“Ameaças de morte”. A capa desta quinta-feira do jornal Record abordava a situação de Matheus Reis na sequência de tudo o que se passou depois da final da Taça de Portugal, nomeadamente pelo lance em que deu um pisão na cabeça de Andrea Belotti no quinto minuto de descontos do tempo regulamentar. Explicava a publicação que o defesa brasileiro tinha viajado para o país de nascimento ao contrário do que pensava fazer durante as férias por uma questão de segurança da família face às ameaças de que foi alvo. Mas havia mais.
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De acordo com informações que o Observador foi recolhendo durante o dia, o tom das mensagens que o jogador estava a receber foi discutido com o próprio Sporting perante a gravidade do mesmo. Ou seja, além de danos na viatura que tem no país, viu essas ameaças chegarem ao filho de seis anos com horários da sua escola e fotografias de família e, sobretudo, ataques à própria mulher, grávida do segundo filho.
O clube tomou conta de todas essas situações, com o Gabinete de Apoio ao Jogador a prestar apoio à família de Matheus Reis, que entretanto viajou mais cedo para o Brasil neste período de férias. Em paralelo, antes de publicar uma mensagem na página oficial do Instagram sobre o lance com Belotti, o defesa fez questão de analisar o conteúdo com o departamento jurídico, por forma a que o mesmo não pudesse depois ser utilizado contra si em nenhum dos processos disciplinares entretanto anunciados e que estão agora a decorrer.
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Já esta noite, Jack Rodrigues, mulher de Matheus Reis, partilhou no Instagram algumas das mensagens que foi recebendo nestes últimos dias, tendo como fundo uma notícia em que o marido explicava não ter existido qualquer intenção de atingir Belotti na cabeça. “Agora que já temos todos a tua morada, fotos da tua família, etc.. Se já houve situações de invadir casas de jogadores do Benfica, imagina de um jogador de outra equipa que demonstre ódio. E já sabes que não se pisa só a cabeça”, dizia um dos comentários. “Espero que o porco te mate sua p*** brasileira, que abortes e que ele te mate”, escreveu outro utilizador. “Cuidado que aqui nois viola. Fica atenta a andar na rua”, ameaçava outro. “P*** macaca, protege o teu filho, vamos matá-lo”, referia ainda mais um utilizador, neste caso com imagens do próprio filho de ambos, com seis anos. São também várias as ameaças caso o casal não deixasse o Sporting e continuasse a carreira no Brasil. Muitas desses perfis foram entretanto apagados das redes sociais após serem denunciados de forma pública.
???? Mulher de Matheus Reis divulga ameaças.pic.twitter.com/so5UjKP6bh
— Cabine Desportiva (@CabineSport) May 29, 2025
“Achei justo expor algumas das ameaças. Não coloquei todas, nem 1%… Alguns já estão nas mãos dos advogados, já bem avançados na procura de quem está a fazer este tipo de ameaça, outras ainda estamos a mandar. Como não conseguimos mandar todas, os advogados já estão com o meu log in a tratar disso porque daqui para a frente já não quero pensar mais nisso. Muitas pessoas perguntam-me se é tudo real, que é real, porém temos um estofo psicológico para aguentar isto, temos condições para arcar com a nossa segurança, temos o apoio do Sporting porque somos mesmo uma família, temos a união na nossa casa, temos fé que nos protege. Temos a tranquilidade que olhar uns para os outros, falar sobre o que aconteceu e dormirmos tranquilos. Quero agradecer cada mensagem de apoio, o resto deixo às pessoas competentes. Agora serão férias, foi uma temporada em que rimos, comemorámos, chorámos juntos mas no final fomos vitoriosos, é o que importa e o que tem de ser comemorado. E se Deus quiser para o ano há mais”, disse depois Jack Rodrigues em alguns vídeos no Instagram onde explicava o que estava a acontecer.
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“Gostaria de esclarecer os factos ocorridos durante um lance no último jogo que disputei. Em momento algum houve a intenção de agressão ou de qualquer conduta desleal da minha parte. Entrei em campo com um único objetivo: jogar e vencer. A jogada em questão foi disputada com muito contacto e rapidez, porém de forma legítima, sem qualquer intenção de agressão. Foi um desequilíbrio do corpo, facto inclusive confirmado pela continuidade do jogo e pela continuidade do adversário em campo. Tudo o que sucedeu após o jogo surge num contexto de festa e não pode transformar um lance numa arma de arremesso contra mim e contra o Sporting”, tinha defendido o jogador também no Instagram após toda a polémica.
“Um dos pontos altos de toda esta estratégia é o ruído completamente desproporcional que está a haver sobre este caso. Eu próprio vi o jogo, não me apercebi de nada, depois começo a ver o ruído à volta do lance, do pontapear e fui ver o lance. O que hoje se analisa é um frame de um pé a espezinhar a cabeça de um jogador. Tenho sempre o cuidado de ver o lance todo e para mim é impossível alguém dizer que houve intenção de pisar na cabeça, sem olhar para onde está põe o pé na cabeça. Não sei se houve intenção, ninguém consegue dizer. A seguir perguntei ao meu jogador e ele disse que não, posteriormente foi o que o meu jogador me disse”, indicou também Frederico Varandas, líder do Sporting, à margem da Cimeira de Presidentes.
De referir que, depois da final da Taça de Portugal, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol decidiu abrir dois processos disciplinares após queixas do agente César Boaventura e da Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD. O primeiro, onde está com Maxi Araújo, diz respeito ao lance com Andrea Belotti nos descontos do tempo regulamentar que foi o grande foco dos protestos encarnados; no segundo, onde está com Geovany Quenda e a Sporting SAD, o defesa está acusado de “incitamento à violência”. Num outro âmbito, e quando regressar das férias no Brasil, Matheus Reis deverá voltar às conversas com a SAD verde e branca tendo em conta a renovação do atual contrato que termina em junho de 2026.
Matheus Reis, Maxi Araújo, Quenda e Sporting SAD alvo de processos disciplinares