A Polícia Judiciária deteve esta quarta-feira ao final do dia no aeroporto de Lisboa, quando este levantava um passaporte, o condutor do carro que atropelou um agente da PSP em São Domingos de Benfica na segunda-feira, depois de ter desobedecido a uma ordem de paragem na ponte 25 de Abril e ter encetado a fuga, que só terminou com a abordagem do polícia ferido. Após o atropelamento, três dos suspeitos que seguiam no carro fugiram a pé e a ocupante feminina acatou as ordens da polícia.

O casal que foi detido pela PSP na terça-feira no Algarve, por suspeitas de também serem ocupantes do carro que atropelou o agente, foi entretanto libertado, após terem sido entregues à Polícia Judiciária, explicou ao Observador uma fonte da PSP. O Observador apurou, junto de fonte da PJ, que o homem e a mulher intercetados naquele dia não tinham qualquer relação com o atropelamento em Lisboa.

“Não vou tecer comentários sobre o comunicado de imprensa emitido pela PSP. O que vos posso transmitir é que os elementos, o que foi detido e os outros que estão identificados [pela PJ], não são as pessoas que foram abordadas e identificadas pela PSP no Algarve“, assegurou esta quinta-feira João Oliveira, diretor da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da PJ, numa conferência de imprensa sobre o caso.

Reforçou ainda: “As pessoas identificadas pela PSP no Algarve não tiveram participação direta nos factos que temos em investigação. Não eram ocupantes da viatura quando o atropelamento aconteceu.”

A Judiciária, em comunicado, já tinha explicado que “as circunstâncias criminosas em que ocorreu o atropelamento brutal tiveram início com uma ação de controlo e fiscalização de tráfego rodoviário na praça da portagem da ponte 25 de Abril, em Almada”, referindo que após a ordem não ter sido acatada foi iniciada uma perseguição ao carro: “Durante o percurso de fuga o condutor do veículo efetuou uma condução em excesso de velocidade, assumindo a prática de manobras perigosas, que terminou numa estrada sem saída na zona de São Domingos de Benfica”.

Foi aí que o agente, que seguia numa mota, “ordenou que os ocupantes em fuga saíssem para o exterior a fim de serem abordados em segurança”.

“Nessa altura, o condutor resolveu efetuar uma manobra repentina de inversão de marcha, atropelando o agente da PSP e circulando com o veículo sobre o corpo da vítima. Manobras estas que provocaram lesões graves ao nível torácico e abdominal, provocando-lhe perigo para a vida”, adianta ainda a PJ em comunicado, referindo que alguns metros à frente, “os suspeitos decidiram abandonar o veículo e prosseguiram a fuga de modo apeado”.

Após o crime, a Judiciária conseguiu identificar os ocupantes do veículo em fuga, bem como “localizar e deter fora de flagrante delito o condutor, que se preparava para abandonar o território nacional”.

“Decorrem ainda diligências para localização dos outros dois ocupantes do veículo”, conclui o comunicado.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 3.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui e o segundo aqui.]

Agente da PSP hospitalizado, mas estável. Grupo de suspeitos na faixa etária dos 20 anos

A PJ esclareceu esta quinta-feira que no carro que atropelou o agente da PSP estavam três homens e uma mulher. “Um dos ocupantes da viatura, o elemento feminino, ficou no local, não se colocou em fuga e acatou as ordens policiais que lhe foram dadas”, revelou João Oliveira aos jornalistas.

“Os outros dois elementos foram identificados e logo que possível serão chamados aos autos, falta a sua localização”, acrescentou.

O jovem detido, de 21 anos, é um cidadão nacional, que vive em Portugal e que não te cadastro, revela a PJ. Os restantes ocupantes do carro têm idades a rondar a mesma faixa etária do principal suspeito.

Já em relação ao estado de saúde do agente da PSP que foi atropelado em serviço, João Oliveira disse que se encontra estabilizado e fora de perigo, mas recorda que sofreu ferimentos de muita gravidade.

O diretor da PJ revelou ainda que o carro envolvido no incidente era alugado e que, perante os elementos recolhidos pela investigação até agora, consegue avançar, com grande grau de probabilidade, que a fuga, que culminou no atropelamento, se deveu ao facto de os suspeitos “terem na sua passe uma arma e algum produto estupefaciente”. “Se tivessem parado e a polícia que estava a efetuar aquela ação tivesse feito a revista teria encontrado estas coisas”, acrescentou.

O principal suspeito deverá ser acusado de homicídio na forma tentada, sendo que ainda não foi sujeito a primeiro interrogatório e à aplicação de medidas de coação. Os restantes ocupantes do carro poderão ter responsabilidades criminais, mas não relativas à tentativa de homicídio. “O condutor é que tinha o domínio do veículo, [o crime] é da sua inteira responsabilidade”, afirmou João Oliveira.