Um carro em que seguiam cinco adeptos do FC Porto foi atacado quando o grupo se preparava para sair de Lisboa, depois de assistir a um jogo de hóquei contra o Sporting. O carro foi atacado por um grupo de homens — que a CNN diz serem adeptos do clube de Alvalade — com engenhos incendiários e ficou totalmente carbonizado. Dois adeptos sofreram queimaduras e foram transportados para o Hospital de Santa Maria. Outros dois ocupantes do carro foram assistidos no local.
A Polícia Judiciária (PJ) informou esta quarta-feira que deteve, fora de flagrante delito, três homens indiciados pela “prática de cinco crimes de homicídio qualificado na forma tentada, ofensas à integridade física qualificada, um crime de incêndio, de roubo e detenção e uso de armas proibidas”. Os detidos, suspeitos de atacar os ocupantes de um veículo automóvel, que circulava na zona da Alameda das Linhas de Torres, têm idades entre os 22 e os 26 anos e serão presentes a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação.
“Os suspeitos integravam um grupo mais alargado que praticou as agressões agora em investigação, estando na sua origem rivalidades entre adeptos de dois clubes desportivos“, destaca ainda a PJ, através de um comunicado, onde refere que no local do incidente foram “identificados e localizados alguns dos suspeitos, por elementos da PSP, que se encontravam no mesmo pavilhão, e, posteriormente, conduzidos para a esquadra da Benfica”.
“As investigações prosseguem com vista à identificação dos restantes membros do grupo”, acrescenta a PJ.
As imagens daqueles momentos, que começaram a circular nas redes sociais, mostram um grupo de cerca de 15 pessoas que rodeiam o carro e parecem agredir os ocupantes. O ataque, noticiado inicialmente pelo Correio de Manhã, visou os adeptos do FC Porto que seguiam em direção a norte por volta das 18h30. O carro encontrava-se na zona do Lumiar, em Lisboa, quando o grupo de atacantes se aproxima e começa a tentar desferir golpes contra os ocupantes. Num segundo momento, vê-se o que parecem ser tochas que os atacantes transportavam consigo a serem lançadas para o interior do carro.
O ataque aos adeptos do FC Porto:pic.twitter.com/fjhcssw9YZ https://t.co/mYnV8R67f0
— Dragão News ???????? (@DragaoNews1893) June 10, 2025
Os adeptos do FC Porto teriam estado a assistir ao jogo, a contar para campeonato, que opôs os dois clubes, no Pavilhão João Rocha (partida que o Porto viria a vencer, por 5-6). O ataque ocorre já depois do fim do jogo, por volta das 18h35, quando o grupo regressava a casa. Em poucos segundos, depois de ser atingido com as tochas, o carro é tomado pelas chamas e acaba por ficar totalmente destruído. Pelo meio, os cinco ocupantes conseguem sair do interior do carro, mas, segundo a CNN, dois dos adeptos do FC Porto acabaram por sofrer ferimentos e tiveram de ser transportados para o hospital para receber tratamento médico.
A car carrying five FC Porto fans was ambushed in Lisbon by around 40 Sporting CP fans and attacked with a pyrotechnic device or Molotov cocktail after a hockey match between the two clubs. Four were injured, two seriously. The attackers fled the scene.
[@ojogo] pic.twitter.com/M0YnMHGJ7L
— PortoReport (@PortoReport) June 10, 2025
A Polícia Judiciária já está a investigar os contornos do ataque e tenta chegar à identificação do grupo de atacantes. Ao Observador, fonte da PSP refere que três adeptos do Sporting “foram intercetados junto ao Pavilhão João Rocha” e vão ser levados para a esquadra de Benfica para serem formalmente identificados. São suspeitos de ter participado no ataque que deixou quatro adeptos do FC Porto feridos.
“Apenas por mero acaso este atentado cobarde não causou vítimas mortais”
Entretanto, os dois clubes já reagiram ao caso. No seu site, o Sporting “condena de forma veemente os atos de violência ocorridos esta tarde, em Lisboa, após o jogo de hóquei em patins, envolvendo adeptos do se do FC Porto”. O clube sublinha, ainda, que “não se revê nestes comportamentos, que atentam contra os valores do clube e desrespeitam o espírito do desporto” e acrescenta que “quem escolhe a violência como forma de expressão não representa o Sporting CP”, garantindo ainda que “colaborará ativamente com as autoridades no apuramento de responsabilidades e tomará todas as medidas necessárias para identificar os responsáveis”.
Frederico Varandas, que falou aos jornalistas em Leiria, na manhã desta quarta-feira, reforçou que “as pessoas que fazem e fizeram aquele ataque criminoso não respeitam os valores do clube e os valores do desporto e não devem ter lugar em nenhum recinto desportivo“.
