Katrin Ivanova, Vanya Gaberova e Tihomir Ivanchev, três cidadãos búlgaros, foram considerados culpados de espionagem a favor da Rússia a partir do Reino Unido. O júri chegou ao veredicto após mais de 32 horas de deliberação, num julgamento que começou em novembro e que decorreu no tribunal britânico de Old Bailey, segundo o The Guardian.
O trio, que morava em Londres aquando da detenção, foi considerado culpado de envolvimento numa conspiração para espiar, crime que tem uma pena máxima de 14 anos de prisão. Katrin Ivanova foi também condenada por posse de documentos falsos, nomeadamente passaportes.
De acordo com a BBC, Katrin Ivanova, uma técnica de laboratório, Vanya Gaberova, esteticista, e Tihomir Ivanchev, pintor e decorador, integravam um grupo de cidadãos búlgaros que levou a cabo ações de espionagem entre 2020 e 2023. A rede vigiava pessoas e locais visados pela Rússia um pouco por toda a Europa, incluindo jornalistas de investigação ou uma base militar norte-americana na Alemanha.
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O trio trabalhava diretamente para o búlgaro Orlin Roussev, que liderava a rede de espionagem a partir de Great Yarmouth, Norfolk, onde a polícia encontrou uma série de equipamentos usados em operações de espionagem. “As buscas policiais à casa de Roussev revelaram uma fábrica de espionagem”, sublinhou Frank Ferguson, membro da equipa de combate ao terrorismo.
Roussev, por seu turno, recebia instruções do austríaco Jan Marsalek, um empresário que é procurado pelas autoridades alemãs. Segundo os procuradores, era um “intermediário” dos serviços de informação russos.
A rede tinha como alvos jornalistas como o búlgaro Christo Grozev e o russo Roman Dobrokhotov. Os dois contribuíram para expor o papel da Rússia em ataques com agentes químicos contra os opositores do Kremlin Sergei Skripal (2018) e Alexei Navalny (2020). Durante a operação, Vanya por exemplo, foi instruída a aproximar-se de Grozev.
Dos três suspeitos apenas Tihomir Ivanchev esteve presente em tribunal. Katrin Ivanova e Vanya Gaberova assistiram ao julgamento remotamente, a partir da prisão de HMP Bronzefield. As duas admitiram participar em operações de vigilância, mas garantiram que não sabiam que eram em proveito da Rússia. A mesma posição tinha sido destacada por Ivanchev durante o interrogatório policial.