O presidente executivo (CEO) da Impresa, Francisco Pedro Balsemão, admitiu à Lusa a venda do edifício do grupo em Paço de Arcos, fazendo um encaixe financeiro para reduzir o endivididamento bancário e um arrendamento subsequente. Assegurou também que os principais ativos do grupo dono da SIC e do Expresso “não estão à venda”.
Para além do plano de redução de custos, que prevê um corte de 16 milhões de euros até 2028, “estamos a avaliar a possibilidade de vender o nosso edifício e fazer um encaixe financeiro”, disse o gestor no dia em que a Impresa apresentou prejuízos consolidados de 66,2 milhões de euros relativos a 2024.
O agravamento de perdas que comparam com um prejuízo de dois milhões de euros em 2023 resulta do reconhecimento de imparidades e provisões relacionadas com as operações de televisão — a SIC — e a Infoportugal. Mas será sobretudo o ajustamento do valor da SIC a justificar esta situação que a Impresa destaca ser não recorrente e independente da atividade operacional e da tesouraria.
A Impresa justifica esta imparidade com a “tendência perspetivada dos principais mercados onde estas — SIC e Infoportugal — se enquadram” e que levou à revisão “dos pressupostos-chave utilizados nos testes de imparidade destes negócios”. Segundo Francisco Pedro Balsemão, a avaliação reduziu em 58 milhões de euros o valor atribuído aos ativos da SIC em função da previsão de receitas e resultados futuros.
Foi também decidido constituir uma provisão de 5,1 milhões de euros para fazer face a processos judiciais em curso contra a estação, por causa da ação colocada pela GDA — contra a SIC e TVI — relativa ao pagamento dos direitos de autor dos artistas. O resultado líquido ajustado sem este efeito foi de 5,5 milhões de euros negativos.
“Novo ciclo” vai cortar custos e levar a saídas negociadas de trabalhadores
Francisco Pedro Balsemão defendeu ainda que é necessário neste momento “virar a página e começar um novo ciclo após um triénio negativo. O que passa pela redução de custos até 2028 em quatro componentes: maior eficiência na produção, opções tecnológicas com maior automatismo e renegociação com fornecedores, corte nas despesas gerais incluindo com automóveis e deslocações. A quarta componente passa por uma reorganização e simplificação da estrutura com a saída negociada de pessoas que queiram sair e estejam em idade de pré-reforma. O CEO da Impresa garante: “Não temos aqui nenhum objetivo em termos de ‘headcount’, número de pessoas que vão sair”.
Sobre a venda do edifício em Paço de Arcos onde estão reunidos todos os órgãos do grupo, o CEO diz que o plano é manter as atividades lá. “Fazemos um contrato de venda e depois arrendamento subsequente”. Considerou ainda que é importante dizer que temos que ter um encaixe financeiro para continuarmos aquilo que temos feito até agora, que é reduzir o endividamento bancário”, prosseguiu o CEO da SIC e do Expresso, entre outros.
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“Não obstante os esforços de controlo e redução do endividamento desde 2008, este indicador registou um acréscimo de 13,3% relativamente ao final de 2023”, refere a Impresa, em comunicado. A empresa aponta para um agravamento dos resultados financeiros por causa da subida das taxas de juro e dos custos da emissão de obrigações da SIC.
A estação televisiva, que tem sido a usada para emitir dívida através de obrigações em vez da Impresa, anunciou também esta quinta-feira, uma queda de 42,2% dos lucros em 2024 para 4,8 milhões de euros. As receitas cresceram 0,9% para 157,5 milhões de euros.
As receitas consolidadas da Impresa registaram um acréscimo de 0,2%, para 182,3 milhões de euros no ano passado e os custos operacionais, sem considerar amortizações, depreciações, provisões e perdas por imparidade em ativos não correntes, diminuíram pelo segundo ano consecutivo para 163,8 milhões de euros, menos 1,6% face ao valor registado em 2023.
O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) somou 18,4 milhões de euros (+19,5% homólogos) e o EBITDA recorrente, ajustado dos custos de reestruturação e de indemnizações pagas e recebidas, foi de 15,6 milhões de euros (-16,9% homólogos).