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Novas tabelas de IRS. Simulações mostram alívio fiscal com impacto em agosto e setembro, mas a perder relevância em outubro

Este artigo tem mais de 1 ano

Novas tabelas de IRS permitem alívio fiscal entre dezenas a centenas de euros em agosto e setembro, mostram simulações da EY e PwC. Efeito diminui a partir de outubro e há quem arrisque pagar em 2026.

Imagem do site das finanças, Lisboa, 25 de fevereiro de 2025. IRS. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
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ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

A descida extraordinária das tabelas de retenção do IRS em agosto e setembro vai colocar mais dinheiro nos bolsos dos contribuintes, ainda que o impacto na conta final do imposto devido em 2025 não seja assim tão expressiva.

As tabelas que vão corrigir o imposto cobrado a mais desde janeiro e julho, face à descida das taxas entretanto aprovada, irão reduzir de forma substancial as retenções na fonte dos próximos dois meses. As simulações feitas pelas consultoras EY e PwC, com base nas tabelas publicadas esta terça-feira, mostram que o rendimento mensal pode crescer desde algumas dezenas de euros em agosto e setembro nos rendimentos mais baixos até algumas centenas de euros nos valores mais elevados. Os salários brutos até aos 1.136 euros mensais ficam isentos de IRS, durante a vigência dessas tabelas temporárias.

No entanto, e uma vez corrigida a cobrança a mais, o real impacto da descida do IRS nos rendimentos líquidos mensais acaba por não ser muito relevante, começando nos dois euros e indo até 20 euros em rendimentos já muito altos, nas simulações da EY. E entre um euro e pouco mais de 20 euros nas simulações da PwC para a categoria de solteiros sem dependentes.

A comparação com 2024 é incontornável, mas é preciso ter em consideração que a baixa do IRS agora aprovada, por iniciativa do Governo e com os votos a favor de toda a direita, tem uma dimensão menor do que a implementada no ano passado. Em 2024, houve duas baixas do imposto. Uma ainda prevista no último orçamento do Governo de António Costa e outra aprovada no verão já depois das eleições que deram a vitória à AD. Foi uma proposta socialista que alterou alguns pressupostos da iniciativa inicial apresentada pelos partidos do Governo e que acabou por passar no Parlamento contra o Governo e com o voto do Chega.

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Mas em alguns aspetos a história repete-se. Também desta vez haverá contribuintes que podem voltar ter a surpresa (desagradável) de vir a pagar imposto no acerto final de contas do IRS devido em 2025 que será feito no próximo ano. Isto porque o esforço continuado do Governo em aproximar o imposto retido na fonte do imposto devido terá ido longe de mais em alguns casos, nomeadamente a partir dos rendimentos de 1.500 euros.

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Nestes casos, se os contribuintes não apresentarem despesas dedutíveis, para além da dedução geral e familiar, podem ter de pagar face a um cenário de manutenção das taxas de retenção na fonte. Ainda que o imposto total cobrado em 2025 seja mais baixo para todos, fruto da descida das taxas até ao oitavo escalão.

As simulações disponibilizadas pela EY revelam um corte fiscal extraordinário para agosto e setembro que pode ir de 56 euros para rendimentos na casa dos mil euros (para um trabalhador dependente sem filhos) até mais de 400 euros para salários de 2.500 euros e mais de 1.000 euros para salários brutos de 5.0000 euros. Mas até nestes rendimentos mais elevados a poupança mensal definitiva passado o efeito corretivo não vai além dos 20 euros.

Pode ver aqui com detalhe as simulações da EY para quatro níveis de rendimento e para cinco categorias de contribuintes com trabalho dependente e pensionistas.

Nas simulações da PwC, que começam em rendimentos brutos de 950 euros, a poupança nos meses de agosto e setembro começa nos 36 euros e ultrapassa os 1.000 euros nas fasquias de rendimentos acima dos 6.000 euros brutos. Isto para um contribuinte solteiro. A partir dos 1.500 euros de rendimento mensal, o aumento do valor líquido a receber nos próximos dois meses varia entre os 178 euros e 883 euros para quem ganha 4.000 euros brutos.

Mas quando se faz as contas à poupança mensal a partir de outubro, e após o efeito extraordinário da correção do imposto cobrado em excesso nos primeiros sete meses do ano, a poupança mensal é bem mais modesta, entre 1 euro e 22 euros.

Veja aqui em detalhe as simulações feitas pela PwC (com o Observador a calcular a diferença mensal entre o imposto retido em agosto e setembro e a partir de outubro face à situação de partida em julho) para oito níveis de rendimento e quatro categorias de contribuintes.

A PwC fez ainda as contas ao acerto final do IRS de 2025 após a aplicação das novas tabelas, em particular das que vão estar em vigor apenas durante de agosto e setembro. Durante estes meses, os contribuintes vão sentir um aumento visível do rendimento líquido, fruto da correção do imposto retido até julho, mas para alguns a conta vai chegar no próximo ano. Isto se não tiverem despesas suficientes para deduzir. É nos rendimentos intermédios da série analisada, entre os 1.500 euros brutos e os 4.000 brutos, que o risco é maior. Para quem ainda recebe, os reembolsos serão mais baixos.

[É sábado. No lobby de um hotel de Albufeira um assassino misterioso espera junto ao bar por um convidado especial: representa a Organização para a Libertação da Palestina. Quando o vê entrar, o terrorista dispara quatro tiros e foge. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]

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