É um caso que está a causar controvérsia na Suécia e o argumento parece saído de um thriller. Um diplomata que trabalhava no Ministério dos Negócios Estrangeiros há décadas foi encontrado morto esta sexta-feira. Esse homem com cerca de 50 anos (a identidade não foi divulgada) tinha sido, no passado fim de semana, detido numa operação levada a cabo pela Säpo, os serviços secretos suecos, mas foi libertado na terça-feira sob fiança.

A morte foi confirmada à Reuters pelo advogado do diplomata, Anton Strand: “Ouvi as notícias trágicas esta manhã e os meus pensamentos estão com a família”. Um pouco mais tarde, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suécia também emitiu uma nota a lamentar o sucedido: “Confirmamos que um empregado dos serviços diplomáticos morreu. A nossa preocupação com os familiares impede-nos de dar mais detalhes”.

Neste momento, de acordo com o canal estatal sueco SVT, a polícia está a investigar os contornos da morte do diplomata. De acordo com as informações preliminares apuradas pela estação televisiva, não existe até ao momento nenhum sinal de crime. No Ministério dos Negócios Estrangeiros, existe, no entanto, uma sensação de choque. “É terrível. As pessoas estão a chorar. É difícil de aceitar”, contou fonte da diplomacia de Estocolmo à SVT. 

O choque ainda foi maior pela sequência de eventos antes da morte do diplomata. Durante o fim de semana, o homem foi detido pelos serviços secretos no seu apartamento em Estocolmo. A sua detenção foi, aliás, alvo de bastantes críticas pelo seu advogado devido à violência da Säpo. Em declarações ao jornal Expressen, relatou que as secretas encontraram uma “pessoa inocente, sem um passado violento, um académico de meia idade”.

“Nem tentaram bater na prova. Foi uma experiência horrível”, prosseguiu o advogado, indicando que a porta foi arrombada. Após a detenção, o diplomata terá ficado com hematomas e terá recebido assistência hospitalar, diz Anton Strand. Por sua vez, os serviços secretos recusam esta hipótese e alegam que usaram a força de forma proporcional.

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O diplomata foi libertado na terça-feira sob fiança, ainda que as autoridades suecas o tivessem mantido sob vigilância. Aliás, o procurador Per Lindqvist refere que a investigação sob as suspeitas de espionagem vão continuar, mesmo após a morte. “Houve suspeitas e há suspeitas contínuas. A investigação preliminar não foi concluída”, assinalou o responsável jurídico, em entrevista à SVT.

Os serviços secretos estão também a avançar, segundo os órgãos de comunicação suecos, que as suspeitas de espionagem que recaiam sobre o diplomata estão relacionadas com outro escândalo. Nomeado conselheiro de Segurança Nacional durante a semana passada, Tobias Thyberg demitiu-se 24 horas após assumir as funções, na sequência de terem vindo a público fotografias comprometedoras suas numa antiga conta de uma aplicação de encontros, o Grindr.

Ainda não é claro, ainda assim, qual é a ligação entre a demissão de Tobias Thyberg e a detenção e posterior morte do diplomata, que morreu durante a madrugada desta sexta-feira. Tinha trabalhado fora da Europa durante vários anos — e já fora embaixador, de acordo com o Expressen, que adianta também que um dos países onde trabalhou tem uma relação tensa com o Ocidente.