“Mal soube do que aconteceu e como é público, o Sporting fez um comunicado. Esta é uma batalha desta direção desde que tomámos posse”, acrescentou o presidente do clube, ressalvando que a batalha não deve ser travada apenas pelos clubes. “Precisamos de ajuda do Governo“, apelou Varandas, afirmando que o Sporting “teve um ano fantástico desportivamente, com lições dadas pelos adeptos semana a semana e até nos festejos”.
“Não pode ser uma microminoria a prejudicar centenas de milhares de pessoas que têm apenas paixão. Este não é um problema exclusivo ao Sporting, é transversal aos ditos três grandes do futebol português. Nós não somos polícias, precisamos de ajuda do Governo para travar este fenómeno. Fazemos o nosso papel, que é reprovar e colaborar com as forças da autoridade para que estas pessoas sejam identificadas e não entrem nos estádios”, afirmou ainda.
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Também o FC Porto condenou aquilo que diz ter sido uma “emboscada por parte de adeptos do Sporting CP”. E descreve os acontecimentos desta tarde. “Enquanto tentavam iniciar a viagem de regresso à cidade Invicta, as viaturas em que estes portistas seguiam foram apedrejadas e alvo do arremesso de artefactos pirotécnicos. Os ocupantes só tiveram tempo para fugir antes de um dos veículos pegar fogo e ficar totalmente destruído.”
O clube diz que “apenas por mero acaso este atentado cobarde não causou vítimas mortais“. No mesmo comunicado, o clube “repudia veementemente os gravíssimos acontecimentos ocorridos em Lisboa, estando já em contacto com as vítimas deste ataque bárbaro, a quem informou que lhes será prestado todo o apoio no regresso a casa, bem como na assessoria jurídica necessária às participações cíveis e criminais que se considerem adequadas”.
O FC Porto diz que também já entrou em contacto com a Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto e a Federação de Patinagem de Portugal e garante que “irá até às últimas consequências para garantir que este caso não passa sem uma punição severa e exemplar para os criminosos nele envolvidos”.
“Repudio este ataque vil, bárbaro e cobarde, em todos os sentidos, contra os adeptos do FC Porto. É algo que não podemos fazer vista grossa (…) É uma tentativa de homicídio a adeptos do FC Porto feita na via pública”, afirmou André Villas-Boas, presidente do FC Porto, esta quarta-feira, nos EUA, onde a equipa que lidera vai disputar o Mundial de Clubes.
???? “Foi uma tentativa de homicídio a adeptos do FC Porto na via pública”
André Villas-Boas garante que o Clube “vai até às últimas consequências” e espera que os responsáveis “paguem forte pelos crimes que cometeram”.
— FC Porto (@FCPorto) June 11, 2025
“Felizmente para todos nós, tanto a Ministra Margarida Balseiro Lopes, como o Secretário de Estado Pedro Dias, a Polícia Judiciária e a Polícia de Segurança Pública trabalharam afincadamente para rapidamente encontrar os suspeitos”, acrescentou, afirmando que deseja que os responsáveis “paguem forte pelos crimes que cometeram”.
“São imagens violentas que entraram em muitas casas, por isso não nos chegam apenas os comunicados. Precisamos do apoio do Governo e dos órgãos de comunicação social para levar uma nova educação ao desporto e expulsar este tipo de comportamentos da sociedade”, afirmou ainda.
Junta do Lumiar lamenta “profundamente” incidente que agrava “perceção de insegurança”
A Junta de Freguesia do Lumiar lamentou “profundamente” o incidente ocorrido na terça-feira com adeptos de dois clubes, em Lisboa, que provocou dois feridos graves, condenando “qualquer ato de violência” e pedido reforço de segurança.
Em comunicado, o presidente da junta do Lumiar, Ricardo Mexia, eleito pelo PSD, diz lamentar “profundamente o incidente ocorrido ontem [terça-feira], na Alameda das Linhas de Torres, que resultou do arremesso de material pirotécnico contra um veículo, provocando dois feridos graves”.
Segundo Ricardo Mexia, a autarquia manteve desde o primeiro momento contacto direto com a Proteção Civil Municipal, acompanhando a situação, que se desenrolou naquela freguesia lisboeta, assegurando o apoio necessário às entidades envolvidas.
“Este tipo de violência é totalmente inaceitável e contribui para o agravamento da perceção de insegurança, não só na freguesia do Lumiar, como em toda a cidade de Lisboa”, pode ler-se na nota.
No comunicado, Ricardo Mexia acrescenta ainda que a junta “condena, de forma veemente, qualquer ato de violência” e expressa a “solidariedade para com as vítimas”, a quem deseja uma rápida e completa recuperação.
De acordo com o responsável, a junta tem mantido “uma articulação contínua com a PSP através de reuniões periódicas, acompanhando de perto todos os incidentes registados na freguesia”.
Ricardo Mexia refere também ter “solicitado o reforço de meios humanos e técnicos nas esquadras que servem o território do Lumiar”, bem como requereu à Câmara Municipal de Lisboa extensão do sistema de videovigilância à freguesia “como medida de prevenção e dissuasão”.