Siga aqui o artigo em direto sobre a morte do Papa Francisco

Eram quase oito da noite em Gaza, no último sábado, quando, como habitualmente, um telemóvel da Igreja da Sagrada Família, a única paróquia católica do enclave, tocou. Era o Papa Francisco, que falou com os palestinianos — tal como o fez todas as noites desde o início da guerra.

“A última vez que [Francisco] ligou foi no sábado. Habitualmente ligava pelas 20h da Palestina, nesse dia telefonou antes porque o padre Youssef disse que ia começar a missa [onde se celebra a ressurreição de Cristo] que é demorada. Disse que rezava por nós e agradeceu as nossas orações”, explicou comovido o padre Gabriel Romanelli, argentino tal como o Pontífice que morreu esta segunda-feira, pelas 7h35 de Roma.

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Desde o início da guerra entre Hamas e Israel, estão refugiados na Igreja da Sagrada Família 500 cristãos católicos que vivem em Gaza, onde recebem mantimentos, alojamento, comida e medicamentos. “Sente-se o seu silêncio”, diz Romanelli, “mas temos que supor que agora que está com Jesus vai trazer-nos paz”.

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Francisco fazia videochamadas, por WhatsApp, diárias com Gaza e conversava com os palestinianos, com o padre argentino (que chegou a estar retido em Jerusalém quando começou a guerra) e com o padre Youssef, também da paróquia. Desde a sua residência em Santa Marta — ou no hospital, no último internamento, quando já se sentia melhor — ouvia os apelos dos católicos, deixava mensagens de esperança e perguntava pela comida, revela Romanelli em entrevista a uma televisão argentina.

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“O Papa chegou a ser um pároco mais da paróquia da Sagrada Família. Ele ligava todos os dias, às vezes mais do que uma vez, porque as chamadas caíam. (…) As pessoas estão muito comovidas. É um grande consolo que todos o tenham visto [no domingo de Páscoa]”, continuou. Nas redes sociais, tem sido partilhado um vídeo que mostra uma das videochamadas do Pontífice com Youssef.

O padre argentino lembra que Francisco sempre procurou promover a paz e a resolução do conflito, bem como a libertação dos reféns e a entrada de ajuda humanitária em Gaza. “Dizia: ‘obrigado pelo que fazem, cuidem dos jovens e dos mais idosos. [Desde o início da guerra] tivemos altos e baixos. Vamos ter saudades dele, mas cabe-nos continuar a ajudar”, rematou, antes de deixar uma mensagem de esperança: “Não há guerras eternas”.

“Perdemos um santo que nos ensinou todos os dias a sermos corajosos, a mantermos a paciência e a força. Perdemos um homem que lutou todos os dias, em todas as direções, para proteger este seu pequeno rebanho”, disse George Antone, líder da equipa de emergência da paróquia, à Reuters.

Nem na última mensagem, no Angelus do Domingo de Páscoa, Francisco esqueceu a “martirizada Palestina”. “Que a paz chegue finalmente à martirizada Ucrânia, à Palestina, a Israel, à República Democrática do Congo, a Myanmar, ao Sudão do Sul. Que Maria, Mãe das Dores, nos obtenha esta graça e nos ajude a viver com fé a Semana Santa”, escreveu na mensagem ‘Urbi et Orbi’, lida pelo arcebispo Diego Ravelli.

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