangio, começou a competir na Fórmula E para adquirir conhecimentos sobre a tecnologia que faz mover os veículos a bateria. A gama começou por ser reforçada com modelos a combustão, como o coupé desportivo de dois lugares MC20, o SUV Grecale e a actualização dos coupés de quatro lugares GranTurismo e GranCabrio. Mas o maior argumento comercial da Maserati consistiu no lançamento das versões Folgore destes três últimos modelos, 100% eléctricas e com potências entre 557 cv e 761 cv, para complementar a oferta.

557 cv e 500 km de autonomia. Grecale é o novo Folgore da Maserati

Com as vendas a subir em 2021, 2022 e 2023, a Stellantis anunciou um investimento de 1,5 mil milhões de euros na Maserati, para renovar a gama e lançar novos modelos. Porém, repentinamente, fez marcha-atrás e anulou a aposta na marca. O responsável financeiro da Stellantis, Doug Ostermann, confirmou a decisão de não investir na marca, bem como o facto de esta decisão ter como consequência a anulação de um programa de lançamento de novos modelos.

Maserati confirma MC20 EV para 2025 e Quattroporte EV em 2028

A marcha-atrás foi motivada pelos resultados da marca italiana em 2024, ano em que foram vendidos apenas 11.300 Maserati, cerca de metade dos 26.600 transaccionados em 2023, de que resultaram perdas próximas de 260 milhões de euros. O sindicato já manifestou o seu desagrado em relação à decisão que coloca o futuro da marca em risco, mas com a saída de Carlos Tavares e com o novo CEO da Stellantis a não ter sido ainda anunciado, tudo indica que a decisão não vai ser revertida tão depressa — se é que será esta a decisão do grupo. Mais novidades a 11 de Março.