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Piloto natural de Almada já representou a KTM e a Aprilia e vai agora estrear-se na Prima Pramac
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▲Piloto natural de Almada já representou a KTM e a Aprilia e vai agora estrear-se na Prima Pramac

SOPA Images/LightRocket via Gett

▲Piloto natural de Almada já representou a KTM e a Aprilia e vai agora estrear-se na Prima Pramac

SOPA Images/LightRocket via Gett

Novas cores, nova marca, a ambição de sempre: o que esperar da terceira vida de Miguel Oliveira no MotoGP?

Depois da KTM e da Aprilia, Miguel Oliveira começa este fim de semana uma nova aventura com a Prima Pramac. Mundial de MotoGP arranca na Tailândia com a luta Márquez/Bagnaia e sem o campeão do mundo.

O carrossel já terminou, os motores já aqueceram e até as luzes já começaram a apagar. O Campeonato do Mundo de MotoGP regressa este fim de semana, com o Grande Prémio da Tailândia, e a nova temporada traz muitas mudanças de equipa, uma luta titânica pelo título dentro das mesmas cores e uma ausência inicial de peso.

Depois de dois anos na Aprilia, Miguel Oliveira mudou-se para a Prima Pramac, que deixou a Ducati e está agora associada à Yamaha, e vai fazer dupla com Jack Miller para chegar ao objetivo de melhorar os registos das últimas épocas – muito marcadas por quedas aparatosas e lesões prolongadas que obrigaram o piloto português a falhar várias corridas e a complicar uma consistência que o acompanhou nos primeiros tempos no MotoGP.

Miguel Oliveira festeja 100.ª corrida no Mundial de MotoGP este fim de semana

Na dominadora Ducati, Marc Márquez é a grande novidade, depois de ter deixado a satélite Gresini, e parte para 2025 com o plano de chegar ao sétimo título. Para isso, porém, terá de bater o colega de equipa, Pecco Bagnaia, que depois de ter deixado escapar o último Mundial para Jorge Martín quer repetir a façanha de 2023 e voltar a sagrar-se campeão mundial.

Jorge Martín que, invariavelmente, é a grande ausência no Grande Prémio da Tailândia. O campeão mundial, que durante a interrupção trocou a Pramac pela Aprilia, sofreu uma queda grave num treino em Espanha e foi operado à mão nos últimos dias – resta saber se só falha este fim de semana ou se a defesa do título será comprometida por uma recuperação mais prolongada.

Certo é que a nova temporada de MotoGP – que conta novamente com o Grande Prémio de Portugal, em novembro, na penúltima etapa – já arrancou este sábado, com a vitória de Marc Márquez na corrida sprint a prolongar uma sexta-feira em que foi muito superior à concorrência nas sessões de treino e na qualificação. Álex Márquez e Pecco Bagnaia completaram o pódio, com Miguel Oliveira a não ir além do 16.º lugar depois de ter arrancado em 17.º.

▲ Piloto português vai cumprir a sétima temporada consecutiva no MotoGP

Eric Alonso

30 anos, o 100.º GP e a ambição de sempre: Miguel Oliveira volta a começar de novo o que já começou há muito tempo

Novo ano, nova aventura. Depois de dois anos difíceis na Aprilia, Miguel Oliveira voltou a mudar de cores e vai agora representar a Prima Pramac, a equipa satélite da Yamaha que decidiu mudar de fabricante depois de vários anos associada à Ducati – numa parceria que conquistou o Mundial de Construtores em 2022 e o de pilotos em 2024, com Jorge Martín.

Aos 30 anos, o piloto português prepara-se para começar a sétima temporada consecutiva no MotoGP. E se é certo que a ambição de Miguel Oliveira é sempre um dado adquirido, já que mantém a narrativa de que um dia poderá ser campeão mundial, também é certo que os melhores resultados começam a distanciar-se no tempo: a última vitória foi em 2022, na Tailândia, e desde então não voltou sequer a subir a um pódio.

