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Consultores da empresa norte-americana que ajudou a criar a Fundação Humanitária para Gaza delinearam um plano para deslocar os palestinianos do enclave para vários países, incluindo a região separatista somali — a Somalilândia –, noticia o Financial Times, citando fontes próximas do processo.

Os elementos da Boston Consulting Group (BCG) terão estudado vários destinos que podiam acolher os habitantes do enclave, criando uma lista “complexa” para um grupo de empresários israelitas que queriam esboçar planos para reconstruir e desenvolver projetos imobiliários em Gaza. O estudo, explica a notícia, incluía ainda uma apresentação de slides na qual se estimava que cerca de 25% dos habitantes de Gaza aceitaria deslocar-se e que a maioria desses não voltaria ao território.

Entre os possíveis países de destino estavam ainda os Emirados Árabes Unidos, o Egipto e a Jordânia. Mas, no caso da Somalilândia — que funciona como Estado de facto, mas não é reconhecido internacionalmente —, o jornal conta que representantes dos Estados Unidos terão mesmo tido conversas preliminares para esse acolhimento, recebendo reconhecimento formal norte-americano.

“Mas os países no modelo não foram escolhidos com base no conhecimento de discussões específicas. A ideia era compreender as questões económicas relacionadas com as opções que o Presidente Trump tinha colocado em cima da mesa”, admitiu uma das fontes próximas consultadas pelo FT.

Estas questões económicas seriam mesmo vantagens para os países que os recebessem, já que as projeções dos dois consultores indicavam “benefícios económicos” em mais de 4 mil milhões de euros nos primeiros quatro anos para esses estados.

“Ao aceitar os habitantes de Gaza que se mudam temporária e voluntariamente, um país receberá um aumento populacional que trará benefícios económicos que claramente podem ser significativos”, disse a fonte.

Para além disto, o relatório para os empresários israelitas incluía também estimativas para os desenvolvimentos imobiliários na Faixa de Gaza, tais como os custos “da remoção de detritos e munições não detonadas, construção de infraestruturas como uma linha ferroviária e um novo porto, desenvolvimento de um novo sistema de saúde e educação, incluindo o desenvolvimento da força de trabalho, e investimentos privados em turismo e manufatura avançada“.

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“O modelo assumia que esses investimentos gerariam retornos ao longo de dez anos na forma de receitas provenientes de habitação, construção, segurança, manufatura, saúde, infraestrutura e outras atividades económicas”, lê-se ainda na notícia do FT.

A BCG, que participou na criação da Fundação Humanitária para Gaza, promovida pelos Estados Unidos e Israel mas criticada pela ONU e organizações humanitárias, despediu os dois sócios da consultora envolvidos na criação da plataforma mas também no projeto de deslocamento, alegando que ambos tinham feito “trabalho não-autorizado” e de forma gratuita.

“Este trabalho não foi um projeto da BCG. Foi orquestrado e executado secretamente, fora do âmbito ou aprovação da BCG”, afirmou a empresa em julho, tendo recusado fazer comentários ao jornal britânico.