Um bombardeamento israelita atingiu, nesta quinta-feira, a única igreja católica na Faixa de Gaza – uma igreja com a qual o Papa Francisco, antes de morrer, mantinha um contacto telefónico praticamente diário. Depois de garantir que o ataque que atingiu a única igreja católica em Gaza apenas tinha feito feridos, o patriarcado local admitiu, afinal, as informações iniciais de que morreram duas pessoas.
As primeiras informações relacionadas com este incidente diziam, citando fontes hospitalares, que duas mulheres tinham morrido. Mas o Patriarcado Latino de Jerusalém veio, entretanto, garantir que o bombardeamento tinha ferido várias pessoas mas não tinha causado mortes.
“A Igreja da Sagrada Família em Gaza foi atingida por um ataque esta manhã. Há vários feridos no local, incluindo o pároco, o padre Gabriel Romanelli“, informou o Patriarcado em comunicado citado pela agência Reuters onde se confirma que a igreja sofreu vários danos.
Contactado pela Reuters, o Vaticano não respondeu, para já, a um pedido de comentário. Já as Forças de Defesa de Israel (IDF) disseram estar a investigar o assunto.
O padre Romanelli, que é argentino, costumava atualizar regularmente o Papa Francisco sobre o desenvolvimento do conflito israelo-palestiniano e da guerra em Gaza. De acordo com a agência de notícias italiana ANSA, sofreu ferimentos nas pernas, mas é considerado um dos feridos ligeiros do incidente.
In a deeply shocking incident, an Israeli drone strike targeted the #Church of the Latin Convent in the heart of #Gaza City. Since October 7, 2023, the church represents a vital sanctuary for hundreds of displaced Palestinians. pic.twitter.com/IAOzIa9Pvd
— Palestine International Broadcast (@PBI_PS) July 17, 2025
Logo após as primeiras notícias do incidente, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, culpou Israel pelo ataque. “Os ataques contra a população civil que Israel tem vindo a realizar há meses são inaceitáveis. Nenhuma ação militar pode justificar tal atitude”, disse a chefe do governo italiano em comunicado.
Desde o início da guerra entre o Hamas e Israel, estão refugiados na Igreja da Sagrada Família cerca de 500 cristãos católicos que vivem em Gaza, onde recebem mantimentos, alojamento, comida e medicamentos. “Sente-se o seu silêncio”, disse o padre Romanelli após a morte do Papa Francisco, em abril. “Mas temos que supor que agora que está com Jesus vai trazer-nos paz”, acrescentou.
O padre argentino lembrou, nessa altura, que Francisco sempre procurou promover a paz e a resolução do conflito, bem como a libertação dos reféns e a entrada de ajuda humanitária em Gaza. “Dizia: ‘obrigado pelo que fazem, cuidem dos jovens e dos mais idosos. [Desde o início da guerra] tivemos altos e baixos. Vamos ter saudades dele, mas cabe-nos continuar a ajudar”, rematou, antes de deixar uma mensagem de esperança: “Não há guerras eternas”.