Aconteceu a 10 de junho de 2000 e é um dos capítulos mais bonitos da história da Seleção Nacional. Em Roterdão, na fase de grupos do Campeonato da Europa, Sérgio Conceição marcou três vezes e abateu a Alemanha num ano em que Portugal só caiu nas meias-finais contra França. A desilusão foi grande — mas nunca mais ninguém se esqueceu do hat-trick daquela que ainda era, até esta quarta-feira, a última vitória portuguesa contra os alemães.

Goste-se ou não, a noite das facas longas ainda vai ter de esperar (a crónica do Alemanha-Portugal)

Quase 25 anos depois, Francisco Conceição deixou bem claro que o sangue da família ferve sempre que o adversário é a Alemanha. O avançado da Juventus foi um dos primeiros jogadores lançados por Roberto Martínez na segunda parte, em conjunto com Nélson Semedo e Vitinha, e teve um impacto brutal no jogo. Empatou com um golo impressionante de fora de área, com um remate em jeito, e chegou a ficar perto de bisar com um lance muito semelhante e outro em que Ter Stegen fez uma enorme defesa, deixando Jonathan Tah com a cabeça em água sempre que acelerava.

De forma óbvia, até por ter feito o golo do empate que empurrou Portugal para a vitória, o jovem avançado fica muito ligado ao apuramento para a final da Liga das Nações e a uma segunda parte em que a equipa de Roberto Martínez deu um passo em frente e mostrou ser claramente superior à Alemanha. Francisco Conceição fez o segundo golo em dez internacionalizações, depois de se ter estreado a marcar no Euro 2024 contra a República Checa, e esta foi a segunda vez em que pai e filho marcaram pela Seleção ao mesmo adversário, depois José Águas e Rui Águas terem ambos marcado ao Luxemburgo (1961 e 1989).

Portugal não vencia a Alemanha há 25 anos, precisamente desde o hat-trick de Sérgio Conceição no Euro 2000, e conseguiu acabar com a maldição em Munique e evitando que os anfitriões disputassem o troféu em casa. A Seleção Nacional fica agora à espera do vencedor da outra meia-final, Espanha ou França, sendo que a Alemanha vai defrontar o derrotado também no domingo e em Estugarda, no jogo pelos 3.º e 4.º lugares.

“Sabíamos da dificuldade que era jogar contra uma equipa como a Alemanha, com muita qualidade individual. Foi um jogo equilibrado e depois a nossa qualidade veio ao de cima. Conseguimos superiorizar-nos e fazer a reviravolta, que era aquilo de que estávamos à procura. Podia ter marcado o segundo golo, sou muito assim. Fiz um bom golo, mas podia ter feito o segundo. Mérito do guarda-redes. Não ganhámos nada, só a passagem à final. Hoje consegui ajudar da melhor forma e quero continuar assim, a poder jogar e a poder ter minutos”, atirou Francisco Conceição, que foi eleito o melhor jogador em campo, depois do apito final.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 3.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui e o segundo aqui.]

De forma natural, o avançado de 22 anos foi questionado sobre os três golos que o pai marcou em 2000 e lembrou que a exibição de Sérgio Conceição nesse Campeonato da Europa é “um grande orgulho”. “Já vi esses golos muitas vezes e sabia que a última vez que ganhámos à Alemanha foi aí, há 25 anos, quando ele fez três golos. Só fiz um, mas valeu porque conseguimos a vitória”, atirou, garantindo que ainda não tinha tido tempo para falar com o pai.