“Pessoal que não devia ter sido despedido, foi despedido. Estamos a reintegrá-los”. A frase pertence ao secretário da Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr, que criticou as decisões tomadas pelo Departamento para a Eficiência Governamental, liderado por Elon Musk, para o setor que lidera: pelo menos 20% dos despedimentos feitos pelo DOGE terão sido um erro e devem ser revertidos.

Ao todo, estavam previstos 10 mil despedimentos no Departamento para a Saúde e os Serviços Humanos (HHS), quase um quarto dos 82 mil funcionários que trabalhavam neste ramo da administração dos EUA. Segundo RFK Jr, citado pela ABC News esta quinta-feira, muitos dos cortes foram feitos por engano, pois as rescisões estavam destinadas a empregos administrativos, como cargos de comunicação ou de recursos humanos.

Mas o secretário da Saúde foi ainda mais longe e disse que os cortes erráticos não se limitaram à redução de pessoal. “Houve uma série de casos em que estudos, que não deveriam ter sido eliminados, foram cortados. E nós reintroduzimo-los”, assegurou, enquanto respondia aos jornalistas sobre a eliminação de um programa do Centro de Controlo de Doenças (CDC, na sigla inglesa) de monitorização de exposição de crianças ao chumbo, cujos funcionários tinham sido despedidos esta terça-feira.

Segundo Kennedy, a divisão que gere o programa estava entre as que estavam agora a ser restabelecidas. “Uma das coisas que o Presidente Trump nos disse foi que, se cometermos erros, vamos admiti-los e vamos corrigi-los, e este foi um dos erros”, afirmou.

Reagindo à notícia, o chefe demitido desta divisão, Erik Svendsen revelou à ABC News que não sabia de nenhum restabelecimento do programa, nem que poderia ter o seu emprego de volta.  A razão para o desconhecimento, como explicou o departamento de Saúde mais tarde à televisão norte-americana, é simples: afinal o programa da CDC não vai mesmo regressar tal como era dantes.

“O pessoal dessa divisão, da forma como existe agora, não vai ser reintegrado. O trabalho continuará noutros locais do HHS. Estamos a consolidar programas duplicados num único local”, afirmou um funcionário do departamento, citado pela ABC News.

Cortes põem mais de 60 mil alunos em risco

Estes cortes nesta divisão do CDC já tiveram efeitos reais no terreno. Como conta a CNN, 68.800 alunos de várias escolas na cidade de Milwaukee estão em risco devido à exposição ao chumbo, problema descoberto depois de análises feitas a uma criança terem acusado níveis elevados deste metal pesado e potencialmente tóxico.

Na investigação levada a cabo pelas autoridades locais, foi descoberta a presença de tinta de chumbo em muitos dos estabelecimentos de ensino da cidade, o que levou os responsáveis a pedirem ajuda ao governo federal dada a magnitude do problema. Uma visita da divisão da CDC estava prevista para as próximas semanas, mas foi cancelada devido aos despedimentos.

“Posso dizer-vos que isto tem implicações no mundo real, aqui em Milwaukee, à medida que respondemos a uma crise continuada de chumbo nas nossas escolas, e é difícil de compreender”, afirmou o comissário de saúde da cidade, Mike Totoraitis, à ABC News.