Não era o melhor contexto para a estreia, era o contexto que existia para a estreia. Depois da 17.ª posição na qualificação e do 16.º lugar na sprint, Miguel Oliveira assinalava a 100.ª corrida no MotoGP a abrir a sétima temporada no principal escalão do motociclismo com objetivos mais modestos do que terá numa fase mais adiantada da época mas com uma possível meta que fecharia da melhor forma o fim de semana: pontuar.

Novas cores, nova marca, a ambição de sempre: o que esperar da terceira vida de Miguel Oliveira no MotoGP?

“Pensei que a pressão estivesse muito elevada mas, na verdade, estava boa. De qualquer forma, essa falta de confiança ao soltar os travões nas curvas custou-me bastante. Tendo em conta que comecei tão atrás, ter terminado apenas seis segundos atrás do Fabio Quartararo não foi muito mau e o meu ritmo não foi horrível. O que temos de fazer é usar as primeiras Yamaha como referência e já tinha dito que estávamos a cerca de 0,250 segundos por volta do ritmo do Fabio. Agora a corrida será mais longa e dura, pelo que não sei o que esperar. Provavelmente, vai ser ainda mais desafiante. Preciso de me concentrar na partida porque as primeiras voltas serão cruciais. Terei de ultrapassar tantos pilotos quanto possível o mais cedo que puder para tornar a corrida mais fácil”, tinha projetado depois da 16.ª posição na sprint este sábado.

Miguel Oliveira em 16.º na corrida sprint do GP da Tailândia de MotoGP

Longe vão os tempos em que o português chegou à vitória na Tailândia, com uma autêntica serenata à chuva em 2022 que lhe valeu a última de cinco vitórias no MotoGP. Mais: o próprio arranque e as voltas iniciais limitaram qualquer objetivo mais alto que o Falcão pudesse ter no início de 2025. No entanto, e dentro das limitações que fizeram com que estivesse fora dos pontos até às últimas cinco voltas, soube resistir, percebeu o que ia acontecendo à sua frente e aproveitou da melhor forma a oportunidade para somar dois pontos.

O arranque não trouxe grandes alterações em relação às posições de partida apesar das curvas mais largas que alguns pilotos tiveram de fazer, com os irmãos Márquez a conseguirem assumir os dois primeiros lugares apesar de Pecco Bagnaia ter passado pela vice-liderança e Ai Ogura a passar Jack Miller no quarto posto sem que 0 australiano deixasse de mostrar as boas indicações da Prima Pramac. Mais atrás, Miguel Oliveira não subia nem descia face à 17.ª posição de partida, passando nas voltas iniciais para os lugares de pontos (15.º) aproveitando uma queda de Pedro Acosta, que não começou bem a época ao contrário de Franco Morbidelli, que voltou a destacar-se em corrida e passou Miller e Ogura até fixar-se no quarto posto.

A sétima volta trouxe mudança de liderança, com Álex Márquez a aproveitar um claro levantar de pé de Marc Márquez para assumir pela primeira vez o topo da corrida sem que se percebesse ao certo a intenção do seu irmão mais velho tendo em conta que não perdeu ritmo após cair na segunda posição. Mais atrás, o top 6 mantinha-se com Jack Miller em sexto mas com Miguel Oliveira a não conseguir ter ritmo para andar nos lugares pontuáveis, descendo de novo à 17.ª posição atrás de Enea Bastianini mas à frente do antigo campeão mundial Fabio Quartararo, um dos principais “vencidos” na Tailândia após ficar em décimo na Q2.

A corrida chegava a meio sem grandes incidências, altura em que Joan Mir, que seguia no sétimo lugar, a perder a frente e a não conseguir evitar a segunda queda da corrida. Miguel Oliveira subia dessa forma ao 16.º posto, numa fase em que a Pramac de Jack Miller deixava sinais de não conseguir aguentar tão bem o ritmo sendo ultrapassado por Marco Bezzecchi. Na frente, Marc Márquez continuava a parecer controlar a liderança do irmão Álex, enquanto Pecco Bagnaia aumentava a vantagem face a Morbidelli.

Chegavam as últimas cinco voltas, com Raúl Fernández a perder muito ritmo e a permitir que Miguel Oliveira ainda pudesse sonhar com um regresso à zona dos pontos, algo que aconteceria de forma natural já depois de Álex Rins ter passado o piloto espanhol (que se foi afundando e muito na classificação até sair mesmo para o pit lane com problemas na moto). Chegava a altura de Marc Márquez assumir a liderança da prova para voar a partir da antepenúltima volta, ganhando de forma rápida uma vantagem confortável face ao irmão Álex e carimbando nova vitória depois do sucesso na sprint na estreia na Ducati, com Bagnaia em terceiro a fechar o pódio da formação italiana. Já Miguel Oliveira subiu ainda a 14.º, superando Rins no final e ficando apenas a três posições de Jack Miller, que foi caindo na classificação e saiu mesmo do top 10 (11.º).