A cidade brasileira de Belém vai receber, no próximo mês de novembro, a cimeira climática COP30. Para aliviar o tráfego no estado do Pará, o país vai construir uma auto-estrada de quatro faixas, que se vai chamar Avenida da Liberdade.
Belém é uma das grandes cidades da Amazónia. Com cerca de 1,3 milhões de habitantes e uma economia fortemente dedicada ao setor agrícola, a capital do estado de Pará é conhecida pelos grandes níveis de desflorestação. As infraestruturas da cidade são tão precárias que 80% dos habitantes não tem acesso a saneamento básico. Segundo o El País, o presidente brasileiro, Lula da Silva, quis levar a cimeira para Belém com o objetivo de os visitantes, líderes e organizações conhecerem a realidade e os desafios que a região enfrenta.
Esperam-se, assim, mais de 50 mil pessoas em Belém para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O governo investiu cerca de 73 milhões de euros para dobrar a capacidade do aeroporto de Belém. Estão também a ser construídos hotéis e um parque na cidade, que incluirá restaurantes, espaços verdes e um complexo desportivo. Também o porto da cidade está a ser requalificado para receber cruzeiros, de modo a acomodar o excesso de visitantes. A auto-estrada de 13 quilómetros também vai surgir na região.
De acordo com a BBC, a ideia de uma auto-estrada nasceu em 2012, no seio do governo estadual do Pará, mas a construção foi consecutivamente adiada (devido às preocupações ambientais). Agora, os projetos da infraestrutura foram aprovados para preparar a cidade para o evento. O projeto deverá estar pronto no mês de outubro.
O ministro das Infraestruturas brasileiro, Adler Silveira, afirmou que a auto-estrada faz parte das 30 obras que estão a ser feitas na cidade para “prepará-la e modernizá-la”. Trata-se de uma “autoestrada sustentável e de uma importante intervenção de mobilidade”, garante o ministro.
A ideia de uma estrada que atravessa a área protegida da região está a causar incómodo aos habitantes e aos ambientalistas. Depois de ser noticiado em vários meios de comunicação que a auto-estrada ia ser construída, Lula da Silva emitiu um comunicado no qual garante que esta obra não é da responsabilidade do governo federal. Não é avançada mais nenhuma informação.
[Terapia de Casal é o podcast que pode acabar com o casamento do Guilherme Fonseca e da Rita da Nova. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]
A preocupação dos ambientalistas e habitantes
Silvia Sardinha, investigadora e veterinária, lidera uma equipa dedicada à reabilitação de animais selvagens feridos. Está preocupada, uma vez que a tarefa de recuperar e libertar os animais para a natureza torna-se mais difícil com a construção de uma auto-estrada no meio da floresta.
Em declarações à BBC, Silvia afirma que ,”a partir do momento em que há desflorestação, há uma perda”. “Vamos perder uma área para libertar estes animais de volta ao seu ambiente natural. Os animais terrestres também já não conseguirão atravessar para o outro lado, o que reduz as áreas onde podem viver e reproduzir-se”.
A comunidade local também vai ser afetada. As barreiras que cercam a auto-estrada vão impedir que os habitantes tenham acesso a ela. Claudio Verequete vive a cerca de 200 metros da construção e sublinha, à BBC, que “haverá benefícios para os camiões que passam aqui, mas se alguém ficar doente e precisar de ir ao centro de Belém, não poderá utilizá-la”.
No entanto, há membros da comunidade local que consideram que este desenvolvimento vai trazer oportunidades para a região. “A cidade, como um todo, está a ser melhorada, está a ser reparada e muitas pessoas estão a vir de fora. Isso significa que posso vender mais e ganhar mais”, refere Dalci Cardoso da Silva à BBC, que tem uma banca de sapatos num mercado ao ar livre.