Mário Centeno, que está a cerca de dois meses do fim do mandato, garante não estar “preocupado” com a eventual recondução à frente do Banco de Portugal (que a vitória da AD nas eleições de 18 de maio tornará menos provável).
“Há um quadro institucional nesse aspeto, eu tenho referido que aquilo que está em causa é a avaliação do desempenho como governador, não sou eu que o faço pelo que não posso responder”, afirmou Mário Centeno numa conferência de imprensa em Lisboa, para a apresentação dos resultados do banco em 2024.
A decisão está institucionalmente muito bem delimitada, é muito claro o processo, tem decorrido no passado com toda a estabilidade e não prevejo que aconteça nada diferente neste caso”, afirmou Mário Centeno.
Não é a “preocupação do Banco de Portugal nem minha”, garante o governador, que assumiu o cargo no verão de 2020. “A nossa preocupação é apresentar os resultados e mostrar que o Banco de Portugal é hoje um fator de confiança, um fator de proximidade face à cidadania, investimento em literacia financeira, económica, deixa-nos a todos muito contentes”, atirou.
Em janeiro, no dia em que garantiu que não se iria candidatar à Presidência da República, Mário Centeno disse numa entrevista à RTP que “nunca”, na sua vida, trabalhou para “passar com 10” e, da mesma forma, estava a trabalhar com o “fito” de ser reconduzido para um novo mandato no Banco de Portugal.
“O meu foco é completar o meu mandato, agora há um segundo mandato” e “eu nunca desempenhei as minhas funções para passar com 10”, afirmou Mário Centeno, deixando claro que deseja ser reconduzido no Banco de Portugal, cumprindo dois mandatos tal como os seus antecessores. Mas tinha Centeno a expectativa de ser reconduzido? “A minha expectativa é irrelevante“, respondeu, nessa entrevista: “Eu estou a desempenhar as minhas funções com esse objetivo porque é sempre assim que desempenho as minhas funções”.
“Estabilidade política é um ativo precioso nos tempos que correm”
“A estabilidade política é um ativo precioso nos tempos que correm“, diz Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, que a dois meses do final do mandato garante não estar “preocupado” com uma eventual recondução (que a vitória da AD nas eleições torna menos provável).
“Não há nada pior, naquilo que é a condução das nossas vidas, do que enquadramentos políticos em que se tomam umas decisões num dia e depois voltam para trás”, afirmou Mário Centeno, sem ser explícito sobre onde podem estar esses enquadramentos políticos. Centeno deu como exemplo, porém, “o que temos observado no nosso vizinho no outro lado do Atlântico é um elencar de como não conduzir políticas económicas”.
“Portugal deve manter um quadro muito claro de previsibilidade e estabilidade que custou muito aos portugueses conseguir”, lembrou Mário Centeno, acrescentando que “nas dimensões que controlamos, Portugal é um exemplo na Europa“.
“Qualquer alteração” nesta matéria “obrigará, de forma muito clara, a outros ajustamentos que quiçá não gostemos de recordar”, terminou.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 1.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]