As várias quedas nos últimos anos, algo que nem sequer lhe era muito familiar, originaram lesões e tempos prolongados de paragem que atrapalharam as classificações. Em 2024, foi apenas 15.º na classificação geral do Mundial – um registo distante do nono lugar de 2020 ou até do 10.º de 2022. Ainda assim, com uma nova equipa, uma nova mota e um novo parceiro, o objetivo de Miguel Oliveira passa naturalmente por regressar aos melhores dias da carreira.

Depois de dois anos difíceis na Aprilia, Miguel Oliveira voltou a mudar de cores e vai agora representar a Prima Pramac, a equipa satélite da Yamaha que decidiu mudar de fabricante depois de vários anos associada à Ducati.

O piloto português vai fazer dupla com Jack Miller, que deixou a KTM, e não será difícil imaginar que os dois são a maior ameaça a Álex Rins, que está ao lado de Fabio Quartararo na equipa de fábrica da Yamaha e que terá de apresentar resultados para segurar o lugar em 2026. Nas primeiras semanas com a nova equipa, ao longo dos testes que têm decorrido em Sepang e Buriram, Miguel Oliveira mostrou-se “entusiasmado” com a temporada.

“Aos 30 anos, estou mais bem preparado que nunca”: entrevista a Miguel Oliveira, piloto português do MotoGP

“Juntar-me a esta equipa e começar esta aventura com a Yamaha representa uma grande oportunidade e um novo desafio que vou enfrentar com grande determinação”, explicou, recordando que arranca 2025 com a marca redonda do centésimo Grande Prémio de MotoGP da carreira. “Chegar a Buriram e celebrar o meu 100.º Grande Prémio torna este momento ainda mais especial. É um marco importante que me faz olhar para o meu percurso com orgulho, mas que, simultaneamente, me dá mais motivação para continuar a lutar no futuro. Estou pronto para dar tudo nesta nova temporada”, acrescentou.

Ainda assim, e já na antecâmara do Grande Prémio inaugural da nova temporada, Miguel Oliveira lembrou que ainda está a habituar-se à nova mota – e afastou desde logo grandes expectativas. “Estou a sofrer um bocadinho no ponto de travagem, que é onde não consigo extrair realmente o máximo da mota. Mas leva tempo. A mota tem uma técnica diferente, que não se apanha do dia para a noite, e esta é a pista mais extrema, onde passamos muito tempo nesse ponto de travagem. Diria que estamos o mais prontos possível para vir correr”, indicou, garantindo que será difícil passar diretamente à Q2 na primeira qualificação do ano.

O piloto português vai fazer dupla com Jack Miller, que deixou a KTM, e não será difícil imaginar que os dois são a maior ameaça a Álex Rins, que está ao lado de Fabio Quartararo na equipa de fábrica da Yamaha e que terá de apresentar resultados para segurar o lugar em 2026.

“Posso dizer-vos o que não esperar da primeira corrida: seria muito irrealista, de momento, pensar em ir diretamente para a Q2 na sexta-feira e esse tipo de coisas. Ainda tenho de recuperar um pouco a diferença entre o grupo das Yamaha nesta pista, algo que acredito que consigo fazer, e depois estar no top 10 não será fácil. Para esta corrida, o novo objetivo realista é estar dentro dos pontos e depois retirar uma experiência base do fim de semana. Compararmo-nos com as outras motas, ver ou confirmar o que já sabemos em algumas áreas e otimizar outras”, detalhou o piloto, num cenário que acabou por se confirmar com o 17.º lugar na qualificação e o 16.º na corrida sprint deste sábado.

Na sétima época de MotoGP, depois de cinco vitórias, sete pódios e uma pole position, Miguel Oliveira entra para 2025 com o objetivo natural de voltar aos três primeiros lugares de uma corrida e de, com as condições certas de sorte, mérito e competência, poder mesmo regressar aos triunfos. Para isso, ainda terá de se habituar a uma nova equipa que também está, ela própria, a habituar-se a um novo fabricante.

Dois campeões do mundo na melhor equipa do mundo

É a grande história de 2025. A dúvida sobre a sucessão na Ducati alimentou a primeira metade da última temporada, com a certeza de que Enea Bastianini iria ser substituído por um nome forte para competir com Pecco Bagnaia. As opções, naturalmente, eram duas: Marc Márquez, seis vezes campeão do mundo que estava na Gresini, e Jorge Martín, que acabou por ser o campeão do mundo e que estava na Prima Pramac.

