Como prenda do seu 63º aniversário, Jeffrey Epstein recebeu um conjunto de cartas escritas especialmente para a ocasião por vários dos seus amigos. Entre os remetentes, encontram-se personalidades famosas como Woody Allen, Ehud Barak ou Noam Chomsky. Ao contrário da mensagem de aniversário que Donald Trump escreveu ao magnata em 2003, as cartas agora reveladas pelo The New York Times datam de 2016, ou seja, oito anos após Epstein ter sido condenado e cumprido 13 meses de prisão por dois crimes: solicitar a prostituição de uma criança e uma prostituta.

Woody Allen assinalava na sua carta a Epstein que os encontros na sua mansão, localizada no bairro de Upper East Side, em Manhattan, eram “sempre interessantes“. Nestas festas reuniam-se “políticos, cientistas, professores, mágicos, comediantes, intelectuais, jornalistas” e “até realeza”, descrevia o comediante e cineasta. Allen explicava como os jantares também eram bem servidos: “Digo que são bem servidos; às vezes, por um mordomo profissional e, com a mesma frequência, por várias jovens mulheres” — estas lembrava-no do “Castelo Drácula onde [Béla] Lugosi tem três jovens mulheres vampiro que servem o palácio”, numa referência ao ator húngaro que ficou famoso por interpretar o papel do vampiro.

O The New York Times destacou algumas passagens das cartas que consultou que sugerem que os remetentes das cartas estariam conscientes da rede de prostituição de menores que o magnata norte-americano alegadamente coordenava. O antigo primeiro-ministro israelita Ehud Barak assina uma carta com a sua mulher em que dizem a Espstein: “Não há limites para a tua curiosidade”. “Tu és como um livro fechado para muita gente, mas sabes tudo sobre toda a gente”, continuava a missiva do casal, na qual também descreviam o pedófilo que morreu em 2019 como um “colecionador de pessoas“. No final, reafirmavam a sua amizade com Esptein: “Que tenhas uma vida longa e saudável e que todos nós, os teus amigos, possamos aproveitar da tua mesa durante muitos anos.”

Além destas duas cartas, a prenda de aniversário de Jeffrey Epstein incluía mensagens do bilionário Mortimer Zuckerman, que foi dono de publicações como The Atlantic, do intelectual Noam Chomsky e da sua mulher, de Joichi Ito, o antigo diretor do famoso centro de investigação Media Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e de outros destacados académicos norte-americanos como o físico Lawrence M Krauss ou o matemático Martin Nowak. Nenhuma destas personalidades respondeu às perguntas do jornal norte-americano que avançou a notícia.

Também foram reveladas fotos e detalhes relativos à decoração da mansão de Manhattan em que Jeffrey Epstein organizava os encontros mencionados por muitos famosos seus amigos. O magnata tinha fotos emolduradas onde surge com várias figuras públicas: o Papa João Paulo II, Mick Jagger, Elon Musk, Fidel Castro, Bill Clinton, Steve Bannon e até o príncipe saudita Mohammed bin Salman. Além disso, no seu escritório o pedófilo tinha um tigre taxidermizado e exibia de forma destacada uma primeira edição do livro Lolita de Vladimir Nabokov — um romance de 1955 que causou controvérsia por relatar a obsessão e os episódios de assédio sexual e violação de um homem de meia idade a uma rapariga de 12 anos.

Estas novas informações, obtidas através de fontes anónimas pelo The New York Times, vêm a público numa altura de renovado escrutínio em relação às ligações de Jeffrey Epstein às elites, nomeadamente políticas, dos EUA. Esta terça-feira, a comissão do Congresso norte-americano que investiga o caso intimou o ex-Presidente Bill Clinton e a sua mulher Hillary a depor e o Departamento de Justiça a apresentar os arquivos da investigação sobre tráfico sexual de menores envolvendo o magnata, que estão na origem de um dos momentos mais tensos entre Donald Trump e os seus apoiantes.

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