A Sword Health, unicórnio com ADN português, captou uma ronda de investimento de 40 milhões de dólares (aproximadamente 35 milhões de euros, à taxa de conversão atual), o que eleva a sua avaliação para os 4 mil milhões de dólares. O anúncio do financiamento, feito esta terça-feira, vem acompanhado da apresentação de uma solução de saúde mental com inteligência artificial: o Mind.
O lançamento da nova solução, que combina a inteligência artificial com especialistas clínicos para “garantir o acesso aos melhores cuidados”, estabelece a expansão da plataforma AI Care da empresa para uma nova área, a saúde mental. Em comunicado, a Sword Health explica que o Mind, disponível 24 horas por dia/sete dias por semana, “redefine a prestação de cuidados de saúde mental e oferece apoio sempre que os pacientes precisam, não apenas quando têm uma consulta marcada”.
A funcionalidade tem três componentes: o Phoenix, um agente de inteligência artificial que foi desenvolvido para “tratar condições de saúde mental de forma abrangente, personalizada e holística”; o M-band, um dispositivo que se coloca no pulso e que “capta o contexto ambiental e fisiológico do paciente, detetando precocemente sinais de depressão e ansiedade, de forma a permitir uma intervenção proativa”; e profissionais clínicos, especializados na área de saúde mental, que trabalham em conjunto com a IA no acompanhamento contínuo do paciente.
Em resposta ao Observador, a Sword Health explica que a solução funciona com uma aplicação, através da qual o paciente pode “interagir com os especialistas, aceder a exercícios personalizados, explorar recursos, agendar sessões e acompanhar o seu progresso”, e com o M-band.
▲ O Mind está disponível 24 horas por dia/sete dias por semana
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“Transformámos a prestação de cuidados de saúde desde o zero, substituindo um modelo centenário e intensivo em recursos humanos por IA que elimina barreiras ao acesso a cuidados de excelência para todos os que deles precisam”, afirma Virgílio Bento, fundador e CEO da Sword Health, que descreve o investimento captado como um “marco”.
O montante angariado permite, continua Virgílio Bento, “aprofundar a investigação em IA de base” e acelerar a “expansão para novas áreas, como a saúde mental — um setor ainda dominado por modelos ineficazes e pouco escaláveis — assegurando cuidados verdadeiramente transformadores aos milhões de pessoas em todo o mundo que enfrentam desafios de saúde mental”, tal como a empresa já fez “com milhões de pacientes que sofriam de dor física”.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 5.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]
A ronda de financiamento foi liderada pela General Catalyst, que tem vindo a apoiar o unicórnio ao longo do seu percurso, e contou com a participação da Khosla Ventures e da Comcast Ventures, bem como de cinco investidores portugueses (Lince Capital, Oxy Capital, Armilar, Indico Capital e Shilling). A Sword Health indica que “valor angariado servirá para acelerar a estratégia de fusões e aquisições, apoiar a expansão global e reforçar o desenvolvimento contínuo de modelos de IA em todas as principais áreas dos cuidados de saúde”.
O Observador pediu mais pormenores relativamente aos objetivos à empresa, que adianta estar a “explorar ativamente oportunidades de fusões e aquisições”, relembrando que a compra mais recente foi a da Surgery Hero, no Reino Unido, no início deste ano. “Esta ronda vai permitir continuar a reforçar a nossa expansão global, de forma a chegarmos a cada vez mais pacientes em todo o mundo – de momento, a Sword conta com mais de 500.000 pacientes em três continentes e 6,5 milhões de sessões de IA realizadas desde 2020 – e impulsionar o investimento em R&D [pesquisa e desenvolvimento, em português] e em novas soluções de saúde, que anunciaremos em breve”, acrescenta o unicórnio.
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Os anúncios feitos esta terça-feira seguem-se a um outro que a tecnológica tinha feito na semana passada, quando revelou ter sido escolhida, em parceria com a Nvidia, pela maior unidade hospitalar do sistema nacional de saúde do Reino Unido (o Guy’s and St Thomas’ NHS Foundation Trust) para integrar uma iniciativa para alterar o funcionamento dos cuidados de saúde nesse país.
A iniciativa, intitulada PATH — Proactive & Accessible Transformation of Healthcare, pretende, através da integração de tecnologias como machine learning e inteligência artificial generativa, “transformar a prestação de cuidados” no sistema nacional de saúde britânico, tornando-o “mais proativo, coordenado e eficiente”. O objetivo é “conseguir um modelo de saúde mais responsivo, com acesso atempado, sem comprometer a qualidade nem os aspetos humanos da prestação de cuidados”.