A ministra espanhola da Transição Ecológica e Desafio Demográfico, Sara Aagesen, disse que é “irresponsável e simplista” culpar as energias renováveis pelo apagão que afetou Portugal e Espanha na segunda-feira passada.

Numa entrevista publicada este domingo, Aagesen admitiu que serão necessários “muitos dias” para determinar a origem da falha e não descartou nenhuma causa possível, incluindo um ciberataque, acrescentando que o Governo agirá quando houver certezas.

Ao jornal El País, a vice-ministra defendeu ainda que é absurdo ligar o apagão ao calendário de encerramento das centrais nucleares em Espanha, acordado pelas empresas de energia com o Governo.

“Estamos a investigar com extrema cautela e responsabilidade”, explicou Aagesen, “para termos certezas e podermos comunicá-las com total transparência. E para procurar medidas para evitar que isto volte a acontecer.”

Por outro lado, a ministra disse acreditar que a França deve perceber que “as interligações devem ser implementadas, independentemente do que aconteça”, para tornar a rede eléctrica da Península Ibérica mais segura.

“Houve algumas flutuações, uma primeira e uma segunda, e que o sistema finalmente chegou a zero com a desconexão com a Europa. Milhares e milhares de pontos de dados precisam de ser analisados e, assim que possível, descobriremos a causa”, garantiu.

O apagão foi “algo completamente invulgar” porque nunca tinha acontecido nada semelhante em Espanha, sublinhou Aagesen.

“É difícil determinar a causa porque, nos cinco segundos em que estas flutuações ocorrem, há muitas variáveis em cada milissegundo que agora precisam de ser analisadas. Além disso, os diferentes operadores precisam de ser analisados”, explicou.