O PSD votou contra o novo traçado da linha de alta velocidade em Gaia manifestando preocupações com as alterações ao estudo prévio, mais traçado a céu aberto e custos aos munícipes, disse o vereador Rui Rocha Pereira.

“Vejo com alguma preocupação estas alterações ao estudo prévio inicial. Por um lado, o que estava previsto era que o território de Vila Nova de Gaia ia ter um atravessamento na ordem dos 13 quilómetros e cerca de 10 seriam em túnel, e o remanescente em escavação, e agora invertem-se os papéis, cerca de cinco quilómetros em túnel e o remanescente em escavação”, disse durante a reunião de Câmara desta quinta-feira, em que foram apresentadas as propostas pelo consórcio LusoLav.

Rui Rocha Pereira manifestou esta posição após uma apresentação do consórcio LusoLav, reiterando-a no momento da votação das propostas.

Em causa esteve uma proposta de alteração do consórcio LusoLav (Mota-Engil, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto), responsável pela linha de alta velocidade entre Porto e Oiã, para mudar em dois quilómetros a localização da estação de Gaia e fazer duas pontes sobre o Douro em vez de uma rodoferroviária.

A proposta será ainda votada na Assembleia Municipal pelas 21h00.

No entender de Rui Rocha Pereira, com essa solução haveria “enormes impactos (…) junto da população quer durante a execução da obra, pelos atravessamentos”, mas também “para futuro”, como “impactos visuais, impactos acústicos e demais”.

“Também manifesta-me alguma preocupação a questão de termos duas pontes em vez de uma ponte”, referiu, “por uma questão de financiamento”, alertando para a possibilidade de haver encargos para os municípios na gestão de uma ponte separada.

O vereador do PSD considerou ainda que a possibilidade de não haver ligação direta a duas linhas metro em Santo Ovídio, mas apenas uma (na solução a sul apenas haveria ligação à linha Rubi) poderia pôr em causa “a joia da operação”.

“Esta nova estação, que até tenho a certeza que é de muito mais fácil execução, e com uma redução substancial de custos para o consórcio, não tem as conexões, em termos de ligações de metro, como já tem a atual estação”, aponta.

Segundo o vereador da oposição na Câmara de Gaia, nada garante “que a ligação da linha Rubi ficará concluída atempadamente do início da operação”.

“É sempre uma solução que é mais imperfeita em termos de acessbilidades. Só terá um acesso numa linha de metro e vai obrigar sempre a um transbordo de quem utilizar, por exemplo, a Linha Amarela”, sustentou.

Apesar da nova estação proposta pelo LusoLav até poder ter “melhores acessos”, atualmente há o desígnio coletivo de “cada vez menos querer menos trânsito”, defendeu.

As propostas não vinculativas do consórcio LusoLav para alterar o traçado da linha de alta velocidade em Vila Nova de Gaia foram esta quinta-feira aprovadas pela maioria socialista na Câmara de Gaia, com votos contra dos dois vereadores do PSD.

Foram votados três pontos separados: um dizendo respeito à solução de duas pontes, outro à alteração de traçado e outro referente à mudança de local da estação, todos com o mesmo resultado.

O presidente da Câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, disse esta quinta-feira que a solução proposta não anula a solução anterior, referindo que “a estação de Santo Ovídio será sempre uma alternativa viável até decisão por parte da tutela” e que “em nenhuma circunstância, poderá estar em causa a estação de Gaia ou o projeto nacional, elemento central para o projeto e para a região”.

“A solução proposta não exclui a hipótese original, antes avaliza uma hipótese alternativa que se enquadra na zona delimitada como corredor de Alta Velocidade pelo concurso internacional lançado pelo Estado”, disse também.

O Governo disse esta quinta-feira estar em diálogo com a IP sobre o tema, e tanto a IP como a Câmara do Porto disseram desconhecer as propostas.