Foi a primeira derrota na fase de grupos da Liga A da Liga das Nações, foi também a exibição mais completa na fase de grupos da Liga A da Liga das Nações. Pode parecer um paradoxo mas a forma como a Seleção teve capacidade para enfrentar olhos nos olhos em muitos momentos a Espanha em Paços de Ferreira, na sexta-feira, funcionou quase uma vitória como acontecera com a Bélgica ou um empate como no arranque frente à Inglaterra. O que fez a diferença? Pequenos erros de quem chegou há pouco tempo à alta roda do futebol europeu e nem sempre consegue gerir da melhor forma os diferentes momentos que o jogo apresenta.
“Sabíamos da diferença entre as seleções e que os pormenores poderiam ter o seu peso. As segundas bolas e bolas paradas condicionaram-nos. Depois, sofremos um golo numa transição quando estávamos perto do 2-2. Quando jogas contra as melhores do mundo, estes pormenores pagam-se caros. Mas há muitas coisas positivas a retirar do jogo desde as dificuldades que criámos a Espanha”, resumia Francisco Neto após esse desaire por 4-2, que deixava Portugal na terceira posição do grupo com quatro pontos, bem à frente da Bélgica e atrás, como seria “natural”, da Inglaterra e da Espanha. Agora, chegava outro desafio: seria capaz de ter uma exibição com tanta ou mais qualidade para travar uma das melhores seleções da atualidade?
Um clássico que se chama “o penálti de Carole”: Portugal vence Bélgica na Liga das Nações
“Percebemos claramente que houve momentos em que conseguimos criar incómodo na Espanha. Temos de ser mais consistentes nas ações. A ideia é continuar a crescer. Temos de ter capacidade e humildade para perceber que a estratégia vai variar. Há momentos em que conseguimos pressionar alto, outros em que não. Há momentos em que somos melhores com bola, outros em que não. Temos de conseguir mais vezes incomodar a Espanha em ações importantes e não permitir que tenham tanto protagonismo mas isso não se faz com três dias de trabalho. Precisamos de mais tempo para recuperar e ajudar a crescer nesse aspeto. Sabemos onde queremos estar, onde estamos e qual o nosso potencial. Isso leva o seu tempo. Não é à velocidade que as jogadoras gostariam mas sabemos para onde queremos ir. Jogo a jogo, vamos crescendo”, referira o selecionador antes da partida em Vigo, deixando o mote para o que era possível agora e o que será possível num futuro mais ou menos próximo. Desta vez, não resultou. Aliás, praticamente nada resultou.
Portugal não deixou de ser a equipa que entrou com uma vitória e um empate na presente edição da Liga das Nações, não deixou de ser a equipa que não consentiu qualquer derrota em 2024 (dez vitórias, dois empates) e não deixou de ser a equipa que no último Campeonato do Mundo ficou a centímetros de eliminar os EUA na fase de grupos naquele remate ao poste de Ana Capeta. No entanto, e ao longo de 90 minutos, a Seleção não só deixou de estar ligada à ficha como entrou em curto-circuito tendo pela frente a melhor versão da Espanha, campeã mundial e última vencedora da Liga das Nações. De forma surpreendente, Portugal teve a pior e mais pesada derrota em mais de duas décadas (só superada pelos 11-0 frente à Alemanha em 2004, na qualificação para o Europeu) e o futuro dependerá muito da forma como vai digerir este dia.
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Por acertos táticos e gestão física, Francisco Neto, que continua sem contar com nomes de peso como Jéssica Silva, Kika Nazareth ou Lúcia Alves, voltou a promover várias alterações no segundo jogo da jornada dupla, neste caso cinco e em todos os setores: Patrícia Morais rendeu Inês Pereira na baliza, Ana Seiça ocupou a vaga de Diana Gomes na defesa, Dolores Silva e Andreia Faria renderam Andreia Jacinto e Andreia Norton no meio e Ana Dias foi a novidade no ataque em vez de Ana Capeta. No entanto, e ainda antes de se poder ver que tipo de alterações poderiam surgir além dos nomes, a Espanha já vencia por 3-0. Por mais que existisse essa vontade de mostrar ainda mais depois da boa resposta em Paços de Ferreira, tudo estava “inquinado”.
