Os caudais do rio Tejo, e do rio Zêzere por influência do primeiro, aumentaram consideravelmente devido à chuva da tempestade Martinho. As imagens partilhadas nas redes sociais mostram o galgar das margens dos rios, que inundam agora campos agrícolas, estradas, praias fluviais e outras zonas de recreio junto aos cursos de água.
A Proteção Civil alertou este domingo para o elevado risco de o rio Tejo subir as margens e para possíveis inundações.
Árvores caídas, infraestruturas e carros danificados. As imagens dos efeitos da tempestade Martinho
A baixa de Constância, na confluência dos rios Tejo e Zêzere, tem esta segunda-feira vários equipamentos submersos devido à subida dos caudais, situação que o autarca local disse ser “tranquila” e “normal”, rejeitando um cenário de perigosidade.
“Tivemos dias de muita chuva, as barragens atingiram a capacidade máxima e começaram a libertar água, pelo que, em Constância, os efeitos fazem-se sentir mas, na verdade, os rios estão dentro daquilo que é o leito natural dos mesmos”, disse à Lusa o presidente da Câmara de Constância (Santarém), lembrando que os atuais caudais estão muito longe dos que originaram as cheias em 2013 ou 1979.
“Constância sofre sempre mais esse impacto porque quando a barragem do Castelo de Bode é obrigada a debitar, e se o rio Tejo levar um caudal grande, toda aquela água que vem do Castelo de Bode recua e forma ali uma baía, inundando a zona baixa, os espaços verdes e a zona ribeirinha da vila”, declarou.
Segundo a Proteção Civil, “a precipitação que se tem sentido em Portugal e as descargas das barragens espanholas gerou um aumento considerável dos níveis hidrométricos e caudais do rio Tejo e seus afluentes”, sendo expectável a manutenção dos caudais “com valores acima dos 2.500 metros cúbicos/segundo, o que constitui um fator de risco significativo no galgamento das margens do rio Tejo”.
A nota divulgada refere ainda que se prevê o aumento das afluências de Espanha, o que “potencialmente contribuirá para um aumento dos níveis hidrométricos do rio Tejo”.
Proteção Civil alerta para elevado risco de galgamento das margens do rio Tejo
A Proteção Civil apelou à população para retirar equipamentos agrícolas, industriais e viaturas nas zonas inundáveis, salvaguardar os animais em locais seguros, retirando os rebanhos que se encontram nas zonas inundáveis, e não atravessar com viaturas ou a pé estradas ou zonas alagadas.
O Plano Especial de Emergência ativado no dia 10 de março na sequência do mau tempo registado em Portugal continental prevê um conjunto de ações de modo a auxiliar as populações em caso de ocorrência de cheias no leito do rio Tejo e a publicação de comunicados sobre a evolução da situação.
A subida das águas do rio Tejo já provocou o colapso de dois troços de uma ponte romana em Talavera de la Reina, no centro de Espanha, informou este domingo o autarca de Toledo, José Julián Gregorio. O chefe do governo, Pedro Sánchez, já garantiu às autoridades locais que “podem contar com o Governo para ajudar na reconstrução”.
Mais de 30 estradas parcial ou totalmente obstruídas devido à chuva em Santarém
Esta segunda-feira, 38 estradas do distrito de Santarém estão parcial ou totalmente obstruídas devido à chuva, informou a Comissão Distrital de Proteção Civil, que tem ativo o Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo.
Entre as vias afetadas estão a Estrada do Campo de Alqueidão, em Azambuja, e a Estrada do Campo, em Benavente, segundo a lista da Proteção Civil consultada pela Lusa. Em Salvaterra de Magos, há obstruções na Rua Pinhal da Casa, na Rua dos Veríssimos, na Rua da Felgueira, na Estrada do Paul Marinhais, na Rua da Fábrica do Óleo e no cruzamento da Estrada Municipal (EM) 581.
Em Coruche, continuam submersas as seguintes vias: desvio junto à Ponte da Escusa, Estrada de Meias, Amieira e Rebolo, Estrada Nacional (EN) 119 (próxima da Estrada da Amieira), Rua do Paul e Passagem Entre-Águas.
Também permanecem obstruídos o Caminho Municipal Quinta da Broa — Golegã, o trajeto Golegã — Azinhaga e a EN365, entre Pombalinho e Vale Figueira, no concelho da Golegã.
No Cartaxo, as intervenções estão concentradas no Túnel do Setil e no Porto de Muge, ao passo que Santarém, um dos municípios mais afetados pelas chuvas, enfrenta problemas na ribeira, junto à Fonte de Palhais, na Estrada de Almajões, na Ponte do Celeiro (onde a água atinge cinco centímetros de altura sobre a via), na Ponte d’ Asseca e no Caminho Municipal Ribeira de Santarém – Vale de Figueira.
Há também lençóis de água nos dois sentidos da EM Santarém – Ómnias, junto ao Aeródromo Municipal de Santarém, além de alagamentos na EN365 em Ponte do Alviela, entre Pombalinho e Vale Figueira. No município de Almeirim, está obstruída a Estrada Rural A2, entre a EN114 e Benfica do Ribatejo, devido a um extenso lençol de água causado pela falta de drenagem das chuvas.