O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa, nesta terça-feira, as previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal este ano, para 2%, face ao que estimava em outubro, e abaixo das previsões do Governo. O FMI cortou, também, as previsões de crescimento nos EUA para 1,8% – face à anterior previsão de 2,7% – citando a pressão colocada pela política comercial de Donald Trump.

As novas projeções do FMI mantêm saldos orçamentais excedentários para Portugal, contrariando previsões quer do CFP quer do Banco de Portugal. E isso mesmo já o Ministério das Finanças deu conta.

O FMI aponta agora para um saldo excedentário em 2025 de 0,5%, quando anteriormente apontava para 0,2%, mas corta na projeção referente a 2026, que, no entanto, mantém em terreno positivo — passa de 0,2% para 0,1%.

O Governo realça este ponto em comunicado. “O FMI projeta assim que as contas públicas manterão um ligeiro excedente orçamental, sendo que entre 2027 e 2030 a previsão é de um superávite de 0,1% PIB. Este resultado decorre sobretudo da redução da despesa pública em percentagem do PIB a partir de 2026, terminado que estará o efeito do PRR. Isto, num contexto, em que o FMI projeta o agravamento dos défices em diversos países europeus, nomeadamente na Zona Euro. Na média da Zona Euro, o FMI prevê um ligeiro agravamento do défice orçamental”.

O FMI estima que a dívida pública passe para 92% do PIB em 2025, continuando a trajetória descendente para 88% em 2026 e 87% em 2027.

Para o Ministério das Finanças, “estas previsões mostram a solidez da trajetória orçamental, de manutenção do equilíbrio orçamental (nominal e estrutural) e da continuada redução da dívida pública”.

Portugal com crescimento acima da zona euro

Segundo o World Economic Outlook (WEO) do FMI, as projeções para 2025 para Portugal apontam para um crescimento de 2%, abaixo do estimado em outubro, de 2,3%. Na proposta de Orçamento do Estado para 2025, o executivo estima um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1% em 2025.

Para 2026, o FMI prevê um crescimento de 1,7% do PIB nacional. O FMI apresenta ainda projeções para a inflação, com os preços ao consumidor a caírem para 1,9% em 2025 e acelerarem para 2,1% em 2026. Já o desemprego mantém-se em níveis semelhantes, segundo o FMI, apontando uma taxa de 6,4% este ano e de 6,3% em 2026.

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Ainda assim, a economia nacional mantém um crescimento acima do previsto para a zona euro, este ano, de 0,8%, com o FMI a estimar que a Alemanha fique estagnada, em 0%. Já a China, por seu lado, deverá crescer 4% este ano, abaixo dos 4,6% anteriormente previstos – com os estímulos orçamentais aplicados pelo regime chinês a compensarem, até certo ponto, o impacto negativo das tensões comerciais.

A previsão do FMI sobre o crescimento da zona euro foi reduzida de 1% para 0,8% este ano, apontando-se para uma aceleração, em 2026, para 1,2%, impulsionado pelo pacote de investimentos da Alemanha (em defesa e infraestruturas).

Espanha foi a única economia avançada cuja previsão de crescimento para 2025 foi melhorada — de 2,3% para 2,5%, o que se deve, em parte, à atividade de reconstrução após as cheias de Valência e outras regiões do país-vizinho.

No WEO, o FMI deu conta de um choque “negativo” devido à guerra comercial gerada pelas tarifas do Presidente dos EUA e apontou a “incerteza” neste momento, no panorama económico mundial. A economia mundial deverá crescer 2,8% em 2025 e 3% em 2026 – dois valores que ficam abaixo da previsão de 3,3% que existia para ambos os anos.

Sobre os EUA, que sofreram uma das maiores reduções das perspetivas económicas, o FMI diz que há uma probabilidade de 40% de a maior economia do mundo cair em recessão este ano – contra 27% calculados em outubro.

O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, indicou que não vê como cenário-central que os EUA possam ter uma recessão neste ano. A economia global “ainda carrega cicatrizes significativas” dos “graves choques dos últimos quatro anos”, referiu Gourinchas, acrescentando que “agora [a economia global] está a ser severamente testada mais uma vez”.

O responsável confirmou que a incerteza em torno da política comercial global foi um “fator importante” a justificar as revisões em baixo do crescimento em muitos países (e a nível mundial). “Perante o aumento da incerteza… a reação inicial de muitas empresas será fazer uma pausa, reduzir o investimento e cortar nas despesas”, afirmou.

(Notícia atualizada às 16H50 com comunicado do Ministério das Finanças)