O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, congratulou-se no sábado com os “grandes progressos” das negociações com a China, em Genebra, sobre as tarifas. Já este domingo, o governo chinês confirmou que os países chegaram a acordo sobre um mecanismo de consultas comerciais.

“Muito boa reunião hoje [sábado] com a China na Suíça. Muitas coisas foram discutidas, muitas coisas foram aprovadas. Foi negociado um ‘reset’ total, de uma forma amigável mas construtiva. Para o bem da China e dos Estados Unidos, queremos que a China se abra às empresas norte-americanas. Foram feitos grandes progressos”, escreveu na rede social Truth Social, da qual é proprietário.

Como sinal da importância do que está em jogo, os dois países enviaram a Genebra, este fim de semana, representantes de alto nível para as conversações: o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante para o Comércio, Jamieson Greer, dos Estados Unidos, e o vice-primeiro-ministro, He Lifeng, da parte chinesa.

“O contacto estabelecido na Suíça é um passo importante para promover a resolução do diferendo”, escreveu a agência de notícias Xinhua antes da reunião.

O representante norte-americano, Jamieson Greer, reforçou que um entendimento foi atingido “rapidamente”. “Isso reflete como talvez as nossas diferenças não são tão grandes como se pensava”, afirmou, segundo o New York Times.

China e EUA acordam mecanismo de consultas comerciais para resolver guerra aduaneira

Entretanto, o governo chinês anunciou este domingo que a China e os Estados Unidos acordaram criar um mecanismo de consultas comerciais e económicas para solucionar a guerra tarifária declarada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

O vice-primeiro-ministro He Lifeng, principal negociador de Pequim nas conversações realizadas este fim de semana com a delegação norte-americana em Genebra, na Suíça, manteve uma reunião “sincera, profunda e construtiva” com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, para resolver as suas divergências.

No final, He anunciou num comunicado que “ambas as partes chegaram a um acordo sobre a criação de um mecanismo de consulta económica e comercial entre a China e os Estados Unidos e realização mais consultas sobre questões de interesse mútuo”, segundo a agência oficial de notícias chinesa, Xinhua.

Esta declaração surge depois de a Casa Branca ter anunciado um “acordo” não-especificado durante as conversações que Bessent descreveu como “produtivas” com o chefe da delegação chinesa. Depois de agradecer o “interesse” manifestado pelos seus interlocutores, Bessent comprometeu-se a fornecer mais informação sobre esta matéria na próxima segunda-feira.

As perspetivas de grandes avanços nestas conversações envoltas em secretismo pareciam escassas, embora houvesse esperança de que os dois países reduzissem os impostos maciços — tarifas aduaneiras – que aplicaram aos produtos um do outro, uma medida que aliviaria os mercados financeiros mundiais e as empresas de ambos os lados do Oceano Pacífico que dependem do comércio EUA-China.

No mês passado, Donald Trump, aumentou os direitos aduaneiros dos Estados Unidos sobre a China para um total de 145%, e a China retaliou, com uma taxa de 125% sobre as importações norte-americanas.

Tarifas tão elevadas equivalem essencialmente ao boicote dos produtos um do outro, perturbando trocas que, no ano passado, ultrapassaram os 660 mil milhões de dólares (586 mil milhões de euros).

Na sexta-feira, ainda antes do início das negociações, Trump sugeriu que Washington poderia reduzir as tarifas impostas a Pequim, afirmando, numa publicação na rede social Truth Social: “Tarifas de 80% parecem-me bem! É com o Scott [Bessent]”.