Os iranianos acordaram com um misto de medo e revolta na sequência dos ataques israelitas da madrugada desta sexta-feira. Em declarações à Reuters, Marziyeh, de 39 anos, que vive em Natanz, local onde houve ataques, contou que acordou com uma “explosão ensurdecedora”: “As pessoas na minha rua estavam a correr das suas casas em pânico, estávamos todos com medo. Estou profundamente preocupada com as minhas crianças, caso a situação escale.”
Muitos iranianos, na manhã desta segunda-feira, foram a correr para multibancos levantar dinheiro. Um bancário na reforma de 51 anos, Masoud Mousavi, afirmou à Reuters que foi “comprar lira turca” para poder sair do Irão “com a família” por terra em breve. “Estou contra qualquer guerra. Qualquer ataque que mate pessoas inocentes. Vou ficar na Turquia até que esta situação acabe.”
O homem natural da cidade de Shiraz sente também revolta pela forma como Israel agiu. E considera que o Irão tem de responder a Telavive: “Ou nos rendemos e eles destroem os nossos mísseis, ou temos de os lançar. Não há outra opção”, disse.
Apesar de receio que muitos sentem pelo escalar da situação, os iranianos acreditam que o país deve retaliar contra Israel. “Como iraniano, eu penso que deve haver uma resposta esmagadora contra Israel, uma resposta dolorosa”, indicou à France24 o reformado Ahmed Moadi. “Por mais quanto tempo vamos viver com medo?”, perguntou, mostrando-se pouco esperançoso no processo de negociações com os Estados Unidos. “O que há mais para negociar?”
Também à France24, Abbas Ahmadi opinou que o regime não deve “abordar os sacanas gentilmente”: “Não os devemos deixar assustar mulheres e crianças assim para acabarmos como Gaza”. “O Irão deve destrui-los, deve fazer alguma coisa. Não devemos prescindir da oportunidade de agir.”
O engenheiro de 41 anos, Mehran Ghorbani, expõe ao portal intellinews o motivo da revolta de muitos iranianos. “Enquanto os nossos dirigentes estão em negociações, somos alvos de sanções e vimos guerra a ser declarada contra nós”, desabafou, aludindo ao processo negocial que está em curso com os EUA para debater o programa nuclear iraniano.
Ao mesmo portal, a jornalista de 39 anos Zahra opina que as “negociações claramente mostraram que não vão resultar em nada significativo”. “Espero que esta derrota pesada que sofremos vá ser propriamente endereçada desta vez.”
Mesmo assim, alguns iranianos temem o que pode acontecer se o Irão responder com força contra Israel. A professora na reforma de 64 anos, Fariba Besharati, recordou que os iranianos “têm sofrido muito” recentemente, referindo-se às dificuldades económicas que o Irão tem atravessado. “Eu não apoio o ataque de Israel e eu entendo que os líderes do Irão sintam a necessidade de retaliar”, assinala à Reuters, questionando depois o que vai acontecer à população: “Já não sofremos o suficiente?”
“O preço que estamos a pagar é demasiado alto. E agora, um ataque militar, não, eu não quero mais miséria”, criticou, por sua vez, a professora Mohammadreza, de 29 anos, à Reuters.
No entanto, entre os iranianos, houve quem não ficasse desagradado com os ataques de Israel. Entre os opositores contra o regime, uma mulher desabafou com o Iran Internacional que agradeceu a Israel e ao “tio [Benjamin] Netanyahu” pelo que fez na noite de quinta-feira.
“Disseram ao Irão que o Irão é nada. Mostraram a uma potência regional que três dos seus comandantes de topo foram mortos num simples ataque. Eu quero que as pessoas saiam às ruas e se unam para derrubar este governo sedento de sangue”, destacou a mulher.