▲ Ducati juntou dois dos principais candidatos à conquista do Mundial de MotoGP

Getty Images

No início, parecia certo que a escolha iria recair em Jorge Martín. Para além de estar bem lançado para ser campeão mundial, o piloto espanhol competia na então equipa-satélite da Ducati e estava perfeitamente identificado com a mota, a equipa, os mecânicos, a marca e todos os valores associados a uma organização deste calibre. Afinal, tudo fazia sentido: era juntar a equipa principal do fabricante que tem dominado o MotoGP ao piloto que se preparava para dominar o MotoGP.

Depois do Grande Prémio de Itália, porém, tudo mudou. Em junho, surgiram as primeiras notícias de que a Ducati tinha mudado de ideias e tinha optado por contratar Marc Márquez. Magoado com a decisão da casa que representou desde que chegou ao MotoGP, em 2021, Jorge Martín aceitou o interesse da Aprilia e anunciou que iria substituir Aleix Espargaró, que terminou a carreira. Dois dias depois do anúncio do piloto espanhol, a Ducati confirmou que Marc Márquez seria o novo parceiro de Pecco Bagnaia.

Em resumo, em 2025, a Ducati conta com dois campeões do mundo que querem muito voltar a ser campeões do mundo. Pecco Bagnaia deixou fugir o título de 2024 para Jorge Martín, enquanto que Marc Márquez regressou aos seus melhores dias depois de um autêntico calvário na Honda e terminou a temporada com três vitórias. Agora, serão companheiros de equipa na marca que tem as motas mais rápidas da grelha – resta saber quem será o mais rápido em pista e até que ponto o excesso de competitividade não pode acabar por prejudicar as ambições coletivas.

Jorge Martin of Spain and Prima Pramac Racing celebrates after winning the Moto GP Motorcycling Grand Prix of Portugal, in Portimao, Portugal, 24 March 2024. JOSE SENA GOULAO/LUSA

▲ Jorge Martín foi campeão mundial em 2024, mas vai falhar o arranque da nova temporada devido a lesão

JOSE SENA GOULAO/LUSA

Jorge Martín e duas fraturas que podem complicar o sonho do bicampeonato

E se, por um azar, o atual campeão do mundo de uma modalidade não pudesse começar a defesa do título? É precisamente o que vai acontecer no MotoGP. Depois de ter sido mais forte e consistente do que Pecco Bagnaia para se tornar campeão mundial em 2024, Jorge Martín vai pelo menos falhar o inaugural Grande Prémio da Tailândia – e pelo menos porque muitos acreditam que o piloto espanhol só poderá voltar às pistas daqui a várias semanas.

Uma hora de contenção para uma vida de alegria: Jorge Martín é campeão mundial de MotoGP pela primeira vez

O agora piloto da Aprilia começou por cair no primeiro teste de Sepang, passando depois por duas semanas de repouso e várias sessões numa câmara hiperbárica para ajudar à recuperação óssea na zona do pulso, mas tudo piorou com outra queda num treino de supermoto no kartódromo de Lérida. O espanhol de 27 anos sofreu uma fratura do rádio e outra do pulso e foi operado na última semana para colocar três parafusos, com a equipa a limitar-se a indicar que não está naturalmente disponível para o Grande Prémio da Tailândia.

A imprensa especializada, porém, garante que o período de recuperação de Jorge Martín pode mesmo ir das oito às dez semanas – algo que o deixaria de fora de competição até à quinta corrida do ano, o Grande Prémio de Espanha, e que pode obviamente colocar em causa a ambição de voltar a lutar pelo título.

O espanhol será o primeiro campeão do mundo de MotoGP a não iniciar a defesa do troféu desde Kenny Roberts, que em 1979 falhou o inaugural Grande Prémio da Venezuela na sequência de um acidente grave num teste no Japão, sendo que o norte-americano acabou mesmo por conseguir ficar no primeiro lugar da classificação geral no fim da temporada.

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