Joaquim Miranda Sarmento, ainda ministro das Finanças, disse esta quarta-feira em entrevista na RTP 3, que “é importante garantir a estabilidade” para que o Governo possa ser avaliado pela sua atuação “no final dos quatro anos”.

“É importante a estabilidade. Aquilo que é desejável — e esperamos que seja isso que se abre com este ciclo político — é que o Governo possa governar quatro anos e que possa ser julgado no final dos quatro anos pelos méritos da governação”, defendeu, em reação às declarações de Mário Centeno.

O governador do Banco de Portugal afirmou esta quarta-feira que a “estabilidade política é um ativo precioso nos tempos que correm”. Centeno entende que Portugal deve tentar consolidar “um quadro claro de previsibilidade, credibilidade e estabilidade, que tanto custou aos portugueses conseguir”.

Questionado pela RTP sobre o futuro de Centeno, cujo mandato termina em junho deste ano, Miranda Sarmento lembrou que essa “decisão será tomada pelo próximo Governo”, sem esclarecer se fará parte dele. “Compete ao primeiro-ministro escolher os ministros. Não conversei esse tema com o primeiro-ministro”, confessa, frisando que o próximo responsável pela pasta das finanças pode ou não ser ele.

Centeno diz não estar “preocupado” com recondução no Banco de Portugal (que a vitória da AD nas eleições torna menos provável)

Em retrospetiva pelo trabalho do qual tem responsabilidade, que foi desenvolvido neste último ano, o ainda ministro puxou dos galões e atirou que, neste momento, “o país está mais bem preparado para enfrentar uma recessão internacional”, por ter uma situação financeira favorável.

Miranda Sarmento apontou para a “incerteza internacional” como um dos fatores de preocupação, mas frisou a hipótese de uma “coligação negativa” entre PS e Chega como motivo de desequilíbrio em Portugal. “[Houve] um reforço inequívoco da AD [nas eleições]. Portugueses disseram inequivocamente que querem Montenegro como primeiro-ministro. AD tem mais deputados que a esquerda toda junta”.

Disse o ministro que PS e Chega se “quiseram juntar para impedir a AD de governar são livres”, mas que depois “os portugueses farão o julgamento”, destacando que “nos últimos 11 meses” o Governo conseguiu aprovar “medidas muito importantes”.

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“Partidos de esquerda falharam na sua mensagem” e Chega aproveitou, diz Miranda Sarmento

Na tentativa de explicar a queda do PS e a subida do Chega, Miranda Sarmento alegou que “os partidos de esquerda falharam na sua mensagem ao seu eleitorado tradicional e o Chega ocupou esse espaço, muito por responsabilidade do PS”. “Tem que haver uma reflexão de todos, inclusive da AD, mas sobretudo do partido que está empatado com o Chega”, acrescentou.

Todavia, o ministro não quis catalogar a subida do Chega como “um problema para a democracia”, apesar de defender a importância de ter PS e PSD, “os dois partidos moderados” como “principais referências da governação e da estabilidade”.

Enquadrado pelas declarações de Pedro Passos Coelho — que sublinhou, na campanha, que a estabilidade “sem reformismo” não serve os interesses do país — Miranda Sarmento frisou a intenção do Governo em fazer mudanças. “Gostaríamos de ter ido mais rápido, mas num ano de Governo acho que adiantámos muito”, justificou, destacando um “programa eleitoral reformista” da AD que “foi sufragado pelos portugueses” nas urnas.

De olhos postos nas propostas, Miranda Sarmento destacou o “compromisso de reduzir o IRS em dois mil milhões de euros até 2029” que se deverão traduzir, já este ano, numa redução de 500 milhões de euros. O ministro não esqueceu os gastos, cada vez mais mediáticos, com a Defesa e lembrou que “o aumento do investimento com a Defesa demora tempo”, frisando que a “Europa gasta o dobro da Rússia em Defesa”, mas que estas despesas não podem colocar em causa o “estado social”.