⏹️90+2' TERMINA A PARTIDA ⏰#ESPPOR | 7-1 | #FazHistória #UWNL pic.twitter.com/hDiRUQKu2j
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Apesar de alguma irregularidade nesta Liga das Nações, a Espanha recuperou a sua melhor versão e mostrou como nunca o porquê de ser a atual campeã mundial. Com velocidade, com mobilidade, com bola, com olhos na baliza, com eficácia. Sobretudo eficácia, ou não tivessem surgido logo três golos sem que Patrícia Morais tivesse sequer feito uma defesa: Salma Paralluelo desviou ao primeiro poste um cruzamento de Mariona Caldentey após um canto e inaugurou o marcador (2′), Aitana Bonmatí mostrou a razão para ser a Bola de Ouro das últimas duas temporadas com um remate em arco de pé esquerdo de fora da área ao ângulo para o 2-0 (8′) e a mesma jogadora, referência do meio-campo do Barcelona, bisou com um desvio na passada na área depois de uma assistência de Cláudia Pina (12′). A diferença de forças era demasiado evidente.
????¡QUÉ MANERA DE EMPEZAR!
Dos minuto le han bastado a Salma Paralluelo para marcar el primero del encuentro.
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Aitana Bonmatí ????????̃???? ???????????????? ????????????????????????????!
Pelo amor de Deus, QUE GOLAÇO da atual melhor do mundo ????
Espanha ???????? passando o carro em Portugal ???????? na Nations League. pic.twitter.com/XbpavPdgZS
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????¡AITANA DE NUEVO!
????11 minutos, 3 golazos, 2 de ellos de Aitana. Es para reflexionar…#NationsLeague #selecciónrtve
????El partido en DIRECTO a través de @La1_tve y: https://t.co/7mSOmZOX0f pic.twitter.com/0KSI6qyOPf
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Até ao intervalo, a incapacidade de chegar ao meio-campo contrário, ter bola ou criar ocasiões para explorar transições teve prolongamento mas Portugal contou com o baixar de ritmo da Espanha e com um par de boas intervenções de Patrícia Morais para estancar esse ritmo frenético do quarto de hora inicial. Alexia Putellas ainda deixou uma ameaça antes de fazer o 4-0 surgindo no espaço entre lateral e central à direita (28′), Pina teve um grande movimento travado com o pé pela guarda-redes portuguesa (29′) e a goleada teve números mais modestos do que se chegou a temer, naquele que estava a ser um autêntico recital a meio-campo de Bonmatí e Putellas que fazia depois toda a diferença no último terço a furar a frágil resistência nacional.
????¡ALEXIA DE MI VIDA!
Aparece la reina para hacer el cuarto en menos de media hora de partido. #NationsLeague
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????¡¡¡ALEXIAAAAA QUÉ HAS HECHO!!!
????Bienvenidos a la fiesta de la @SEFutbolFem #SelecciónRTVE #NationsLeague
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Francisco Neto procurava algo diferente que pudesse contribuir para uma nova imagem, trocando Andreia Faria e Ana Borges por Andreia Jacinto e Ana Capeta para testar um 4x3x3 em vez do 3x4x3 com um duplo pivô a meio-campo que pudesse travar o ascendente espanhol nesse setor mas foi por aí que a estratégia ruiu, com dois passes falhados em zona proibida a darem uma primeira oportunidade a Athenea defendida com os pés do Patrícia Morais (47′) e o 5-0 a Caldentey, numa recarga na área (47′). A Espanha acabara de abrir de novo uma Caixa de Pandora, mantendo o pé no acelerador até ao 6-0 de Alexia Putellas após assistência de Aitana Bonmatí com uma receção fantástica da esquerdina no Barça (51′). Esther González (60′) aumentou a vantagem antes de novo baixar de ritmo, que permitiu a Beatriz Fonseca uma estreia a marcar pela Seleção depois da assistência de Andreia Norton (71′) e fechar um pesadelo que não teria mais golos.
???? HIGHLIGHTS | #UWNL
???????? Spain 7️⃣ – 1️⃣ Portugal ????????
⚽ 1-0 | Salma (2')
⚽ 2-0 | Aitana (8')
⚽ 3-0 | Aitana (12')
⚽ 4-0 | Alexia (28')
⚽ 5-0 | Mariona (47')
⚽ 6-0 | Alexia (51')
⚽ 7-0 | Esther (60')
⚽ 7-1 | Fonseca (71')#JugarLucharYGanar pic.twitter.com/GQN4BlJO7F— Spanish Football (@SpainIsFootball) April 8, 2025