Tudo decorre dentro da normalidade… menos na UAE Team Emirates. Ao segundo dia de competição na Suíça, o terreno acidentado não provocou grandes mudanças na classificação geral, ainda que o camisola amarela Romain Grégoire (Groupama-FDJ) tenha aproveitado para bonificar um segundo. No final, Vincenzo Albanese (EF Education-EasyPost) foi o mais rápido no sprint de Schwarzsee e venceu pela primeira vez enquanto ciclista profissional. João Almeida (Emirates) até perdeu quatro posições, caindo para o 29.º lugar, e continuou a mais de três minutos da liderança.

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Se esta segunda etapa teve o condão de ter pouca história e impacto na corrida, o mesmo não se pode dizer do que aconteceu no seio da equipa do português. Depois de, na véspera, na etapa inaugural, o líder ter perdido o contacto com o grupo da frente na fase inicial da corrida, o que resultou numa perda superior a três minutos, esta segunda-feira ficou marcada pela polémica. Na aproximação à meta, António Morgado perfilava-se como o principal candidato da Emirates e, como tal, foi colocado e protegido pela equipa, com Mikkel Bjerg a assumir-se como o seu principal escudeiro. Contudo, essa opção não demoveu Jan Christen de tentar a sua sorte e atacar, sem sucesso. No final da etapa, o dinamarquês não gostou da atitude do suíço e criticou-o em declarações à televisão dinamarquesa.

“Fiquei muito surpreso que ele [Christen] tenha atacado. É bom ver que ele tem boas perna. É uma pena que ele não consiga descobrir como ajudar o resto da equipa, mas é assim”, lamentou Bjerg, numa mensagem mais para dentro do que para fora, mas que promete ter impacto no desenrolar da competição, e em que lembrou a queda sofrida pelo jovem companheiro na primeira etapa. Noutro ponto, Almeida reconheceu que a desvantagem é “grande”, mas ainda acredita que pode chegar à vitória. “Acho que é muito difícil de diminuir a vantagem, mas as estatísticas não vencem corridas e isso é a prova. Ontem [domingo] eu era o favorito, mas etapas como essa alteram completamente a corrida. Vamos continuar a fazer o nosso melhor, mas não será fácil vencer”, assumiu.

Esta terça-feira realizou-se mais uma etapa de altos e baixos, com as contagens de montanha a aparecerem na parte final. O percurso entre Aarau e Heiden teve 196,5 quilómetros e quase três mil metros de desnível acumulado, com poucos momento de descanso. Nos últimos 40 quilómetros, o pelotão teve pela frente a subida de Meistersrüte, com três quilómetros de extensão e uma pendente média de 5,2%, bem como Knolhusen (5,2 km a 6,2%). Por fim, a subida de Büriswilen (2 km a 6,7%), com rampas superiores a 12%, prometia fazer diferenças entre os homens da geral, com João Almeida a ter a primeira oportunidade para reverter a desvantagem. Apesar de não ser categorizada, a subida final, para Heiden, contou com segmentos de 8% de inclinação.

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A primeira fase da etapa foi pautada pela fuga de Emiel Verstrynge (Alpecin-Deceuninck), Nans Peters (Decathlon AG2R La Mondiale), Samuele Battistella e Max Walker (EF Education), Quinn Simmons (Lidl-Trek) e Brent van Moer (Lotto), mas a vantagem do sexteto pouco passou dos dois minutos, dado o controlo das equipas com aspirações à geral. Na parte final, Simmons isolou-se e Christen atacou pelo segundo dia consecutivo, mesmo depois de passar parte da etapa no fundo do pelotão e junto ao carro do médico. Apesar dos ataques e da corrida totalmente em aberto, o norte-americano continuou na frente e foi o mais rápido em Heiden, somando a terceira vitória na presente temporada, numa etapa em que esteve 193 quilómetros em fuga. Almeida atacou no último quilómetro e cortou a meta no segundo lugar, a 18 segundos, à frente de Oscar Onley (Picnic PostNL) e Grégoire, ganhando seis segundos ao líder.

Na geral, o top 10 manteve-se praticamente inalterado, com Romain Grégoire a segurar os 25 segundos de vantagem para Kévin Vauquelin (Arkéa-B&B Hotels) e os 27 para Bart Lemmen (Visma-Lease a Bike). Com as bonificações, João Almeida subiu 12 posições e é agora 17.º classificado, a 3.17 do francês e a 1.40 de entrar nos dez primeiros.