As autoridades norte-americanas identificaram Vance Boelter como o atirador suspeito dos assassinatos da congressista norte-americana Melissa Hortman e do marido, que ocorreu na casa do casal nos subúrbios de Minneapolis. O homem de 57 anos trabalhava como diretor do serviço de patrulhas de uma empresa que realiza segurança privada a habitações. De acordo com informações encontradas nos seus perfis em plataformas digitais, Boelter liderou associações religiosas e tinha realizado missões como missionário para tentar persuadir “militantes islâmicos” à conversão à fé cristã, de acordo com o The Washington Post.
Vance Luther Boelter vestia uma farda de agente da polícia e uma máscara quando atacou os dois casais de políticos democratas do Estado do Minnesota, nas primeiras horas de sábado. Antes de se dirigir à casa da congressita Hortman, passou pela residência de John Hoffman, tendo disparado vários tiros sobre o senador estadual e a mulher. Ambos os membros do casal receberam assistência médica depois de terem ficado feridos. Estarão, ainda assim, livres de perigo.
Depois do segundo ataque, o atirador abriu fogo sobre as autoridades policiais que o esperavam à porta da casa da congressista Hortman. Entretanto, o FBI anunciou uma recompensa de 50 mil dólares para qualquer informação que leve à detenção de Boelter. O homem acabou por ser detido depois de uma operação de 43 horas.
Boelter foi treinado por militares e esteve destacado no Médio Oriente
O suspeito trabalhava para uma empresa de segurança privada que realiza serviços de proteção armada de habitações, operando na área metropolitana das cidades de Minneapolis e Saint Paul. De acordo com o site da empresa Praetorian Guard Security Services, Boelter era o diretor das patrulhas de segurança.
O perfil disponível online conta que o atirador foi treinado por militares das forças armadas norte-americanas e esteve destacado na Europa de leste, em África, na América do Norte e no Médio Oriente, incluindo na Cisjordânia, no sul do Líbano e na Faixa de Gaza, para prestar assistência em situações de insegurança.
A presença digital de Vance Boelter indica que teve, ao longo dos últimos anos, várias ligações a grupos religiosos. O The Washington Post teve acessos a documentos fiscais que indicam que o atirador foi o presidente de duas associações religiosas sem fins lucrativos. No site, entretanto arquivado, de uma delas, a Revoformation Ministries, é possível encontrar um perfil de Boelter que o classifica como “reverendo”, assinalando que foi ordenado para a posição em 1993.
“Antes do 11 de Setembro, Vance há tinha feito várias viagens a zonas violentas da Faixa de Gaza e da Cisjordânia onde estavam a ocorrer bombardeamentos suicidas”, lia-se no site. “Ele procurava militantes islâmicos para poder partilhar o evangelho e lhes dizer que a violência não é resposta.”
No perfil de LinkedIn do suspeito é possível encontrar informação semelhante sobre a atividade religiosa do atirador. Boelter esteve várias vezes em África com o intuito de espalhar a fé cristã, nomeadamente na República Democrática do Congo (RDC), onde trabalhou como CEO de uma empresa. Esse cargo levou-o a viajar várias vezes para Washington D.C. onde se encontrou com o embaixador da RDC nos EUA.
Ao longo dos últimos 25 anos, Vance Boelter trabalhou para vários grupos alimentares, incluindo Nestlé, Gerber, Johnsonville Sausage e Del Monte. O atirador foi por duas vezes nomeado para a administração de um grupo de trabalho promovido pelos governadores do Minnesota, que tem como objetivo o desenvolvimento do Estado. Após ter sido nomeado, em 2016, pelo democrata Mark Dayton, foi, em 2019, apontado pelo candidato a vice-presidente nas presidenciais de 2025, Tim Walz.
O manifesto anti-aborto encontrada na carrinha com matrícula da polícia
No veículo do atirador, as autoridades norte-americanas encontraram “indicações” daquilo que pode ter levado Boelter a realizar os ataques, admitindo que ainda é cedo para avançar definitivamente com um motivo. Foi encontrada uma lista que incluía nomes de ativistas pró-aborto em Minnesota e políticos democratas que tinham defendido esta causa publicamente.
Também foram encontrados panfletos com a inscrição “No Kings”, que é o nome do movimento que organizou manifestações em mais de 1.800 cidades norte-americanas no sábado, protestando contra o “autoritarismo” da administração de Donald Trump. As manifestações marcadas para Minneapolis foram canceladas depois dos ataques.
Para o local dos ataques, Boelter levou uma carrinha preta que tinha alterado para que parecesse um veículo da polícia. A carrinha tinha luzes de emergência similares às das autoridades e uma matrícula com a inscrição “POLICE”. Jenny Boelter, a mulher do suspeito, está também registada como agente de segurança da Praetorian Guard.
Notícia atualizada às 8h com a informação da detenção de Vance Boelter