No PS são já vários os candidatos a câmaras municipais que decidiram não avançar em dois carris. Esta quarta-feira, a líder parlamentar Alexandra Leitão anunciou na SIC-Notícias que só tenciona ser candidata a Lisboa, deixando o Parlamento. E no dia anterior, numa reunião da bancada socialista, a candidata a Coimbra, Ana Abrunhosa, fez o mesmo. Pedro Nuno Santos deve fixar uma regra sobre estes casos, mas a expectativa é que movimento possa pegar naturalmente.

“A minha prioridade absoluta é Lisboa e isso significa que, com grande probabilidade, não vou na lista de deputados. A minha opção é Lisboa”. Alexandra Leitão disse que só mudará de opinião “por alguma razão que o partido peça”. Nas últimas eleições, a socialista tem sido cabeça de lista por Santarém.

Já Abrunhosa disse ao Observador que “as pessoas dificilmente entenderiam o raciocínio” se alguém que se candidatasse a deputado fosse, quase ao mesmo tempo, candidato a uma Câmara. “É muito pouco tempo de antecedência”, argumentou, defendendo que se dê “um sinal de compromisso”: “O meu compromisso é com Coimbra.”

Na reunião da bancada socialista, a ex-ministra da Coesão retirou-se, assim, da corrida das legislativas (há um ano foi cabeça de lista por Coimbra) e , tal como Leitão fez esta quarta-feira, só admite recuar caso o líder do PS “decida outra coisa” sobre este assunto.

Por agora, Pedro Nuno Santos ainda não fixou uma regra para travar candidaturas simultâneas — a um lugar na Assembleia da República e ao lugar de presidente de câmara –, mas deverá fazê-lo, segundo apurou o Observador. Entretanto, alguns socialistas vão já resolvendo este problema ao líder.

Em 2009, Pedro Nuno foi prejudicado por uma regra do género, quando o então secretário-geral do PS José Sócrates definiu que às legislativas de 2009 não se candidatariam nomes que estivessem na corrida autárquica desse mesmo ano.

Pedro Nuno tinha sido desafiado a ser o candidato do partido a São João da Madeira. Aceitou, mas acabou por ficar fora da lista das legislativas que se realizaram 15 dias antes. Perdeu na sua terra natal e ficou sem o lugar que ocupava desde 2005 na Assembleia da República. Acabou por ser uma ausência de curta duração, tendo em conta que essa legislatura foi interrompida em 2011, na sequência do chumbo do PEC4, com o país à beira da ajuda externa. O socialista voltou ao Parlamento depois das legislativas de 2011.

Ainda assim, nas eleições de 2009 o PS não aplicou a mesma regra a outros casos e Sócrates escolheu a eurodeputada Elisa Ferreira para enfrentar Rui Rio, no Porto. O então autarca social-democrata usou a condição da adversária e instalou na cidade cartazes com a sua imagem e a frase “Com os dois pés no Porto”. A socialista passou parte da campanha a dizer que renunciaria ao cargo no Parlamento Europeu, caso fosse eleita, mas sem esclarecer o que faria caso ficasse apenas na vereação da autarquia. Perdeu as eleições e acabou por ficar no Parlamento Europeu até 2016.

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Na semana passada, o Diário de Notícias avançou com a notícia de três candidatos, no distrito do Porto, que também se afastaram das listas das legislativas: Manuel Pizarro (Porto), João Paulo Correia (Vila Nova de Gaia) e Ricardo Costa (Guimarães).

Mas na bancada socialista há mais candidatos autárquicos e ainda não se sabe se vão esperar por uma regra fixada pela direção ou se avançarão no mesmo sentido dos outros deputados que já se posicionaram. É o caso de Nélson Brito, candidato a Aljustrel, Fernando José, candidato a Setúbal, a ex.ministra Ana Mendes Godinho, candidata a Sintra, Ana Sofia Antunes, candidata em Oeiras, Clarisse Campos, que concorre em Alcácer do Sal, João Azevedo, candidato em Viseu, Isabel Ferreira, candidata em Bragança, e Marcos Perestrello, o socialista apontado à Câmara de Oeiras.

O tema não é pacífico entre socialistas onde se ouve que o debate tem “causado algum incómodo” e há até quem defenda que o assunto deve ser posto à consideração das estruturas intermédias, as federações distritais. Se não houvesse legislativas antecipadas, os candidatos que não conseguissem conquistar câmaras teriam sempre o seu lugar de recuo no Parlamento.

A alteração do calendário político, depois da demissão do Governo, colocou legislativas a meio caminho, deixando os candidatos autárquicos que são atualmente deputados (e poderiam continuar a ser) com um dilema. Manter candidaturas em simultâneo daria um trunfo aos adversários locais e a memória dos cartazes de Rui Rio está bem viva no PS.