Sem ter chegado à final four da Liga das Nações, caindo nos quartos de final contra a Alemanha, a última semana da seleção de Itália ocupou-se com o arranque da qualificação para o Campeonato do Mundo 2026. Mas não é por isso que tem sido menos atribulada: contando até com um despedimento anunciado pelo próprio despedido.
Mas é preciso voltar atrás. No primeiro dos dois primeiros jogos do apuramento para o Mundial, Itália fui surpreendentemente atropelada pela Noruega em Oslo, perdendo por 3-0 e deixando bem à vista todas as fragilidades da equipa. Este domingo, na conferência de imprensa de antevisão do encontro desta segunda-feira com a Moldávia, Luciano Spalletti não deu espaço à especulação: foi despedido depois do desaire e vai deixar de ser selecionador italiano no fim da partida contra os moldavos.
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“Gabriele Gravina [presidente da Federação Italiana de Futebol] informou-me que vou ser dispensado do cargo de treinador da seleção nacional após o jogo contra a Moldávia. Lamento, mas teria preferido ficar e tentar mudar as coisas. Tenho uma excelente relação com Gravina, mas tenho noção dos resultados negativos. Estarei no banco amanhã, contra a Moldávia, e depois darei o aval para rescindir o contrato. Com estes resultados, sei que criei problemas ao movimento do futebol italiano e lamento-o. Sabia que seria um desafio difícil, mas estava convencido de que poderia qualificar-nos para o Campeonato do Mundo”, explicou o treinador de 66 anos.
Luciano Spalletti chegou à seleção de Itália em agosto de 2023 para suceder a Roberto Mancini, que tinha conquistado o Euro 2020 dois anos antes. Garantiu o apuramento para o Euro 2024 apenas no playoff e, na competição que decorreu na Alemanha, caiu nos oitavos de final contra a Suíça. Seguiu-se a Liga das Nações, onde ficou no segundo lugar no Grupo 2 da Liga A atrás de França, e a eliminação nos quartos de final com a Alemanha, falhando a final four. Ao todo, nos 23 jogos em que comandou Itália — que serão 24 depois do último, esta segunda-feira –, Luciano Spalletti somou 11 vitórias, seis empates e seis derrotas.
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Entretanto e na antecâmara da despedida, o ainda selecionador italiano deu uma entrevista à Rai Sport onde garantiu que nunca lhe passou pela cabeça esconder que já tinha sido despedido quando surgiu na conferência de imprensa. “Se alguém da Federação quisesse estar lá comigo, tinha ido. Tudo ficou acordado com amizade e transparência, mas íamos mentir durante dois dias? Não vejo o porquê. Se me comunicam que algo está errado e tomam esta decisão, não podem esperar que fique numa condição que me desagrada, que é esconder. É uma questão de respeito em relação aos italianos”, começou por dizer, reiterando a ideia de que gostaria de ter continuado no cargo.
“Estou absolutamente convencido de que Itália vai ao Campeonato do Mundo. Não me demiti, mas tendo em conta que respeito as pessoas que me escolheram, vou assinar a rescisão. O dinheiro não será um problema, com a seleção nacional não se aplicam essas questões. Tenho uma boa relação com Gravina, pela forma como se comportou comigo. Ele tinha dúvidas sobre a minha continuidade e fez bem em dizer-me. Tornei a decisão pública porque não estava certo manter tudo em segredo durante dois dias. Vou preparar o jogo de forma ainda mais perfeita, assim como a palestra. E sei que os jogadores irão fazer tudo aquilo que puderem para que saia com uma boa vitória. Nunca disse nada contra os jogadores”, acrescentou.
Itália não se qualifica para um Campeonato do Mundo desde 2014, quando foi eliminada na fase de grupos no Brasil, falhando depois as fases finais de 2018 e 2022, na Rússia e no Qatar. De acordo a Gazzetta dello Sport, Claudio Ranieri é o favorito para suceder a Luciano Spalletti — ainda que o veterano treinador de 73 anos tenha garantido que iria terminar a carreira no fim da atual temporada ao deixar o comando técnico da Roma para assumir um papel consultivo nos giallorossi.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 4.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui]