Chegou o dia mais esperado. Com a saída de Pedro Proença para a presidência da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), a Liga Portugal ficou órfã de presidente, cargo que Helena Pires assumiu de forma interina e transitória, até esta sexta-feira, altura em que se iria consumar o processo de transição no organismo. Assim, Reinaldo Teixeira e José Gomes Mendes estiveram frente a frente num sufrágio intercalar que decorreu na Arena Liga Portugal, no Porto, entre as 10 e as 13 horas desta sexta-feira, e visava encontrar o rosto que vai liderar o organismo que tutela o futebol profissional até 2027. Pela primeira vez na última década, surgiam nos boletins de voto dois candidatos, algo que não acontecia desde que Proença derrotou Luís Duque, em 2015.
Assim, não foi preciso esperar pelas 13 horas para se concluir o processo eleitoral, já que todos os clubes concluíram a votação cerca de meia hora antes. O resultado chegou cerca de 20 minutos depois, com Pedro Costa Azevedo, vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral da Liga Portugal a confirmar a eleição de Reinaldo Teixeira, com 42 votos (em 52 possíveis), o que corresponde a quase 81%, contra os 10 votos em José Gomes Mendes. Sílvio Cervan, vice-presidente do Benfica, Patrícia Silva Lopes, suplente do Secretário da Sociedade do Sporting, e Tiago Madureira, vice-presidente do FC Porto, representaram os grandes nesta votação. Teixeira é o 11.º presidente da história da Liga Portugal. A tomada de posse terá de acontecer nos próximos oito dias.
???? Reinaldo Teixeira foi eleito o novo presidente da Liga Portugal, com 42 votos em 52 possíveis. pic.twitter.com/61emNu88My
— Cabine Desportiva (@CabineSport) April 11, 2025
“Começo com uma palavra de respeito e consideração pelo meu adversário, o Dr. José Gomes Mendes, e toda a sua equipa, pela forma como procurou valorizar este largo período eleitoral. Juntos valorizámos esta instituição e juntos terminámos hoje qualquer divisão. Vinte e nove anos depois de entrar pela primeira vez na casa do futebol profissional, tenho a responsabilidade e a honra de presidir a Liga Portugal. Celebrar esta vitória é, para mim, celebrar a missão com que me apresentei nesta candidatura: a união de todo o Futebol Profissional. Com valores. Com transparência. Com imparcialidade. Com capacidade de concretizar. Respeito a expressão de todas as sociedades desportivas, mas reitero: a partir de hoje sou o presidente de todos, sem exceção. A esta missão entrego-me com o melhor de mim, tendo apenas um objetivo: a defesa dos superiores interesses de todas as sociedades desportivas”, começou por dizer no discurso de vitória.
“Vamos começar o nosso trabalho. Hoje mesmo terei uma reunião estratégica com a minha equipa. Não há tempo a perder. A palavra ‘obrigado’ será o impulso para que comecemos imediatamente a nossa obrigação: a defesa dos superiores interesses das sociedades desportivas. A realidade é crua e pede urgência. A Primeira Liga tem as assimetrias conhecidas e está a cair no ranking da UEFA. O problema de sustentabilidade estende-se à Segunda Liga e a um futebol também despido de recursos e de adeptos nas bancadas. Não vou dramatizar, mas também não vou pintar uma realidade paralela. Este é o nosso ponto de partida e é a motivação que nos leva de imediato para o terreno. Estou absolutamente seguro que iniciaremos um futuro novo. Juntos vamos construir uma Liga para todos. Juntos faremos história”, concluiu Reinaldo Teixeira. Para lá da reunião desta sexta-feira à tarde, o novo presidente da Liga Portugal sublinhou ainda que vai estar, à partida, no Gil Vicente-V. Guimarães desta noite, partida que abre a 29.ª jornada da Primeira Liga.
Reinaldo Teixeira partiu, numa primeira fase, para esta eleição como o principal e único candidato, conseguindo agregar grande parte dos votos. Contudo, o surgimento de uma segunda candidatura, liderada por José Gomes Mendes, criou alguma discórdia, com o antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral a conseguir reunir os votos de FC Porto e Sp. Braga, entre outros. O ponto alto aconteceu nos dias que antecederam o clássico do último domingo, com águias e dragões a trocarem uma série de acusações através de comunicado. De recordar que, ao todo, votaram 34 sociedades desportivas — 18 da Primeira Liga e 16 da Segunda Liga, sem as equipas B de Benfica e FC Porto — e os votos dos clubes do principal escalão do futebol português contaram a dobrar.
