Subiu para mais de mil o número de mortos resultantes de dois dias de assassinatos e confrontos entre as forças de segurança sírias (do atual governo) e os apoiantes do presidente deposto Bashar Al-Assad. A contabilização é feita pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos, citado pela Associated Press.
A grande maioria dos mortos (745) é civil, que perderam a vida na sequência de tiroteios. Há ainda registo de 125 mortos entre membros da força de segurança do governo e de 148 mortos entre os militantes de grupos armados associados a Al-Assad.
Os confrontos eclodiram nas zonas costeiras da Síria e nas montanhas de Latakia, áreas onde a comunidade alauíta (do presidente deposto) é predominante. A grande maioria dos civis mortos pertence a esta comunidade.
Os assassinatos começaram na sexta-feira, quando homens armados muçulmanos sunitas leais ao governo embuscaram membros da comunidade alauíta (minoritária no país). Muitas casas de alauítas foram saqueadas e depois incendiadas. Moradores de Baniyas, uma das cidades mais atingidas pela violência, disseram que havia corpos espalhados nas ruas.
Ali Sheha, um morador de 57 anos, que fugiu com sua família, disse à AP que pelo menos 20 dos vizinhos foram mortos, alguns deles dentro de lojas ou nas suas casas. Sheha considera os ataques “assassinatos de vingança” contra a minoria alauíta, pelos crimes cometidos pelo governo de Assad.
Síria. Lançada nova campanha para capturar elementos do antigo regime
“Este foi um dos maiores massacres desde o início do conflito sírio”, disse o líder do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, Rami Abdurrahman sobre os assassinatos, de civis alauítas.
A eletricidade e a água potável foram mesmo cortadas em largas áreas em redor da cidade de Latakia. Os confrontos, que eclodiram na quinta-feira, marcam uma grande escalada na violência no país, três meses depois de os insurgentes terem assumido o poder, colocando fim à longa presidência de Bashar Al-Assad.
Entretanto, o líder da Síria, Ahmed al-Sharaa, que liderou a coligação de forças que tomou o poder, já veio apelar à calma e à unidade nacional. “Devemos preservar a unidade nacional (e) a paz civil tanto quanto possível e, se Deus quiser, seremos capazes de viver juntos neste país”, disse Sharaa, num discurso proferido numa mesquita em Damasco.
Mais de 300 mil refugiados regressaram à Síria desde dezembro
Um responsável do Ministério da Defesa disse entretanto que as forças do governo recuperaram o controlo de grande parte das áreas costeiras, leais a Assad, acrescentando que as autoridades fecharam todas as estradas que levam à região “para evitar violações e restaurar gradualmente a estabilidade”.