Era apenas um jogo a contar para os quartos da Taça da Turquia, José Mourinho elevou a fasquia quase para um patamar de “final antecipada” para tudo o que podia acontecer até ao final da época. Num plano teórico, poderia fazer sentido: o Fenerbahçe jogava em casa, tinha sido muito competitivo no último dérbi feito com o rival Galatasaray, ganhou outra esperança na conquista do título com a derrota do líder frente ao Besiktas que deixou a formação do treinador português a seis pontos do primeiro lugar tendo um jogo a menos que podia colocar a diferença apenas a três. Melhor: faria sentido se daí adviesse um resultado capaz de projetar o conjunto de Istambul para a tal superioridade psicológica em relação ao adversário. No final, correu tudo ao contrário. O que podia ser um Mourinho de volta passou a Mourinho em risco de ser despedido.
A Direção do Fenerbahçe, apesar de continuar a defender o seu técnico, não gostou do que se passou depois da derrota por 2-1 que afastou a equipa da Taça e reuniu de emergência para avaliar toda a situação. A forma como o Galatasaray foi superior em todos os capítulos fez soar alarmes de quem considerava que este podia ser o ano de viragem no domínio do futebol turco mas o apertar de nariz de Mourinho ao homólogo Okan Buruk no final do encontro acabou por ser o principal tema de conversa. Na mesma semana em que saiu ilibado da alegada acusação de racismo denunciada pelos rivais, o português corria o risco de ser suspenso por dez jogos na sequência do incidente. Não foram dez, foram três. Tudo o resto, permaneceu.
Okan Buruk provocou José Mourinho e teve a audácia de fazer gestos desrespeitosos com as mãos depois de passar o cordão policial. Depois de o nosso treinador lhe ter tocado no nariz momentaneamente, a pessoa em questão atirou-se ao chão de forma exagerada (…) As palavras e ações desrespeitosas dessa pessoa, que se atirou ao chão como se tivesse sido baleado como continuação das suas provocações planeadas e excessivas, foram registadas (…) A avaliação das provocações desagradáveis e do que aconteceu depois não deve ser unilateral mas sim baseada numa relação de causa e efeito”, defendeu o Fenerbahçe num comunicado após o jogo da Taça.
Zorunlu Açıklama
Dün maçın ardından hakemlerin elini sıkma bahanesi ile hakemlerle görüşme halindeki Teknik Direktörümüz Jose Mourinho’nun yanına gelen, el kol hareketleri ve söylemler ile teknik direktörümüzü tahrik eden, polis çizgisini geçtikten sonra saygısızca el hareketi… pic.twitter.com/TNE5DOnpse
— Fenerbahçe SK (@Fenerbahce) April 3, 2025
A presença do presidente Ali Koç nos EUA impediu que fossem tomadas decisões de fundo em relação ao futuro de Mourinho mas saiu a perceção de que um mau resultado na receção ao Trabzonspor, equipa com tradição mas longe daquilo que fizera em temporadas anteriores, poderia valer mesmo uma saída antecipada do técnico português. Mais: à boleia daquilo que eram as informações saídas na imprensa turca, começaram a ser feitas contas a todos os valores que o antigo campeão europeu por FC Porto e Inter teve na carreira, num total a rondar os 135 milhões de euros depois dos 40 milhões que os turcos teriam de pagar.
O que poderia mudar? O regresso às vitórias. Um resultado positivo diante do Trabzonspor, com Mourinho no banco depois da apresentação de recurso à sanção de três jogos, poderia permitir ao Fenerbahçe chegar aos 68 pontos, apenas menos três do que o líder Galatasaray com algumas jornadas ainda por disputar. Não foi fácil mas, com uma reviravolta assinada em menos de dez minutos no arranque da segunda parte, não só o objetivo foi cumprido como os jogadores quiseram mostrar uma mensagem de apoio a Mourinho.
The Turkish Football Federation has banned Jose Mourinho for three matches for "unsportsmanlike behaviour". pic.twitter.com/Eu0Np3JnSZ
— Sky Sports News (@SkySportsNews) April 5, 2025
Com algumas alterações em relação ao dérbi com o Galatasaray, que nem por isso baixavam assim tanto a qualidade individual de uma equipa que do meio-campo para a frente contava com Amrabat, Fred, Tadic, Szymanski, Saint-Maximin e Dzeko, o Fenerbahçe encontrou grande resistência na primeira parte e chegou mesmo a ver uma bola na trave do Trabzonspor, com Simon Banza, antigo avançado do Sp. Braga, a deixar um aviso a Livakovic que nada podia fazer. Szymanski também acertou no ferro mas os golos continuavam a teimar em não aparecer até ao período de descontos antes do intervalo, com mais uma desatenção do eixo central recuado após uma falta a meio-campo a permitir que Denis Dragus surgisse isolado na área para fazer o 1-0 que motivou muitos assobios num Sükrü Saracoglu que, ao contrário do que aconteceu no primeiro castigo a José Mourinho, não mostrava tantas manifestações de apoio ao técnico português (45+4′).
O português abdicou de Djiku para lançar logo no arranque do segundo tempo o avançado Talisca e foi o brasileiro que se mudou do Al Nassr esta temporada que marcou o empate, no seguimento de um penálti que foi cometido sobre Bright Osayi-Samuel em cima da linha da área (51′). O encontro voltava à “estaca zero”, com a formação da cada empurrada pelos adeptos para chegar a uma reviravolta que iria demorar menos de dez minutos depois de uma bola perdida na área após livre que encontrou Milan Skriniar isolado para o 2-1 (60′). O Trabzonspor perdeu a capacidade de controlar o jogo com e sem bola, com o avolumar da vantagem a ser uma questão de tempo até Talisca bisar após assistência de Saint-Maximin (64′) e ir ao banco abraçar José Mourinho tal como o avançado francês cedido pelo Al Ahli que teve um “choque” com o português. O jogo estava resolvido, o jogo de sonho do brasileiro nem por isso e, naquele que foi o grande momento da partida, Talisca chegou ao hat-trick com um remate de primeira sem deixar cair a bola (77′).
Talisca bisou e foi festejar com José Mourinho ????#sporttvportugal #FUTEBOLnaSPORTTV #SuperLigaTurca #Fenerbahce #Trabzonspor #modelocontinente pic.twitter.com/qZuzLD2ICw
— sport tv (@sporttvportugal) April 6, 2025