Milhares de apoiantes de Aleksandar Vucic concentraram-se este sábado em Belgrado num evento organizado pelo presidente populista da Sérvia para tentar contrariar um movimento de contestação à sua governação que tem crescido nos últimos meses.

De acordo com a agência Reuters, chegaram este sábado à capital sérvia milhares de apoiantes em autocarros provenientes não só de outras cidades do país, como também dos estados vizinhos do Kosovo e da Bósnia. Na tentativa de gerar uma onda de apoio a Vucic, o evento foi organizado com as principais ruas bloqueadas ao trânsito e a presença de palcos de concertos, bancas com comida e bebida e tendas em frente ao parlamento.

Perante os seus apoiantes, o Presidente sérvio — no cargo desde 2017, mas tendo sido primeiro-ministro entre 2014 e esse ano — disse “a revolução colorida acabou. Eles podem andar o quanto quiserem, mas nada vai sair disso.”

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Vucic referiu-se assim ao movimento de contestação que se tem avolumado — principalmente pelos estudantes e os partidos da oposição — desde que, a 1 de novembro de 2024, 15 pessoas morreram na estação de comboios da cidade de Novi Sad. Encarado como uma tragédia provocada por falta de supervisão resultante de uma cultura pública de corrupção, o incidente motivou sucessivos protestos que culminaram numa enorme manifestação decorrida a 15 de março, uma das maiores de sempre da história do país, onde terão participado pelo menos 100 mil pessoas.

Promovendo uma governação cada vez mais autoritária — reprimindo as manifestações por uso de violência policial e tentando silenciar a imprensa independente —, Vucic quis com esta iniciativa tentar gerar apoio público e promover um novo movimento liderado pela sua força partidária, o Partido Progressista Sérvio (SNS), que deverá incluir outros partidos da coligação governamental que ainda não foi oficialmente inaugurada.

De acordo com a Associated Press, além de afirmar que o movimento de contestação “tem infligido um enorme mal à Sérvia nos últimos cinco meses”, o presidente sérvio alegou no discurso desta tarde que tem sido alimentado por interesses estrangeiros que querem derrubá-lo.

“O ataque veio do estrangeiro. Não permitiremos que pessoas de fora e de dentro da Sérvia destruam o nosso Estado”, atirou, sem apresentar provas das suas afirmações. No entanto, Vucic pôde contar do estrangeiro com o apoio do líder de um estado vizinho, tendo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, discursado no comício através de um vídeo gravado. “Os patriotas sérvios podem contar com os patriotas húngaros”, disse, rechaçando as “potências estrangeiras que querem dizer aos sérvios como devem viver”.

Apesar dos principais grupos de contestação a Vucic terem pedido para não realizarem contraprotestos para não inflamar os ânimos, foram registadas algumas tentativas de boicotar o evento, com alguns ativistas a tentar impedir os autocarros com os apoiantes do presidente de chegarem ao centro da cidade, atirando-lhes ovos e provocando a intervenção da polícia.

Já em Novi Pazar, o centro administrativo da região de maioria muçulmana da Sérvia, ativistas tentaram, por sua vez, tentar impedir que os autocarros com os apoiantes de Vucic saíssem da cidade.