O conservador Karol Nawrocki venceu a segunda volta das presidenciais deste domingo na Polónia, com 50,89% dos votos, contra 49,11% do rival, o liberal Rafal Trzaskowski, após o escrutínio da totalidade dos votos, anunciou Comissão Eleitoral Nacional.

A corrida presidencial, fortemente disputada, manteve os polacos em suspenso desde a primeira volta há duas semanas, ansiedade que se prolongou longo da madrugada, revelando divisões profundas no país, flanco oriental da NATO e da União Europeia.

O resultado indica que a Polónia deverá seguir um caminho mais nacionalista sob o comando do seu novo líder, que foi apoiado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nawrocki sucederá a Andrzej Duda, um conservador cujo segundo e último mandato termina a 6 de agosto.

As primeiras projeções após o encerramento das urnas davam um resultado de empate técnico dada a margem de erro entre Rafal Trzaskowski e Karol Nawrocki. Num volte-face, depois de Trzaskowski — presidente da câmara de Varsóvia e candidato pro-europeu do Plataforma Cívica, o partido do governo de centro-direita de Donald Tusk — ter sido apontado como candidato mais próximo de vencer pela Ipsos, uma sondagem subsequente da mesma empresa colocou Nawrocki na liderança, com 50,7% face a 49.7%.

A primeira sondagem colocava Trzaskowski à frente com 50,3% dos votos, face aos 49,7% de Nawrocki, historiador nacionalista de pendor ultraconservador e alinhado com o partido populista Lei e Justiça (o PiS). Dado que a margem de erro era de 2%, era precoce afirmar com certeza qual será qualquer um dos vencedores. No entanto, de acordo com o The Guardian e o Politico, Trzaskowski reclamou logo uma vitória (que não se veio a verificar).

“Gostaria de agradecer a todos os polacos pelos seus votos… Espero que agora possamos avançar como um torpedo e pensar no futuro. Se tudo se confirmar, começaremos imediatamente a trabalhar”, afirmou aos apoiantes mal soube dos primeiros resultados.

No entanto, Nawrocki — que acabaria por sair vitorioso — não baixou os braços, tendo anunciado “vamos ganhar esta noite” e “vamos ganhar e salvar a Polónia”, à sua comitiva.

Estas eleições na Polónia assumem grande importância no panorama europeu ao colocar frente a frente candidatos que corporizam as grandes tendências da política continental nesta fase: europeísmo contra euroceticismo, institucionalismo contra populismo.

Como recorda a Reuters, Trzaskowski, de 53 anos, fez uma campanha baseada na promessa de ajudar o governo do primeiro-ministro Donald Tusk a concluir as reformas democráticas e reparar o dano causado às instituições sob o anterior governo nacionalista que perdeu o poder em 2023.

Nawrocki, pelo contrário, está alinhado com esse mesmo antigo executivo, defendendo controlos migratórios mais rígidos, valores conservadores e uma maior soberania em relação à União Europeia, com o candidato de 42 anos a posicionar-se na esteira do atual presidente da Polónia, Andrzej Duda.

Esta eleição de Karol Nawrocki constitui uma dor de cabeça para o primeiro-ministro, Donald Tusk, que lidera desde 2023 uma coligação de governo de amplo espetro ideológico – tão amplo que não foi capaz de cumprir algumas das promessas eleitorais do chefe do Governo, como a reforma da lei restritiva do aborto.

É expectável que Nawrocki venha reforçar a política de obstáculos que o seu antecessor já vinha a protagonizar em relação a Tusk, impedindo-o, por exemplo, de cumprir as promessas de reverter leis que politizaram o sistema judicial de uma forma que a União Europeia declarou ser anti-democrática.

Parece agora impossível que Tusk venha a ter condições de cumprir essas promessas, que fez tanto aos eleitores polacos como à União Europeia.

*Notícia atualizada às 6h50 de dia 2 de junho com os resultados finais