O Secretário de Estado da Proteção Civil defendeu, esta terça-feira, que, face às circunstâncias, a resposta das autoridades no decurso desta época de incêndios tem sido “positiva” — não obstante as críticas feitas por vários autarcas e populares, considerando que a resposta do dispositivo nacional tem sido insuficiente.

Em entrevista à SIC Notícias, Rui Rocha assegurou que os operacionais distribuídos pelo país em prevenção “permitem que tenhamos uma taxa de sucesso no ataque inicial superior a 90%”. Os casos onde esse ataque não debela logo o fogo, argumenta, foram motivados por “circunstâncias anormais”, como “as trovoadas secas que provocaram o incêndio de Piódão, Arganil e Sátão” ou os “ventos também completamente anormais e convectivos”. Nessas circunstâncias, “muitas vezes, a propagação do fogo é muito mais rápida do que a capacidade de mobilizar meios”, explica.

Como resultado, “temos tido frequentemente quatro ou cinco incêndios de grande dimensão que ocupam milhares de operacionais”.

Face a estas circunstâncias, Rui Rocha defende que “a forma como dispositivo tem respondido, apesar de todas estas incidências, tem sido positiva”, pese as “descoordenações momentâneas” motivadas pela “complexidade dos teatros de operações”.

O governante também se pronunciou quando às queixas de atraso em acionar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, com o pedido feito ao fim de 20 dias de incêndios. Segundo Rui Rocha, esse é um “mecanismo de último recurso para os países participantes” e que foi acionado após uma “análise operacional” feita pelos técnicos.

“Não é o Secretário de Estado ou o primeiro-ministro que decide acionar”, afirmou, adiantando que o pedido foi feito “assim que foi comunicado ao governo que havia essa necessidade”.

Conforme já tinha sido noticiado, Rui Rocha confirmou que o pedido — oficializado na sexta-feira, 15 de agosto — resultou da falha em extinguir o fogo na serra da Lousã.

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O secretário de Estado também falou sobre a decisão do governo em não prolongar o estado de alerta. Vigente desde 2 de agosto e prorrogado por quatro ocasiões, terminou às 23h59 desta terça-feira, 19 de agosto.

“A partir desta noite vai haver uma descida da temperatura que vai colocar as temperaturas aos níveis habituais de agosto e com a humidade a ser bastante maior do que foi nos últimos dias”, afirmou.

Antes, foi necessário mantê-lo porque “estamos há 25 dias com condições meteorológicas de grande severidade, não há memória neste século de termos um período tão prolongado com tão baixa humidade, com o vento que se faz sentir estes dias e com altas temperaturas”.

Este aliviar da situação foi, adiantou, o principal aspeto que fez o Governo “não prolongar a situação de alerta”, mas não foi o único, já que as restrições que impunha têm “consequências para atividades que ficam condicionadas”.