De acordo com a guarda costeira dos EUA, a aproximadamente 500 km a sul de Adak, no Alaska, um navio de transporte de veículos foi abandonado pela tripulação, depois de um incêndio a bordo ter sido considerado fora de controlo. A embarcação em causa, denominada Morning Midas, é operada por uma empresa britânica, mas com bandeira da Libéria. A bordo tinha 3048 veículos e deslocava-se da China para o México, com o fogo a ser declarado no 8.º dia dos 19 expectáveis para a travessia do Oceano Pacífico.
O Morning Midas é um navio Ro-Ro — de roll in-roll out—, específico para o transporte de veículos, que embarcam e desembarcam a rodar pelos seus próprios meios. Possui 182,8 m de comprimento e 31,53 m de boca e foi construído em 1990 em Hamburgo, na Alemanha, anunciando um deslocamento de 5873 toneladas e 1640 toneladas de capacidade carga. O motor principal é diesel e debita 4956 cv, com um depósito de 360.000 litros de combustível. Na altura do incidente, no Pacífico Norte, o navio transportava 3048 veículos, dos quais 681 eram híbridos e 70 eléctricos.
Depois de tentarem por todos os meios combater o incêndio que deflagrou a 3 de Junho, cerca da meia-noite (UTC), a tripulação emitiu um pedido de SOS e refugiou-se nos salva-vidas, tendo sido resgatada pouco depois por outros navios que navegavam na zona. Já o Morning Midas continuou a emitir uma densa coluna de fumo, de acordo com a guarda costeira norte-americana.
Navio que se incendiou ao largo dos Açores afundou-se durante o reboque
Segundo os britânicos da Zodiac Maritime, que operam o navio, o incêndio a bordo do Morning Midas terá tido origem na secção do porão onde viajavam os veículos eléctricos chineses, sendo que os responsáveis não revelaram os construtores dos modelos envolvidos.
Este não é o primeiro incidente do género envolvendo veículos eléctricos a bordo de navios Ro-Ro, saltando à memória o incêndio que afundou o Felicity Ace ao largo dos Açores, em 2022, um navio similar ao Morning Midas. Neste caso sabia-se que a bordo iam 4000 veículos do grupo Volkswagen, com a seguradora a apontar a responsabilidade do incêndio à bateria de um eléctrico da Porsche, que em 2022 só poderia ser um Taycan. O risco acrescido do transporte de veículos com baterias recarregáveis já levou algumas companhias de transporte, como norueguesa Havila Kystruten, a recusar transportar este tipo de modelos.