O futuro das Navegadoras passava por Wembley. De visita a mais um palco mítico do futebol mundial, a Seleção Nacional feminina tinha pela frente uma dura missão, que passava por voltar a criar dificuldades àquela que é a campeã da Europa e garantir desde já a manutenção na Liga A da Liga das Nações. Apesar de o duplo desaire com Espanha (2-4 em casa e 7-1 fora) ter dificultado a missão da equipa de Francisco Neto, as portuguesas chegavam a Londres no terceiro lugar, a três pontos de Inglaterra e com um ponto de vantagem para a Bélgica, última classificada. A realidade é que Portugal continuava a depender só de si para fugir à despromoção direta e até para garantir a manutenção, através do segundo lugar, mas a tarefa previa-se tudo menos fácil.

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“Esperamos um ambiente incrível, num palco onde é um privilégio jogar. Precisamos de voltar ao registo que já alcançámos frente a equipas de topo. Sabemos que temos dois jogos que devemos encarar de forma independente. Dificilmente algo ficará decidido amanhã [sexta-feira], por isso temos de ser muito competitivos nos dois encontros. Vamos jogo a jogo. Queremos fazer acontecer e manter Portugal a lutar pelos seus objetivos. Estamos muito tranquilos em relação ao nosso valor e ao que podemos fazer. Agora é manter a nossa identidade para continuar a competir. Amanhã será também uma resposta ao nosso caráter”, perspetivou Francisco Neto que, para esta convocatória, voltou a contar com Jéssica Silva e estreou Carolina Correia e Samara Lino, do Torreense. Em sentido inverso, Joana Marchão saiu do lote de opções devido a lesão.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]

Assim, Portugal entrou em campo com o tradicional 3-5-2, com Inês Pereira na baliza, Ana Borges, Carole Costa e Fátima Pinto na defesa, Andreia Jacinto, Tatiana Pinto, Dolores Silva, Andreia Norton e Catarina Amado no meio-campo e Ana Capeta e Diana Silva no ataque. O jogo começou da pior forma para as Navegadoras que, aos 176 segundos, começaram a quebrar, com um passe apertado de Tatiana Pinto e uma má receção de Norton a originarem o golo de Aggie Beever-Jones (3′). Logo a seguir, a média do Atl. Madrid voltou a ficar mal na fotografia, perdeu a bola no lado esquerdo, Lauren Hemp cruzou para a área e, depois de uma primeira intervenção de Pereira, Lucy Bronze encostou para dentro (5′). A resposta de Portugal foi quase imediata, com Norton a desferir um cabeceamento ao poste esquerdo da baliza de Hannah Hampton (10′).

A partir daí o jogo acalmou, sem que a Seleção Nacional conseguisse dar seguimento à boa resposta. Já para lá dos 20 minutos, Bronze teve espaço na esquerda, cruzou para a área e, completamente sozinha, Beever-Jones fez mais um golo das lionesses (25′). O descalabro continuou e, antes da meia-hora, Hemp serviu Beth Mead que, depois de tirar Amado do caminho com um grande toque, fez o 4-0 (29′). As inglesas continuaram com via aberta para a baliza de Inês Pereira e, logo a seguir, Leah Williamson viu a desmarcação de Beever-Jones e endossou-lhe a bola e, depois de ultrapassar Carole, a número 9 fez o hat-trick (33′). Até ao intervalo, o resultado não sofreu mais alterações, mantendo-se com contornos expressivos (5-0).

Para a etapa complementar, o selecionador lançou Jéssica Silva por troca com Dolores, e a realidade é que a jogadora do Gotham até entrou bem no jogo, mas raramente teve o apoio das companheiras que, ainda assim, conseguiram baixar o ritmo da partida na esperança que o apito final surgisse rapidamente. O resultado acabou por não ficar por aí e, depois de um passe a rasgar de Alex Greenwood, ao qual Capeta chegou atrasada, Mead cruzou para o segundo poste e, de cabeça, Chloe Kelly fez o sexto (62′). A parte final da partida serviu para estrear Carolina Correia e colocar Andreia Faria no lugar de Norton. Greenwood ainda mandou à barra (75′), antes de Beatriz Fonseca e Carolina Mendes saltarem do banco, mas o 6-0 persistiu até ao fim.

Um resultado sintomático deste jogo vem do banco, já que Francisco Neto, em dez anos de Seleção (2014 a 2024), tinha sofrido cinco ou mais golos em apenas dois jogos — Dinamarca (0-6, 2017) e Suécia (0-5, 2022). Em 2025, as Navegadoras levam dois jogos consecutivos a sofrer mais de cinco golos, sendo que sofreram 17 nos últimos três jogos. Com esta goleada expressiva a juntar-se à também goleada de Espanha na Bélgica (0-4), Portugal perdeu a hipótese de terminar nos dois primeiros lugares do Grupo 3 e tem agora pela frente a missão de escapar à despromoção direta. As Navegadoras vão receber, no Funchal, as belgas na terça-feira (18 horas), num desafio em que o empate é suficiente para garantir o playoff de despromoção.