O Presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, escapou esta terça-feira ileso de um ataque do grupo terrorista somali Al-Shabaab, que detonou uma bomba quando o seu comboio passava pela capital do país, Mogadíscio, informaram fontes oficiais.
Mohamud “está a caminho da linha da frente onde irá liderar e apoiar o heróico Exército Nacional da Somália (…) lado a lado na luta contra o terrorismo”, confirmou o secretário principal do Presidente, Zakariye Hussein, na sua conta da rede social X.
President @HassanSMohamud is good and well on his way to the front lines, where he will spearhead and stand shoulder to shoulder with the heroic Somali national army & community defense forces ‘Ma’wisley’ in the fight against terrorism. The battle to liberate our nation… pic.twitter.com/FCXuGdmFld
— Zakariye Hussein (@ZakariyeYousuf) March 18, 2025
“A batalha pela libertação da nossa nação continua com uma determinação inabalável, sem se deixar intimidar pelo medo e pelas falsidades. A Somália prevalecerá”, acrescentou Hussein.
O secretário-geral divulgou vários vídeos do Presidente a visitar zonas do sul da Somália para “intensificar a luta contra os terroristas” e encorajar as tropas que combatem os extremistas.
O conselheiro para a segurança nacional da Somália, Hussein Sheikh Ali, referiu também no X que “o Presidente da República está em segurança e em digressão”.
Madaxwaynaha Jamhuuriyadda waa badqabaa, wuxuuna ku guda-jiraa safaro uu ugu kuurgalaayo hawlgalada barakaysan oo ay gobalada dalka ka wadaan CXD, iyagoo taageero buuxda ka helaaya shacabka deegaanadaas.
Naflacaarinimo iyo been la buunbuuniyo qarankan laguma cabsi-gelin karo.
— Hussein Sheikh-Ali (@XuseenMacallin) March 18, 2025
A bomba causou uma grande explosão no cruzamento de Ceel-Gaabta, no distrito de Waaberi, na capital, quando o comboio presidencial passava pela zona.
A explosão destruiu um edifício vizinho e nos seus escombros os serviços de emergência descobriram o corpo do jornalista Mohamed Abukar Dabashe, que morreu devido ao impacto da explosão, noticiaram os órgãos de comunicação social locais.
Em comunicado, o Al-Shebab reivindicou a autoria do atentado, afirmando que os seus terroristas “levaram a cabo uma operação especial em Mogadíscio”, na qual atacaram “um comboio de veículos” que transportava Mohamud quando este “deixava o palácio presidencial e se dirigia para o aeroporto” da capital somali.
Pelo menos 17 jornalistas de meios de comunicação social locais e internacionais foram detidos no local do ataque, informou o Sindicato dos Jornalistas da Somália (SJS).
Os jornalistas foram levados para uma esquadra da polícia, onde “as suas câmaras foram confiscadas e todas as filmagens apagadas antes de serem publicadas“, declarou o SJS na rede X, “condenando veementemente este ato” e instando a polícia a “cessar imediatamente a repressão contra os meios de comunicação social em Mogadíscio”.
#ALERT???? At least 17 journalists from local and international media were arrested at the site of a bomb attack on the Somali president’s convoy on Tuesday in #Mogadishu. The journalists were filming outside the Presidential Palace where a huge bomb explosion reportedly hit the… pic.twitter.com/9w1oBcgdCQ
— Somali Journalists Syndicate – SJS (@sjs_Somalia) March 18, 2025
A Somália intensificou as operações militares contra o Al-Shabaab desde que Mohamud anunciou, em agosto de 2022, uma “guerra total” contra os terroristas.
Desde então, o exército, apoiado por sucessivas missões da União Africana (UA), tem levado a cabo ofensivas contra o grupo, por vezes com a colaboração militar dos Estados Unidos e da Turquia em bombardeamentos aéreos.
O Al-Shabaab, grupo afiliado desde 2012 à rede terrorista Al-Qaeda, ataca frequentemente em Mogadíscio e noutras zonas do país com o objetivo de derrubar o Governo central — apoiado pela comunidade internacional — e instaurar um Estado islâmico de tipo wahhabi (ultraconservador).
O Al-Shabaab controla as zonas rurais do centro e do sul da Somália e também ataca países vizinhos como o Quénia e a Etiópia.
A Somália vive num estado de conflito e caos desde 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi derrubado, deixando o país sem um Governo efetivo e nas mãos de milícias islâmicas e senhores da guerra.