De um lado estava Reinaldo Teixeira, líder da Lista A e que, aos 61 anos, ocupa o cargo de presidente da Associação de Futebol do Algarve desde 2019 e está ligado ao organismo algarvio há mais de 20 anos. Em 2015 foi nomeado coordenador dos delegados e avaliadores da Liga Portugal, depois de ter estado, durante 20 anos, como delegado na entidade. É gestor, nasceu em Salir, no concelho de Loulé, e também se encontra a exercer funções enquanto membro do conselho consultivo no Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).
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Aquando da apresentação da sua candidatura, Teixeira lançou o mote “Uma Liga para todos” e assumiu que os próximos tempos servirão para “fazer crescer as competições e os clubes”. “Não são apenas palavras, são valores. Não há retrocesso. E não há volta atrás. É tempo de erguer as nossas competições a um patamar de excelência, em que ganham todos. É tempo de liderança que assegure trabalho em conjunto, é um tempo de entendimento para reunir os melhores profissionais e executar as melhores ideias, que nos permitam crescer, internacionalizar o negócio, inovar, procurar novas fontes de receita e explorar da melhor forma o mais belo jogo. Se temos talento, se temos os melhores jogadores do mundo, se temos os melhores técnicos, médicos, fisioterapeutas e agentes, temos de ter a coragem de sermos grandes dirigentes”, acrescentou.
“Chegou a oportunidade de um tempo novo”: Reinaldo Teixeira oficializa candidatura à Liga Portugal
Para além disso, Teixeira garantiu que quer combater uma “injustiça fiscal”, que anda em torno do IVA e dos seguros. “Chegou o tempo de uma capacidade negocial séria para reduzir custos e aumentar receitas e para garantir às sociedades desportivas uma justa distribuição das verbas das apostas. Chegou a oportunidade de um tempo novo, de diálogo, de sermos uma só voz, que nos dará uma nova capacidade de entendimento com a FPF, onde está um presidente, Pedro Proença, que nos respeita e que bem nos conhece. Saibamos honrar a nossa herança, o Plano Estratégico aprovado para o mandato 2023-2027. Temos que ter mais ambição e olhar mais além na qualidade do espetáculo, na melhoria das transmissões televisivas, na internacionalização, num marketing mais agressivo que promova as nossas competições e o nosso talento com mais capacidade de venda, numa nova estratégia de conteúdos, numa nova capacidade de gerar serviços, dinheiro e investimento para as nossas sociedades desportivas mas também na nossa missão social”, concluiu.
A acompanhar Reinaldo Teixeira estão André Mosqueira do Amaral, que vai ficar com a pasta da Centralização, Comercial e Internacionalização, Sónia Costa Cunha, com a pasta da Direção Financeira, Bernardo Azevedo para a pasta da Área Comercial e Sponsoring, Francisco Antunes para a pasta dos Conteúdos, Susana da Silva Curto para a pasta de Marketing e Eventos, Formação e Infraestruturas e António Saraiva, antigo presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) que lidera a Cruz Vermelha Portuguesa desde 2023 e que será o novo presidente da Mesa da Assembleia Geral da Liga.
Do outro lado estava José Gomes Mendes, líder da Lista B neste sufrágio. Com 63 anos, Gomes Mendes é doutorado em Engenharia Civil e lidera, desde junho de 2023, a Mesa da Assembleia Geral da Liga Portugal, cargo que já tinha ocupado entre 2014 e 2015. Para além disso é professor catedrático na Universidade do Minho, professor catedrático convidado no ISCTE Business School e consultor de estratégia empresarial. Foi também membro do XXI Governo, primeiro como secretário de Estado Adjunto e do Ambiente e depois como secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, e também do XXII Governo como secretário de Estado do Planeamento, entre outras funções profissionais.
Com José Couceiro, que visava assumir a Direção Técnica e Gestão de Competições, e Pedro Mendonça, Senior Partner na McKinsey & Company, e pretendia liderar o Planeamento Estratégico, a Centralização de Direitos Audiovisuais e a área comercial na sua lista, José Gomes Mendes assumiu o objetivo de criar um projeto que procura um futebol profissional “mais sólido, competitivo e também sustentável”, assente em três agendas para o futuro da Liga Portugal: “competitividade desportiva, sustentabilidade financeira e impacto institucional, promocional e social”.