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Planeada há meses e em segredo, a operação Midnight Hammer [Martelo da Meia-Noite, em português] — levada a cabo pelos EUA contra três instalações nucleares iranianas na madrugada de domingo (final de noite em Portugal continental) — envolveu 125 aeronaves norte-americanas, 14 bombas GBU-57 de 15 mil quilos, e mais de 24 mísseis de cruzeiro Tomahawk disparados a partir de um submarino.
A operação militar em larga escala preparada ao durante “meses” e “sem o mundo saber” durou apenas 25 minutos e não encontrou qualquer resistência por parte das forças iranianas, segundo explicou o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e também o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, numa conferência de imprensa no Pentágono. De acordo com os dois responsáveis, a operação foi “um sucesso” e danificou “severamente” as infraestruturas iranianas.
Ao todo, a operação das forças armadas norte-americanas mobilizou 125 aeronaves, incluindo 7 bombardeiros furtivos B-2 Spirit, capazes de transportar as bombas GBU-57, as únicas que conseguem destruir alvos a elevada profundidade. Para além dos B-2, foram empenhados nesta missão vários aviões de 4.ª e 5.ª geração (caças F-22 e F-35) bem como dezenas de aviões de reabastecimento e de aviões de reconhecimento e supervisão. Os ataques aéreos visaram duas infraestruturas nucleares iranianas: a de Fordow e a de Natanz, esclareceu o chefe do Estado-Maior Conjunto. Já o complexo nuclear de Isfahan foi atingido por mais de 25 mísseis Tomahawk lançados a partir de um submarino. No total, foram usadas 75 armas de precisão, segundo o Pentágono.
Ataques danificaram “severamente” as infraestruturas nucleares iranianas, garante o Pentágono
Segundo o secretário da Defesa dos EUA, os ataques foram um “enorme sucesso” e permitiram “devastar o programa nuclear iraniano”. “As informações preliminares dos danos causados indicam que os três complexos [nucleares] ficaram severamente danificados”, afirmou, por seu lado, o general Dan Caine, acrescentando que, no total, os ataques ao Irão, a partir do ar e do mar, duraram apenas 25 minutos. Decorreram entre as 18h40 e as 19h05 (horas de Washington DC, madrugada em Teerão e final da noite em Lisboa).
O responsável falou de uma “missão complexa e de alto risco levada a cabo com disciplina” pelas forças armadas dos EUA, “desenhada para degradar significativamente as infraestuturas com armas nucleares do Irão”. A operação Midnight Hammer, que foi preparada ao longo de vários meses, foi classificada como “altamente confidencial”, com “poucas pessoas em Washington informadas sobre o timing e a essência do plano”, sublinhou Dan Caine. O chefe do Estado-Maior Conjunto revelou que o objetivo, aparentemente alcançado, era “degradar significativamente as infraestruturas nucleares do Irão”.
No que diz respeito à parte operacional, Caine explicou que entre a meia noite de sexta-feira e sábado de manhã, um grupo de aviões bombardeiros B-2 descolou do território dos EUA, “como parte de um plano para manter a surpresa tática”. Esse grupo seguiu para Oeste, em direção ao Pacífico. Um outro grupo de sete B-2 (que acabaria por ser empenhado no ataque) seguiu para leste “com comunicações reduzidas ao mínimo durante 18 horas de voo”. Esta foi, de resto, a segunda missão mais longa com bombardeiros B-2 da história, só superada pela realizada nos dias seguintes ataque do 11 de setembro de 2001, revelou o responsável máximo pelas forças armadas dos EUA.
O que são os bombardeiros estratégicos B-2 e bombas GBU-57 com os quais os EUA atacaram o Irão?
Os sete B-2 que partiram para leste desde a Base Aérea de Whiteman, no Missouri, cruzaram a Europa a partir do sul da Península Ibérica e reabasteceram várias vezes (segundo a Lusa, mais de uma dezena de aviões reabastecedores estiveram estacionados na Base das Lajes nos Açores). O outro grupo de aviões B-2 manteve um comportamento semelhante, numa técnica de engodo, voando sob o Pacífico. Pouco antes do grupo de bombardeiros entrar no espaço aéreo do Irão, um submarino americano lançou mais de duas “dúzias de mísseis de cruzeiro de ataque terrestre Tomahawk contra alvos-chave de infraestrutura de superfície em Isfahan (onde estarão guardados os mísseis balísticos), enquanto o grupo de ataque entrava no espaço aéreo iraniano”, acrescentou.
Irão não ofereceu resistência e não há registo de nenhuma ataque contra as forças dos EUA
Nesta fase, os Estados Unidos empregaram diferentes táticas de distração, incluindo engodos, “enquanto as aeronaves de quarta e quinta geração avançavam na frente do grupo de ataque a alta altitude” ,protegendo os aviões B-2 de caças inimigos e ameaças de mísseis terra-ar. “Enquanto o grupo de ataque se aproximava de Fordow e Natanz, o grupo de proteção assegurou-lhe paragem segura“, revelou Dan Caine.
Neste momento, ficou claro que o Irão não ofereceu resistência ao ataque norte-americano. “Não temos registo de quaisquer projéteis disparados contra as nossas forças. Os aviões iranianos não voaram e parece que os sistemas de mísseis terra-ar não nos viram”, disse o chefe do Estado-Maior Conjunto. Sem oposição, os B-2 cumpriram a missão previamente delineada: lançaram duas bombas GBU-57 sobre o “primeiro de vários objetivos em Fordow”, sendo que “as restantes bombas também atingiram os alvos, num total de 14 bombas de 15 mil quilos”. É a primeira ação militar da história em que foram usadas estas armas.
Só depois, foram lançados os mísseis Tomahawk contra o complexo nuclear de Isfahan, de modo a “garantir que o elemento surpresa fosse mantido durante toda a operação”.
“Nenhuma outra força militar no mundo poderia ter feito algo assim”, congratulou-se Dan Caine, acrescentando que “as unidades permanecem em alerta total e preparadas para responder a uma retaliação iraniana ou dos seus proxies [os grupos armados apoiados pelo Irão na região]”.