O Novo Banco não desistiu dos planos de vender parte – 30%, provavelmente – do capital em bolsa já no próximo mês de junho, garantiu o presidente da comissão executiva Mark Bourke em entrevista ao jornal norte-americano The Wall Street Journal publicada nesta terça-feira. Também nesta terça-feira, dia em que o Novo Banco divulgou os resultados relativos ao primeiro trimestre, o banco confirmou planos de entregar mais 2,2 mil milhões de euros aos acionistas nos próximos três anos (depois dos 1,1 mil milhões de dividendo extraordinário aprovados e os 225 milhões de dividendo ordinário de 2024).
Na entrevista ao The Wall Street Journal, o executivo garantiu que apesar da volatilidade registada nos mercados internacionais nos últimos meses, a oferta pública inicial (IPO, na sigla anglo-saxónica mais utilizada) continua a ser preparada e está a ser elaborado o prospeto da operação (um documento que será depois, a confirmar-se a operação, entregue aos reguladores do mercado e difundido pelos potenciais investidores).
Mark Bourke salienta que, apesar da turbulência causada sobretudo pela política comercial da administração Trump, o Novo Banco “está numa posição em que ainda é possível aproveitar uma janela em junho” – tudo vai depender das condições de mercado e da vontade dos atuais acionistas, indica.
Anteriormente, o responsável tinha afirmado que o IPO do Novo Banco poderia ocorrer em junho ou no fim do verão, em setembro. E, na entrevista ao The Wall Street Journal, Bourke reitera agora que, se não forem encontradas condições ideais em junho, poderá haver outra “janela” de oportunidade em setembro.
“Apesar de termos tido uma volatilidade enorme nos mercados, tivemos umas 29 ou 30 reuniões [com analistas ou potenciais investidores]. Ninguém cancelou as reuniões que estavam marcadas“, garantiu Mark Bourke. “Parece-nos que as pessoas estão a tentar gerir isto num quadro de normalidade“, acrescenta o executivo.
Novo Banco acena com mais 2,2 mil milhões de euros nos próximos três anos
O Novo Banco apresentou nesta terça-feira uma descida de 2% nos lucros, que não foi maior porque se cobrou mais 12% em comissões. Os resultados foram apresentados pelo banco em comunicado de imprensa divulgado nesta terça-feira e, como é habitual, o banco não marcou uma conferência de imprensa para os explicar. Porém, houve uma teleconferência pela hora de almoço, aberta a jornalistas mas onde só analistas que seguem a empresa podem fazer questões.
Aí, o banco reiterou a intenção de distribuir cerca de 2,2 mil milhões de euros aos acionistas nos próximos três anos – entre dividendos e programas de recompra de ações. Esse valor soma-se aos 1,1 mil milhões cuja distribuição (extraordinária) já foi aprovada pelos acionistas e os 225 milhões de euros em dividendos relativos ao exercício de 2024.
“Estamos confortáveis na nossa capacidade de entregar este objetivo de entregar 2,2 mil milhões nos próximos três anos”, afirmou o administrador-financeiro Ben Dickgiesser, durante a teleconferência com analistas. O banco indicou que prevê atingir um produto bancário comercial (margem financeira+comissões) de 1,4 mil milhões em 2025, depois dos 363 milhões de euros do primeiro trimestre.
O presidente-executivo, Mark Bourke, tinha começado a sessão falando sobre o eventual impacto das tarifas de Trump na economia portuguesa, sublinhando que esta é “estruturalmente menos exposta” às tarifas aplicadas às exportações de bens para os EUA. As exportações de bens para os EUA pesam 1,9% do produto interno bruto (PIB) português pelo que “a economia, que é aberta, será afetada mas está mais protegida do que outros países”, afirmou Mark Bourke.
Logo em janeiro foi noticiado que o fundo Lone Star, que tem 75% do Novo Banco, já tinha contratado um banco de investimento para assessorar uma venda de parte do capital do Novo Banco, seja uma venda direta ou uma dispersão de parte do capital em bolsa. Segundo a agência Bloomberg, o Deutsche Bank foi contratado para avaliar o interesse de possíveis investidores.
A expectativa dos analistas é que a instituição valha entre 4,8 mil milhões e 6,2 mil milhões de euros, de acordo com uma análise da corretora espanhola JB Capital Markets. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, já confirmou que a intenção do banco é vender entre 25% e 30% do capital global – sendo que o Estado, entre o Fundo de Resolução e a Direção-Geral do Tesouro e Finanças, tem um quarto do capital e poderia vender na mesma proporção que o Lone Star, que tem 75%.