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Mais de 70 deputados israelitas votaram esta quarta-feira a favor de um apelo ao governo para a anexação total da Cisjordânia ocupada, de forma “a retirar da ordem do dia quaisquer planos para um Estado palestiniano”.
Aprovado por 71 votos contra 13, o texto não tem força de lei, mas pretende afirmar o “direito natural, histórico e legal” de Israel em relação a este território palestiniano.
Na votação do apelo, que contou com o apoio de membros da coligação de direita e de extrema-direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, bem como de deputados da oposição, os parlamentares argumentaram que a anexação deste território “vai reforçar o Estado de Israel, a segurança do país e impedir qualquer desafio ao direito fundamental do povo judeu à paz e à segurança na sua pátria“.
“A soberania na Judeia-Samaria [nome pelo qual Israel designa a Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967] é parte integrante da realização do sionismo e da visão nacional do povo judeu, que regressou à sua pátria”, sublinhou o texto.
A Autoridade Palestiniana, que administra partes da Cisjordânia ocupada por Israel, descreveu a votação como “um ataque direto aos direitos do povo palestiniano”, de acordo com Hussein al-Sheikh, secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina (OLP).
“Estas ações unilaterais de Israel constituem uma violação flagrante do direito internacional”, acrescentou o representante numa mensagem publicada na rede social X.
The Israeli Knesset's demand for the Israeli government to impose Israeli sovereignty over the West Bank represents not only a direct assault on the rights of the Palestinian people but also a dangerous escalation that undermines the prospects for peace, stability, and the… https://t.co/WnXZonxz5U
— حسين الشيخ Hussein Al Sheikh (@HusseinSheikhpl) July 23, 2025
Cerca de 500 mil israelitas vivem em colonatos na Cisjordânia, ao lado de três milhões de palestinianos.
Os colonatos judaicos são regularmente denunciados pela ONU como ilegais à luz do direito internacional e encarados como um dos principais obstáculos – juntamente com a violência contínua entre as duas partes – a uma solução de paz duradoura entre israelitas e palestinianos, que envolva a criação de um Estado palestiniano viável com autoridade sobre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.
No início de julho, os ministros do partido Likud, força política do primeiro-ministro israelita, exortaram Benjamin Netanyahu a anexar a Cisjordânia antes do final do mês, aproveitando os “avanços históricos” alcançados contra o Irão e aliados, numa referência ao movimento islamita palestiniano Hamas.
Na altura, vários países do Médio Oriente, como foi caso do Egito e da Jordânia, condenaram o pedido apresentado pelos ministros israelitas.