“Eu pergunto o que é que aconteceria, de quem teria sido a culpa, se houvesse crianças a morrer na maternidade Alfredo da Costa ou noutro hospital qualquer onde tivesse faltado energia!?”, questionou esta quarta-feira Manuel Castro Almeida, em declarações à RTP3.

O ministro Adjunto e da Coesão Territorial revelou que, durante o apagão, a situação desta maternidade “esteve no centro das preocupações do primeiro-ministro”, porque havia a notícia de que a maternidade, a certa altura, só “tinha gasóleo para alimentar os geradores por mais uma hora”.

O ministro falava na emissão especial da RTP3, de antecipação do debate entre a AD e o PS desta noite, onde defendeu a opção de enviar os carros dos ministros com jerricans de combustível para abastecer o gerador da unidade hospitalar, notícia avançada pelo Observador.

“Foi essa a informação que nos chegou e era preciso garantir que chegava lá material em uma hora, o trânsito estava caótico e era preciso garantir isso”, recordou o ministro.

Questionado sobre qual era afinal o plano de contingência, pelo socialista António Mendonça Mendes, com quem debatia na RTP3, Castro Almeida respondeu que era precisamente “o fornecimento dos geradores”. “O gerador tinha gasto gasóleo a mais e estava a acabar o combustível”, ressalvou.

Já a meio da tarde desta quarta-feira, em resposta a uma pergunta da agência Lusa, a Maternidade Alfredo da Costa (MAC) confirmou que pediu “com urgência” o abastecimento de combustível para manter os geradores a funcionar durante o apagão, uma vez que a capacidade do depósito só permitia ter energia para cerca de cinco horas.

A Unidade Local de Saúde (ULS) São José (Lisboa), onde está integrada a MAC, a maior maternidade do país, explicou que capacidade do depósito de combustível do gerador é de 400 litros, “o que, com o depósito cheio, permite ter energia para aproximadamente cinco horas, dependendo do consumo”.

“Na segunda-feira, na sequência da falha de energia, esse consumo foi reduzido em zonas não prioritárias, tendo sido solicitado, com urgência, o abastecimento de combustível para manter o grupo gerador em funcionamento”, justifica.

De acordo com a ULS São José, a “maior dificuldade” foi verificada no transporte de combustível para a MAC, “situação que foi ultrapassada em tempo útil”.

Castro Almeida explica a resposta do Governo. “À última hora, quando estávamos com medo que não chegasse, a solução foi que fossem os motoristas dos ministros a levar o gasóleo que tinham nos seus carros”, reforçou, destacando que esta foi uma situação limite, a que não foi preciso recorrer no final de contas.

“Os motoristas foram comprar gasóleo e levaram à maternidade, mas quando lá chegaram já tinha chegado um carro da GNR e até a Judiciária com combustível. O Governo fez tudo o que tinha que fazer”, garantiu ainda o ministro.

Na noite de segunda-feira, foi o próprio primeiro-ministro, Luís Montenegro, a admitir que o mais difícil de gerir no apagão foi o abastecimento de energia aos hospitais, mas assegurou, logo nessa altura, que não se tinha registado “nenhuma situação limite”.

Também a ULS São José reforçou  à Lusa que não foram registadas nas suas unidades — MAC, Hospital Dona Estefânia, Hospital Curry Cabral, Hospital de Santo António dos Capuchos, Hospital Santa Marta, Hospital São José e Hospital Júlio de Matos — qualquer momento crítico na prestação de cuidados durante a falha de energia.