Depois de três anos instalados em Adelaide Cottage, e da turbulência do passado recente, os príncipes de Gales vão mudar-se para uma “casa para sempre”. À espera de William, Kate e dos três filhos, George, 12, Charlotte, 10, e Louis, 7, a apenas seis quilómetros de distância da atual residência, estará Forest Lodge. O palácio de Kensington confirma a mudança nos últimos meses do ano e antecipa que a família já deverá passar este Natal no novo destino, também ele inserido no Windsor Great Park, em Berkshire, propriedade da Coroa britânica.

Há quem classifique a decisão de “smart downsizing” mas o facto é que à espera do clã Gales estará desde logo mais espaço: não quatro quartos, como até aqui, mas oito aposentos. Escusado será dizer que outras moradas continuam disponíveis para o agregado, casos do apartamento com 20 quartos em Kensington, para onde se mudaram em 2013, e que continua a ser a sua residência oficial em Londres; e de Anmer Hall, em Norfolk. Para a família, será como “começar de novo” e a transição é vista como um plano de longo prazo, uma casa para ficarem instalados mesmo após eventual subida de William ao trono e que promete virar a página sobre os últimos dois anos, marcados pela morte da anterior monarca e pela luta de Catherine contra o cancro.

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Forest Lodge © Getty Images

Segundo o Mail on Sunday, uma das opções consideradas pelo casal foi Fort Belvedere, uma mansão de estilo gótico em Windsor Great Park, favorita de Eduardo VIII. Encontra-se arrendada à família do falecido milionário canadiano Galen Weston desde o início dos anos 80, que renovou o contrato no começo do ano, inviabilizando os projetos do príncipes.

Erguido por volta de 1770, Forest Lodge foi classificado em 1972, e a sua história não se livra de polémica. Foi anteriormente conhecido como Holly Grove, sobretudo a partir de 1803, quando foi comprada pelo esclavagista e proprietário da plantação Spencer Mackay (1764 – 1846) que possuía Lusignan, Cane Grove e Annadale na Guiana Britânica. O interesse da família real remonta a 1823, mas o imóvel só foi adquirido pela Coroa em 27 de junho de 1829, durante o consulado do duque de Wellington. À época, tornou-se a residência do ranger do Windsor Great Park. Entre os primeiros habitantes terão estado William Fremantle (antigo responsável pelo Tesouro britânico), e Francis Seymour, quinto Marquês de Hertford (político conservador).

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Em 1936-37 o nome da casa foi debatido, com Forest Lodge a levar a melhor sobre Ranger’s Lodge: A casa foi a residência do vice-ranger de Windsor Great Park até à reforma de Malcolm Murray em 1937. Em 1936, Eduardo VIII informou o sucessor de Murray, Eric Savill, sobre o seu desejo de deixar Forest Lodge a John Aird, o seu tratador de cavalos. Mais tarde, os residentes incluíram lorde Napier e Ettrick, que chegou a ser secretário da princesa Margarida. Nos últimos anos, aqui moraram Alex Fitzgibbons, chairman da FaitAccompli, uma das maiores organizadores de eventos em todo o mundo; e a investidora sueco-americana Cristina Stenbeck.

A mais modesta e cosy Adelaide Cottage

Antes do virar do novo milénio, um dos episódios mais curiosos envolve Sarah Ferguson. Em 1998, o The Daily Mail avançou que a Rainha Isabel II tencionava oferecer a propriedade à ex-mulher do príncipe André,que se divorciara há dois anos e procurava também um novo começo. A mudança terá sido vetada pelo então duque de Edimburgo, o príncipe Filipe. Os duques de Iorque vivem antes em Royal Lodge, a escassos minutos do futuro destino dos príncipes de Gales.

O edifício georgiano de Forest Lodge sofreu uma renovação substancial em 2001, mas estará agora a ser ajustada às necessidades dos novos moradores. As obras estarão a ser custeadas pelo casal, que irá pagar uma renda ao Crown Estate, o fundo que gere o conjunto de propriedades reais.

Aerial view of the Duke of Windsor's Fort Belvedere, Berkshire David Goddard/Getty Images

A desejada Fort Belvedere, a mansão de Eduardo VIII que estaria na mira de Kate e William

Os registos disponíveis dão conta das seis casas de banho, uma longa galeria, e uma sala de estar principal alcançada a partir de um salão central. Um apartamento autónomo faz ainda parte do alojamento. No exterior, os terrenos incluem campo de ténis e um grande lago. No interior, destacar-se-ão ainda as pedras originais, os gessos, ou as lareiras de mármore. Segundo a People, à semelhança do que seguiam em Adelaide Cottage, não contarão com empregados internos.

De acordo com relatos, a chegada dos novos moradores implicou algumas mudanças nas imediações. Duas famílias que moravam em casas de campo vizinhas foram convidadas a sair. As casas, que reaproveitaram antigos estábulos, terão sido arrendadas pela Coroa. Não terá sido necessário recorrer a ordem de despejo e os até aqui inquilinos seguiram para residências idênticas ou superiores dentro dos 4.800 hectares de Great Park.