A ministra da Saúde sublinhou esta terça-feira que tirar consequências políticas sobre situações como a das mortes ocorridas durante a greve de técnicos de emergência pré-hospitalar, em outubro do ano passado, significa “resolver problemas e não atirar a toalha ao chão”. Ana Paula Martins falava ao país depois de serem conhecidas conclusões da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) sobre mais três das 12 mortes.
“Todos os dias o INEM recebe, em média, 4.434 chamadas e presta socorro a 4.100 pessoas. Destas, perto de 800 são doentes graves de prioridade máxima. Tirar consequências políticas de situações semelhantes às passadas, significa como tenho sempre dito, resolver os problemas e não atirar a toalha ao chão”, sublinhou, numa altura em que se somam pedidos de vários partidos para que se demita.
Foi noticiado esta terça-feira que a IGAS concluiu que o utente de 86 anos que morreu a 31 de outubro de 2024 de enfarte de miocárdio, em Bragança, tinha uma probabilidade de sobrevivência, embora reduzida, que “estaria sempre condicionada à realização de manobras de suporte básico de vida, quando iniciadas no imediato”. “É necessário dizer que o relatório não faz uma ligação direta entre esta morte e greve”, sublinhou a ministra da Saúde.
IGAS. Utente que morreu em Bragança podia ter sobrevivido se socorro fosse imediato
“O relatório diz que o quadro clínico da vítima e cito de novo: ‘Inviabiliza, nestas circunstâncias, o estabelecimento de um nexo de causalidade entre o atraso no atendimento por parte do CODU [Centro de Orientação de Doentes Urgentes] e a morte ocorrida'”, afirmou.
Na declaração ao início da noite, sem direito a perguntas, Ana Paula Martins lamentou a perda de vidas e admitiu que “houve atrasos claros no atendimento e na prestação do socorro” durante a greve de 31 de outubro de 2024. “A dita falta de nexo de causalidade não me descansa nem descansa o Governo, e tenho a certeza que não descansa os profissionais da emergência médica”, acrescentou.
IGAS confirma uma morte por atraso no socorro durante greve do INEM
A governante reconheceu ainda que “o circuito de informação dos anúncios da greve não funcionou”, razão pela qual foi sujeito a alterações. “Posso garantir que o mau funcionamento não se voltará a repetir”, disse, notando que na greve entretanto realizada “tudo correu com normalidade”.
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