É o segundo túmulo de um faraó descoberto num mês. Primeiro, em fevereiro, foi o de Tutmosis II. Agora, uma equipa de arqueólogos egipto-norte-americana descobriu uma outra sepultura de um faraó desconhecido com cerca de 3.600 anos.
O Ministério do Turismo e das Antiguidades do Egito anunciou a meio deste mês, na sua página no Facebook, a descoberta feita na necrópole do Monte sagrado Anubis, em Abidos na província de Sohag, no sul do Egito, um dos centros religiosos mais importantes do Antigo Egipto. Segundo a nota governamental, o túmulo corresponde ao Segundo Período Intermediário (1650A.C-1550 A.C) da dinastia de Abidos, a mais misteriosa do Antigo Egipto, segundo várias publicações de história ou de arte, como a Artnet.
O túmulo foi encontrado a aproximadamente sete metros abaixo do nível do solo. Consiste numa câmara funerária de calcário coberta por tijolos de barro com restos de inscrições em ambos os lados da entrada, com referências às famosas deusas Ísis e Néftis, adianta o egiptólogo da Universidade da Pensilvânia, Joseph Wagner, no comunicado partilhado na rede social.
Tendo em conta o estilo das decorações, Wagner ressalta que o túmulo poderá pertencer a um antecessor do faraó Senebkay, cujo túmulo esta mesma equipa descobriu há mais de 10 anos, em 2014. No entanto, os artefactos que incluem a múmia e o sarcófago foram removidos e roubados, o que dificulta a investigação. A missão arqueológica irá conduzir mais estudos para determinar com precisão a data da sepultura.
“O túmulo real em Abidos fornece novas provas científicas sobre o desenvolvimento dos túmulos reais na necrópole do Monte Anubis”, afirmou Mohamed Ismail Khaled, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, num comunicado citado pelo jornal egípcio Al-Masry Al-Youm. “Esta descoberta também acrescenta novas informações sobre os reis desta dinastia e uma compreensão mais profunda da complexa história política do Segundo Período Intermediário no Egito”, sublinha. O Alto Egito foi governado por um grupo de faraós que sucumbiram à invasão dos hyksos, pelo que pouco se sabe até agora sobre a dinastia de Abidos.
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Juntamente com o túmulo real foram ainda encontrados uma oficina de cerâmica que foi mais tarde um cemitério, especifica o governo egípcio. A oficina, ao que tudo indica, uma das maiores de cerâmica e vidro, data da época em que o Império Romano controlava o Egito (30 a.C. a 642 d.C.), concretizou o ministério no comunicado e contém um grande número de fornos e extensas áreas de armazenamento.
Dentro da oficina, os arqueólogos encontraram 32 óstracas — escrita em cacos de cerâmica — sobre transações comerciais e pagamento de impostos escritas em grego e em demótico, uma escrita egípcia. Mais tarde a oficina foi reutilizada como cemitério e nela foram encontrados os restos mortais de famílias.
“Estudos iniciais e as evidências conduzidas no local da oficina de cerâmica na vila de Banawit, indicam que o sítio foi usado na era bizantina, tendo sido reutilizado como cemitério no século VII d.C.“, esclareceu o chefe do Setor Arqueológico Egípcio do Conselho Supremo, Mohamed Abdel na nota no Facebook.
Entre alguns esqueletos e múmias encontrados, Abdel destaca a múmia de uma criança que dormia coberta de tecidos coloridos e a caveira de uma mulher com cerca de 30 anos. A revelação da oficina de cerâmica em Banawit, corresponde,
A descoberta da sepultura do faraó ainda não identificado na região de Sohag deixa para já um marco em 2025. Se durante mais de 100 anos não se encontrou nenhum túmulo do género desde o do famoso Tutankhamon em 1922, este ano, já se encontraram duas em fevereiro e em março.
Descoberta “notável”. Arqueólogos encontram primeiro túmulo de faraó egípcio em 100 anos