O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou neste domingo que “a liberdade nunca esteve tão ameaçada” desde o fim da II Guerra Mundial, em 1945, e “nunca a paz” na Europa “dependeu tanto das decisões atuais” dos governantes.
Num discurso dirigido às Forças Armadas, na véspera da Festa Nacional Francesa, Macron evocou os “imperialismos e as potências de anexação”, como a Rússia, que invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, e lamentou que os Estados Unidos tenham “acrescentado uma espécie de incerteza”.
“Nunca como hoje a paz no nosso continente dependeu tanto das nossas decisões atuais”, disse.
Segundo o chefe de Estado francês, a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial está cada vez mais fragilizada e, “como não há mais regras, prevalece a lei do mais forte”.
Para Emmanuel Macron, a França necessita de “enfrentar muitos desafios para se manter livre, dona do seu destino”. Contudo, “para ser temido, é preciso ser poderoso”, assinalou.
No discurso, segundo os jornais franceses, Macron anunciou um reforço do orçamento da defesa, face “às múltiplas ameaças”. A lei de programação militar tem inscrito um orçamento de 413 mil milhões de euros entre 2024 e 2030, com aumentos anuais de 3 mil milhões para atingir os 64 mil milhões em 2030. Mas este objetivo terá de ser alcançado em 2027, o que pressupõe duplicar o orçamento face ao que tinham em 2017, precisou o Presidente francês.
Por isso quer mais 3,5 mil milhões em 2026 e outros 3 mil milhões suplementares no ano seguinte. “Este novo e histórico esforço é proporcional, é credível e é indispensável”, atirou. Por isso será apresentada uma atualização à lei de programação militar no outono no Parlamento francês, apelando “à responsabilidade”.
Segundo Macron, os recursos adicionais destinam-se a financiar reservas de munições, armas de precisão, ‘drones’, “capacidades espaciais”, mas também o “equipamento necessário no dia-a-dia para que as operações sejam realizadas”.
Os fundos suplementares serão também utilizados para aumentar a defesa em terra e no ar e a guerra eletrónica.
Aos militares, o Presidente francês prometeu melhores salários.
“Para sermos livres neste mundo, temos de ser temidos. Para sermos temidos, temos de ser poderosos”, referiu, insistindo que a França pode encontrar dinheiro para gastar mais com as Forças Armadas mesmo quando tenta reduzir a dívida.
Os partidos conservadores e de extrema-direita têm apoiado maiores gastos em defesa, enquanto os partidos de esquerda acusam o Governo de sacrificar benefícios sociais em prol de gastos militares.